Category Archives: Devocional

QUAL O SENTIDO DA VIDA CRISTà?

“Quanto a mim, porém, sou como a oliveira verdejante, na casa de Deus;

confio na misericórdia de Deus para todo o sempre”

Salmo 52.8

A cada dia somos chocados com a nossa própria vida, e fazemos coisas sobre as quais nos perguntamos: como pude eu fazer isto? (Quem já não passou por este momento?) Somos também chocados por atitudes de outros próximos a nós que agem contra nossas expectativas e perguntamos: Como pôde ele fazer isto?

Estas circunstâncias levam-nos a esta pergunta existencial: Se pecamos, caímos, estamos sujeitos a decepcionar a Igreja e a Deus, qual o sentido da vida cristã?

Certa fez estava em um museu, no departamento de arte moderna. Vi ali um quadro pintado em preto e branco composto por apenas duas linhas brancas horizontais sob um fundo preto. Logo um homem reuniu um pequeno grupo e passou a explicar o significado daquele quadro que, segundo ele, era “uma apologia à vida a qual percorre rios e cachoeiras até desaguar em um bosque vívido onde os pássaros voam”. Eu me perguntei: onde estão as cachoeiras, bosque e pássaros? Quem é este homem. Alguém me respondeu: ele é o autor do quadro.

1. Se Deus é o autor da vida, é Ele quem define o significado da obra

Se Deus é o autor da minha vida, sua vida, da vida desta Igreja, ele está pintando aqui a nossa história e mesmo quando o diabo, o mundo ou os amigos vêem em nós apenas dois riscos brancos sobre  uma tela preta, Deus vê em nós cachoeiras, rios, pássaros e bosques, pois é Ele o pintor da nossa história.

Portanto, quem somos nós? Nós não somos quem o diabo diz que nós somos. Mesmo porque ele possui um compromisso com a mentira e não revelaria a verdade sobre nós.

Nós não somos quem os amigos dizem que nós somos. Até porque, eles possuem uma visão extremamente limitada da própria vida e desconhecem nosso coração. Nós também não somos quem nós pensamos que somos, pois nossa própria mente gera dissimulações que nos impedem de nos vermos de forma completa e real. Na verdade nós somos quem Deus diz que nós somos! Porque Ele é o autor do quadro, o autor da vida.

Quem, diz Deus, que somos hoje, como Igreja?

Davi, neste Salmo, perseguido por Saul, que queria a sua morte, fala sobre as ações da carne e armadilhas do diabo como “maldade, palavras devoradoras, destruição e engano.  Mas diz no verso 8, olhando para o autor da vida: “Eu sou quem Deus diz que sou”: “Quanto a mim porém, sou como a oliveira verdejante na casa de Deus”

  • A Oliveira era uma árvore escolhida por Deus no AT como símbolo da presença do Senhor!
  • Verdejante significa que, apesar de Saul tramar planos diabólicos contra nós, nós viveremos!
  • Na casa de Deus indica que esta árvore era plantada do lado de fora do templo e quem a cortasse seria passivo de morte!  Estamos sujeitos apenas a Deus!

Apesar do inimigo nos perseguir e tramar nossa queda, há três verdades nas quais devemos crer como Igreja de Deus:

(1) Nós somos escolhidos pelo Senhor;

(2) Nós viveremos; e

(3) Somente Deus nos toca.

2. Se Deus é o autor da vida, Ele pode transformar o mal em bem

Davi havia sido perseguido por Saul. Perdeu a esposa, separou-se de Jônatas, seu melhor amigo, que viera a morrer. Por sua causa 99 sacerdotes foram sacrificados. Juntou-se a um grupo de foragidos; teve que pedir abrigo aos Filisteus, seus inimigos mortais. Seus homens tentaram apedrejá-lo, teve sua esposa e filhos seqüestrados, e seus próprios irmãos questionaram seu direito ao reinado.

Mas no fim do Salmo 52 ele diz: “… Esperarei no Teu nome, porque é bom” (v.9)

Mesmo perante tantas desgraças Davi dizia “Eu esperarei no Senhor pois a bondade faz parte da essência de Deus”. Ele pode transformar este meu estado de miséria, perseguição, tristeza e melancolia em Luz e Vida. Em vitória e reinado.

E foi assim que Deus fez. Davi reinou sobre Israel como nenhum outro antes ou depois dele. Jerusalém passou a ser chamada “A cidade de Davi”. O símbolo judeu passou a ser chamado “A estrela de Davi”. E Deus o chamou de “homem segundo o coração de Deus”.

A bondade faz parte da essência de Deus.

Pedro caminhou com Jesus por três bons anos. Ouviu, seguiu e aprendeu do Mestre. Ao lado de Cristo iniciou um ministério. Pregou, evangelizou, chegou a curar, participou da multiplicação dos pães e expulsou demônios. Mas quando Cristo foi levado preso ele o negou TRÊS vezes. (Não uma ou duas: três).

Qualquer um que estivesse ali, vendo a queda de Pedro, diria: morre aqui um grande ministério. Mas a visão de Deus vai além do horizonte: Deus o restaurou, o levantou, o colocou de pé, derramou sobre ele do Seu Espírito, e Pedro percebeu que seu ministério estava na verdade apenas começando; que a grande vitória veio após a queda; que o grande trabalho veio após a restauração.

Deus pode transformar o mal em bem porque o bem faz parte da essência de Deus.

3. Se Deus é o autor da vida, Jesus é o nosso modelo a seguir

Davi, após afirmar que era como uma Oliveira verdejante ele completou: “porque confio na misericórdia de Deus para todo o sempre”

Ele sabia que sem a misericórdia diária do Senhor sobre nós, seríamos consumidos. Ele sabia que, como homens, somos falhos: mesmo o ungido de Deus para reinar sobre Israel.

A Palavra de Deus não nos esconde os erros daqueles que serviram a Deus:

  • Abraão, para se proteger, mentiu dizendo que Sara era sua irmã;
  • Davi adulterou com Bate Seba matando a Urias, o marido;
  • Salomão trouxe para o seu reino altares a deuses estranhos;
  • Arão concordou que fizessem um bezerro de ouro na ausência de Moisés;
  • Eli deixou que seus filhos profanassem o templo de Deus.

E a Palavra não esconde estes erros para mostrar à Igreja que, mesmo cheios de virtudes, dons e força, estes homens não podem resumir o nosso modelo de vida. Jesus é o nosso modelo a seguir.

Mas mostra-nos também que, se estamos de pé, enquanto homens de Deus ao longo da história cairam, é pela “misericórdia de Deus”.

 Conclusão

 Considerando que Deus é o autor da vida e (1) é Ele quem define o significado da obra; (2) é Ele quem pode transformar o mal em bem; e (3) Jesus Cristo é o nosso modelo, devemos, como Igreja de Cristo, proceder da seguinte forma diante da disciplina de uma irmão em Cristo:

 1. Com Discernimento. Deus, quando trás à tona o pecado de um de nossos líderes, Ele o faz por zelo pelo Seu Santo Nome, zelo pela Sua Igreja e zelo pela vida do líder que caiu, pois o quer levantar.

2. Com Solidariedade Cristã. A Palavra nos ensina a chorar com os que choram e nos alegrarmos com os que se alegram. Se nos alegramos com o choro alheio, há algo errado em nosso coração e vida espiritual.

3. Com Comunhão. A Palavra outorga autoridade espiritual sobre os presbíteros da Igreja. É momento de ouvirmos o que eles têm a dizer pedindo a Deus que haja unanimidade de espírito entre nós.

4. Com temor. A queda de um entre nós deve servir sempre de motivo para refletirmos sobre a nossa própria vida e aprendermos da lição de Deus.

5. Com oração. Quando o homem trabalha, o homem trabalha. Quando o homem ora Deus trabalha.

6. Com fortalecimento mútuo. É momento de nos aproximarmos uns dos outros para nos fortalecermos mutuamente.

7. Com a certeza de que o Senhor pode fazer até o impossível acontecer

 

Deus seja louvado.

Rev. Ronaldo Lidório

Como Conhecer a Vontade de Deus

Texto Bíblico: Rm. 12.1-2

Introdução

Como podemos conhecer a vontade Deus ?

1 – Efetuando uma entrega total à Deus
2 – Negando a conformar-nos com os valores e caminhos deste mundo
3 – Renovando a mente de acordo com os caminhos de Deus

Conclusão:

Experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus

O SERMÃO
O escritor Mark Twain contava a seguinte história:

Havia um sujeito que aparecia duas vezes por dia à porta de sua casa, querendo vender-lhe peixe. E ele respondia sempre que não queria comprar, mas o homem não desistia. Até que certo dia, Mark Twain achou que a persistência daquele vendedor de peixe merecia ser recompensada.

Disse então ele à mulher: – Quando o peixeiro aparecer, vamos comprar um peixe. – E foi o que ele fez. O peixe foi então comprado, cozido e servido no jantar. Mas Mark Twain não conseguiu comer, porque o peixe estava velho, estragado e cheirando mal.

Indignado, ele ficou esperando que o peixeiro voltasse, e no outro dia pela manhã, quando o dito peixeiro passava por ali ele o interpelou: – Você vendeu-me um peixe estragado! Disse zangado.

O peixeiro sacudiu os ombros e respondeu: – Problema seu. Dei-lhe duas chances por dia, durante uma semana inteira, para comprar aquele peixe. Azar o seu se esperou até que ele apodrecesse, antes de resolver comprá-lo. Sinto muito, mas a culpa não é minha!

Reflita sobre esta história. O dia de hoje está à sua frente, oferecendo-lhe oportunidades e chamando-lhe, para ser vivido. Amanhã já não será tarde? Como você vive a vida? Sempre esperando por “algum dia” que nunca chega? Será que vai esperar até que o peixe apodreça para decidir-se compra-lo? Vai desperdiçar o dia de hoje?

Como podemos conhecer a vontade Deus?

LEITURA BÍBLICA

1 – EFETUANDO UMA ENTREGA TOTAL À DEUS

O primeiro pré-requisito para conhecermos a vontade de Deus é a disposição de cumpri-la, não porque já recebemos a misericórdia divina mas porque temos certeza de que ele sabe o que é o melhor para nós.

Não podemos nos dar o luxo de primeiro querer saber os detalhes da sua vontade a fim de decidir depois se queremos obedecer-lhe ou não. Embora Jesus não nos obrigue a fazer sua vontade, ele espera que cumpramos seus mandamentos e acatemos a direção do seu Espírito. Talvez tenhamos nossas preferências mas quando nossa vontade entra em conflito com a de Deus, devemos orar como Jesus: “Não se faça a minha vontade, e sim a tua.”

Para uma melhor compreensão da necessidade de nos entregarmos a Deus, como diz Paulo: “Como sacrifício vivo, santo e agradável.”

Primeiro: Somos criados por Deus e para Deus.

> Deus tem um propósito para nós e deseja ter comunhão conosco.
> Deus preparou boas obras para que andássemos nelas e nos criou com potencialidade para atingir seus objetivos e realizar suas obras.
> Sendo criaturas de Deus, somos todos iguais em valor. Contudo somos singulares em caráter e dons.
> Os planos de Deus para nós são perfeitamente compatíveis com o modo como ele nos fez.
> O Senhor opera em nós a fim de aperfeiçoar-nos e adequar-nos cada vez mais aos seus propósitos para que possa atuar poderosamente por nosso intermédio.
> Ele nos criou para boas obras e criou boas obras para nós.

Segundo: Somos remidos por Cristo

Jesus Cristo com seu bondoso e precioso Espírito se move em nossa vida, comunicando-nos sua própria vida. Derramando sobre nós sua graça e suas bênçãos, ele opera bem no fundo de nosso espírito, no sentido de quebrantar, tornando-nos receptivos à sua boa semente.

Ele nos capacita a receber bem a implantação de sua nova vida e quando ele próprio coloca os belíssimos frutos de sua personalidade no solo lavrado de nossa alma, ali eles se enraízam e se desenvolvem. Precisamos compreender que a presença de Jesus Cristo em nossas vidas revela o poder de Deus para com aqueles que Ele ama, então:

> Cristo opera em nós para cumprir o propósito de Deus para nossa vida
> Deus nunca desiste do seu plano.
> Deus usa todos os meios necessários para cumprir o seu propósito.

O apóstolo Paulo em sua Epístola aos Filipenses no capítulo 1 verso 6 destaca: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.”

O aspecto mais importante do plano de Deus para nós é fazer-nos conformes à imagem de Cristo. E parece que ele usa todas as circunstâncias da vida – quer sejam agradáveis ou desagradáveis – como instrumentos para o nosso bem, para realizar este propósito.

Como podemos conhecer a vontade Deus ?

 2 – NEGANDO A CONFORMAR-NOS COM OS VALORES E CAMINHOS DESTE MUNDO

Antigamente dizia-se que eram necessários trinta anos para mudar uma sociedade. Há alguns anos , li que eram sete. Agora, com o poder da mídia, a velocidade da comunicação e o fascínio de nossa geração pelo cinema e televisão, bastam três anos para alterar uma cultura.

Robert Bork afirmou: “Nossa sociedade tem afetado a igreja mais do que esta tem afetado a sociedade.”

A proposta do evangelho é missionária. Não podemos e nem devemos ficar enclausurados entre as quatro paredes de nossa igreja. Precisamos nos lançar no mundo em busca das almas perdidas e traze-las para cá para nosso convívio, sem nos deixar contaminar por seus vícios e maus costumes.
Jesus falou acerca do sal que perde o sabor e da luz que se transforma em trevas. Neste texto que lemos, Paulo diz em outras palavras: “Não permita que isto lhe aconteça, se quer realmente experimentar a vontade de Deus”.

Não é que devamos nos afastar do mundo mas sim ir ao mundo a fim de resgatá-lo das trevas, espalhando a luz através do nome de Jesus. Devemos ser sal onde não existe sabor, e luz onde reinam as trevas.

Para compreendermos a vontade do nosso Deus não devemos permitir que os valores, pontos de vista e práticas antibíblicos nos atraiam. O mundo está aí chamando-o a caminhar em sua direção, num momento perigoso para nossas vidas, exatamente quando devemos negarmos a nos conformar com estas tentações, onde o dilema será: A minha vontade ou a vontade do Pai?

Mas o que vemos não é isto, nessas questões, geralmente agimos por força de hábitos. Formamos certos apetites insaciáveis e certas preferências por determinadas publicações, por certos programas ou artistas. Por vezes, essas coisas se tornam quase uma mania. Permitimos que os veículos de comunicação em massa nos manobrem, tornando-os como barro nas mãos dos escritores, diretores e produtores. Somos “massacrados” e comprimidos por forças incansáveis que atuam sobre nós, até que nossas convicções se endureçam como concreto.

A maioria dos homens que dirigem esses meios de comunicação, seja nas publicações ou programas, não é crente. E alguns deles são violentamente contrários à Deus. Esses se lançam num trabalho sutil, mas firme, com o objetivo de minar e destruir a fé tranqüila do povo de Deus. Por meio de sugestões maliciosas, de dúvidas, descrédito e desespero, eles procuram de toda forma abalar nossa confiança em Cristo.

Muitos fizeram do prazer o interesse máximo de sua vida. Já se tornou mania entre nós a pessoa entregar-se a algum tipo de prazer carnal. O prazer, em seus vários tipos, pode tornar-se uma obsessão para o indivíduo. Desse modo, ele passa a controlar nosso tempo e a dominar nossos dias. Esses prazeres exigem tanto de nossas energias, pensamentos e de nossos meios, que os aspectos de nossa vida que eles controlam tornam-se territórios perdidos para Deus.

E o mais lamentável de tudo é que certos modos de pensar do mundo, sua ideologia e filosofia, estão estabelecendo um caminho em nossa vida, sólida e firmemente. Como escreveu o rei Salomão em Provérbios capítulo 14 verso 12: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminho de morte.”

E no fim de tudo, somos a soma total das decisões que tomamos. Afinal somente eu posso decidir a respeito daquilo que deverá influenciar minha mente, minhas emoções, minha vontade e meu espírito. Se eu serei, nas mãos de Deus, maleável ou endurecido, dependerá, em grande escala, das pessoas ou coisas que estão estabelecendo um caminho em minha vida.

Como podemos conhecer a vontade Deus ?

3 – RENOVANDO NOSSA MENTE DE ACORDO COM OS CAMINHOS DE DEUS

Embora seja essencial que tenhamos uma perspectiva bíblica de Deus do mundo por ele criado, de sua palavra, de seus caminhos, de seu caráter, de sua vontade, geralmente deixamos as instruções bíblicas em segundo plano.

Damos mais importância a orientações que nos vêm de outras fontes. Corremos de um lado para o outro buscando-as aqui e ali, mas elas não nos levam a nada. Ou então queremos ouvir palavras “neutras” que não dizem nada.

Ninguém precisa ouvir uma profecia para saber em que país deve servir a Deus. Precisa mais é de um sinal do Espírito Santo que confirme o lugar onde pode glorificá-lo com sua vida e servi-lo de forma eficaz com seus talentos e de acordo com os padrões bíblicos.

Não precisamos ler livros para sabermos que devemos ser pacientes com “nosso próximo. Precisamos é de um que nos diga que devemos amar a Deus e ao nosso próximo. A maior revelação da vontade de Deus está na Bíblia. Todavia a forma mais segura de conhecer essa revelação provavelmente não é procurando textos conhecidos com orientações que podemos literalmente aplicar a determinadas circunstâncias.

É mais certo guiar-nos por princípios, prioridades e precedentes bíblicos, com base nos quais podemos tomar nossas decisões. Efetuar um estudo sistemático da Palavra é mais seguro do que fazer buscas esporádicas de textos especiais. Precisamos evitar fazer da Palavra de Deus um “Horóscopo evangélico”, ou seja, “…deixe-me ver o que Deus tem para mim hoje!”

Não queremos dizer com isso que devemos desprezar as profecias ou as palavras essenciais das Escrituras. O que digo é que devemos analisá-las à luz da mensagem integral da Palavra de Deus e segundo o caminho pelo qual Deus está nos guiando no momento em que recebemos tais palavras.

Alguém já disse: “Somos aquilo que pensamos quando estamos a sós; e não o que fingimos ser em público.” É uma afirmação muito profunda, que nos humilha bastante. Ela arranca nossa máscara, nossas falsas aparências. É desse modo que Deus, nosso Pai, nos vê.

Há pessoas nas quais a animosidade, o espírito belicoso e o rancor formaram um caminho onde nenhuma das boas sementes ali lançadas pelo Espírito de Deus consegue germinar. Aqueles constantes pensamentos infelizes endureceram sua alma como concreto.

Então a pergunta a ser feita é: Quero ou não ser uma pessoa transformada? Vou permitir que as pisadas do Mestre enriqueçam e renovem a minha alma? Ou será que prefiro que os caminhos do mundo venham endurecer meu coração, a ponto de rejeitar sua vontade para minha vida?

A Bíblia opera melhor em nossa mente quando permitimos que nela penetrem as verdades com que o Espírito Santo nos orienta nas ocasiões apropriadas, que geralmente ocorrem quando menos esperamos.

As Escrituras estão repletas de:

> Ordenanças a que precisamos obedecer,
> Promessas de que devemos nos apropriar,
> Exemplos para serem seguidos,
> Princípios para serem aplicados,
> Advertências a que temos de atender,
> Convites para aceitarmos,
> Desafios para enfrentarmos,
> Estruturas para colocar no lugar,
> E, acima de tudo, o onisciente, Todo-Poderoso e amoroso Deus a quem devemos buscar.

Elas nos ajudam a reconhecer e a confessar nossos pecados e a colocar nosso espírito em sintonia com o Espírito de Deus, capacitando-nos assim a sermos guiados por ele.

CONCLUSÃO
Experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus

A vontade de Deus não é um mero testamento. É a vontade de um Deus vivo e amoroso, que deseja nosso bem, sabe o que é melhor para nós, e tem o poder de fazer o melhor para nós, agora e sempre.

Não precisamos nos preocupar sobre qual teria sido a vontade de Deus para nós no passado ou qual será ela no futuro. Nosso caráter está sendo formado pela maneira como vivemos hoje. Talvez não saibamos o que faremos amanhã, mas podemos fazer o que parece mais importante e mais coerente com os caminhos de Deus agora. Ou podemos e lembrar a ocasião em que sabíamos qual era a vontade dele, e verificar se deixamos de fazer algo. Depois que resolvemos isso e decidimos obedecer-lhe em tudo que ele já nos revelou, podemos ter certeza de que a vontade de Deus se cumprirá em nossa vida – agora e para sempre.

Deus os abençoe.

Pr. Laerte Corrêa dos Santos

LIDERANÇA, AUTORIDADE, SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA

Compreendendo para agir melhor.

A civilização humana é regida por princípios que a tornam viável. Um deles é o que diz respeito à autoridade. Cada pessoa tem seu próprio raciocínio, sua própria vontade. Cada um de nós tem sua própria visão da vida e das circunstâncias e vai, assim, tomando suas próprias decisões (Jz.21.25). Entretanto, quando vivemos em grupo, torna-se necessária uma direção comum. Se cada integrante agir de modo independente, o grupo deixará de existir. Considerando que os agrupamentos humanos existem para que objetivos comuns sejam alcançados, então, em princípio, não convém dispersá-los. Portanto, para que os grupos existam e sejam eficientes, torna-se necessária a figura do líder, ou líderes, com hierarquia definida. O corpo precisa da cabeça para ter direção. Um animal com mais de uma cabeça seria um monstro, como a besta do Apocalipse (13.1). Então, é necessário que haja uma liderança claramente identificada.

Na época dos juízes, o povo de Israel vivia caindo sob o jugo dos inimigos. Rejeitavam a autoridade divina e não havia autoridade humana estabelecida. Não havia rei em Israel (Jz.21.25). Cada juiz se levantava para exercer um ministério de pequena duração. Por outro lado, quando os reis foram estabelecidos, a nação judaica conheceu sua época de maior prosperidade em toda a história, principalmente no reinado de Salomão. A partir daí os reis começaram a se corromper, distanciando-se do padrão deixado por Davi. Então todo o povo também foi se perdendo até que foram para o cativeiro.

A melhor parte da história de Israel corresponde ao período em que havia uma liderança estabelecida por Deus e que dirigia o povo de acordo com a vontade divina. Todo grupo precisa de uma liderança. Se ela não existir, cada um fará o que bem lhe parecer, até que o grupo se desintegre. Por outro lado, se a liderança existe mas não é obedecida, é como se não existisse. Os resultados serão, da mesma forma, fracasso e desintegração do grupo.

Havendo liderança, estarão presentes os conceitos de autoridade, submissão e obediência. Embora já tenhamos consciência sobre o assunto, precisamos compreendê-lo com mais profundidade. Quando compreendemos, agimos com base em propósitos conscientes e de modo mais eficiente, deixando de viver apenas reagindo de maneira instintiva.

Termos como “submissão” e “obediência” podem produzir alguma resistência interior. De onde vem esse sombrio sentido que muitas vezes envolve a noção de submissão? Existem marcas do passado, coletivo e até individual, que causam esse pensamento. Quando olhamos para trás, nos lembramos do autoritarismo representado pela escravidão, experiência comum a tantos povos em tantas épocas, e também nos assustam as ditaduras governamentais. A experiência que se teve, ou que não se teve com os pais, é um dos fatores mais decisivos na noção que cada pessoa tem sobre a relação de autoridade e submissão. Por isso, é tão importante que pais e filhos sejam instruídos para que tenham um relacionamento sadio. Um filho que se rebela contra os pais, terá dificuldades para se submeter a qualquer outra autoridade durante toda a sua vida. Entretanto, os próprios pais podem ter sido responsáveis por esse dano, não tendo exercido corretamente sua autoridade.

Liderança – uma questão de organização – Muitas vezes a relação autoridade-submissão é confundida com um confronto entre poder e impotência, força e fraqueza. Embora esses conceitos estejam frequentemente relacionados, não devem necessariamente estar. A liderança existe para que o grupo tenha direção, para que os recursos humanos e materiais possam ser corretamente direcionados visando o objetivo comum. Não significa que o líder seja maior ou mais importante que os seus liderados. Portanto, o líder não deverá se sentir superior nem o liderado inferior. Suas posições são temporárias e necessárias para o funcionamento da organização. Apenas isso. Todos são importantes. O líder precisa do grupo e vice-versa. Muitas vezes, a própria capacidade do líder se transforma em vaidade. Então, está pronto o cenário da sua ruína, e normalmente o grupo é arruinado com ele.

O que é autoridade? É o legítimo poder de comando ou de ação. O líder é aquela pessoa que reúne as condições necessárias para conduzir o grupo ao objetivo comum. Do passado ele precisa trazer conhecimento, experiência e, como resultado, habilidade. Em relação ao presente, precisa ter ampla e clara percepção. Quanto ao futuro, o líder precisa ter visão. Estamos falando de conceitos ideais. Na prática, destaca-se a pessoa que consegue reunir a melhor combinação possível desses elementos.

A percepção faz com que o líder acolha idéias dos seus subordinados. Afinal, o liderado está ali para contribuir. O líder será capaz de CAPTAR o que há de melhor em todos os membros do grupo e DEFINIR o rumo da equipe. Algumas vezes ele RECUSARÁ sugestões e DECIDIRÁ o que será feito, mas, se o líder é SÁBIO, CAPAZ E HABILIDOSO, sua decisão obterá reconhecimento, respeito e apoio, sem agressões nem traumas, uma vez que o grupo reconhece que o OBJETIVO está sendo buscado.

O conhecimento que o líder possui é fundamental para o desempenho do seu papel. Geralmente, o pastor conduz o rebanho por um caminho conhecido. Ele mesmo já passou por ali antes. Em outros casos, o caminho não é conhecido mas o pastor já conhece tantos caminhos, que pela simples observação já sabe dizer se aquele lugar é seguro ou não. O líder precisa dar exemplo (Hb.13.7), tomar a iniciativa, sendo o primeiro a praticar o que exige. Precisa cuidar do grupo, buscando o bem e o objetivo coletivo. Assim, será obedecido com alegria

Tipos de autoridade e liderança

Natural – ocorre a partir do notório conhecimento ou habilidade em determinada área ou assunto.

Eleita – é a liderança escolhida pelos liderados em razão do reconhecimento de suas características naturais.

Delegada – é a autoridade transferida hierarquicamente. Seu exercício se estabelece por indicação superior.

Imposta – é a autoridade exercida por meio da força. A imposição não é o melhor caminho. Algumas vezes isso significará a existência de uma falsa autoridade, ou ocorrerá como resposta à resistência à verdadeira autoridade. O uso da força será legítimo em alguns contextos, como é o caso da força policial e judicial (Rm.13.4). Na família, por exemplo, os pais podem impor aos filhos determinadas ações necessárias ou disciplina (Pv.13.24; 22.15; 23.13-14; 29.15). Contudo, a força precisa estar limitada aos termos da lei e do benefício maior que se deseja (Pv.19.18). Em alguns contextos, não existe lugar para o uso da força (Zc.4.6). Na administração da igreja, por exemplo, nada se fará por meio da força e da violência, mas voluntariamente, por amor, e pela ação do Espírito Santo.

Os conceitos sobre tipos de autoridade podem aparecer em conjunto. Quando alguém se destaca como líder natural e é eleito pelo grupo, isso se torna bastante agradável e produtivo. Se a autoridade for delegada a uma pessoa naturalmente capaz, então o resultado também poderá ser positivo. Muitas vezes a autoridade é transmitida por hereditariedade. Isso ocorre principalmente nos regimes monárquicos. Se o herdeiro do trono é uma pessoa capaz, então, sua autoridade é natural e poderá ser muito bem sucedida. Contudo, algumas vezes a autoridade é herdada sem a respectiva capacidade. O resultado é a imposição, a ditadura, a insatisfação geral e o fracasso. Nos livros dos Reis de Israel e Judá encontramos vários relatos que podem ilustrar tais situações.

Quando pensamos no contexto eclesiástico da questão, devemos nos lembrar de que, além das capacidades naturais, Deus nos dá capacidades espirituais, dons e ministérios que vão muito além do que poderíamos fazer por nós mesmos (II Cor.3.5). O líder espiritual deve ter o conhecimento e os dons necessários para o exercício do seu ministério. Como alguém pode ser um pastor sem conhecer as Sagradas Escrituras?

A origem da autoridade legítima está em Deus (Rm.13.1). Tal afirmação tem fundamento bíblico, mas seu entendimento na prática nem sempre é fácil. Quando vemos um líder bom, logo reconhecemos que sua autoridade vem de Deus. Quando vemos um líder mau, temos a tendência de questionar sua autenticidade. Afinal, existem líderes que governam com base em falsas doutrinas e até em nome do Diabo, como é o caso dos líderes satanistas. Nesses casos, não existe autoridade legítima. Contudo, Deus permite que tais líderes subsistam, por motivos que fogem ao nosso conhecimento. Alguns deles são, como o próprio Satanás, instrumentos da ira e do juízo divino.

Mesmo que uma autoridade seja legítima, existem diferentes modos de exercê-la. O líder pode ser duro, áspero, cruel, ou pode, e deve ser, amável e respeitoso (Pv.29.21). Pelo menos, no contexto eclesiástico, é o que se espera do líder: um coração de bom pastor e bom pai. O autoritarismo ocorre quando não há respeito aos subordinados nem aos limites da autoridade. O líder não deve usar sua autoridade como pretexto para ser cruel, mal ou grosseiro. O líder não está autorizado a humilhar gratuitamente seus subordinados, embora a legítima disciplina possa ser, inevitavelmente, humilhante. Contudo, até nesse momento, o líder precisa ser equilibrado para não submeter o subordinado infrator a um vexame desnecessário. A dignidade humana deve sempre ser levada em consideração. Talvez seja melhor morrer dignamente do que viver humilhado. A bíblia diz: “humilhai-vos perante o Senhor e ele vos exaltará” (Tg.4.10). Cada um deve humilhar a si mesmo na medida necessária, se for necessário. A bíblia nunca disse: humilhai-vos uns aos outros.

Pode haver situações em que o líder precisará agir com rigor, mas estes serão casos excepcionais. O rigor deve ser a exceção e não a regra. Talvez nas instituições militares a austeridade seja sempre necessária, mas não vejo dessa forma o convívio na igreja.

Limites da autoridade – O único que possui autoridade suprema é Deus. No que diz respeito ao contexto humano, a autoridade está pulverizada em áreas abstratas e concretas: são as “jurisdições”. A tentativa de concentrar autoridade absoluta nas mãos de um homem, só pode produzir equívocos, arbitrariedades e males abundantes. Para ter todo poder e toda autoridade, o líder precisaria ter todo o conhecimento e estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Como sabemos, o único onisciente e onipresente é Deus. Por isso, só ele é onipotente. Os três conceitos são tão intrínsecos entre si que não podemos lhes atribuir uma ordem rigorosa.

A desconsideração dos limites da autoridade traz como resultado o autoritarismo. A verdadeira autoridade deverá:

Estar sujeita a uma autoridade superior. Isso só não acontece nos governos autocráticos. Em nosso sistema, a constituição está acima dos poderes da república. O exemplo mencionado por Paulo é bastante oportuno: O marido é o cabeça da mulher, mas ele mesmo tem um cabeça que é Cristo, e Cristo tem um cabeça, que é Deus (I Cor.11.3). No caso dos líderes da igreja, deve haver uma hierarquia e sobre todos eles está Cristo, pois ele é o cabeça da igreja. Se um líder rejeita as autoridades superiores a ele, então sua própria autoridade será questionada, pois quebrou a hierarquia (Col. 2.18-19). Assim, se um líder estabelece decisões contrárias ao que conhecemos da vontade de Deus, então tais ordens deverão ser desobedecidas. Afirmamos isso com fundamento bíblico, porque “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At.4.19). As parteiras egípcias desobedeceram ao rei Faraó, quando este ordenou que os meninos hebreus fossem assassinados (Êx.1.17). Raabe desobedeceu ao rei de Jericó quando este lhe ordenou que entregasse os espias israelitas (Js.2.3-4). Os magos desobedeceram ao rei Herodes, quando este lhes pediu que fosse informado sobre a localização do menino Jesus (Mt.2.8,12). Os apóstolos desobedeceram às autoridades públicas, quando estas lhes proibiram de pregar o evangelho (At.4.19). Contudo, este argumento não pode ser usado como desculpa para justificar a rebeldia, a preguiça e outros motivos escusos que venham produzir a desobediência.

A verdadeira autoridade deve limitar suas exigências. Vemos em Atos 15, que os apóstolos decidiram exigir dos gentios apenas o que era necessário, imprescindível. Portanto, o que era necessário para os israelitas no deserto, e por isso foi exigido por Deus, já não é necessário para nós hoje. Sabemos que em vários setores, o nível de exigências pode variar, pois a necessidade também varia. O líder precisa estar atento aos limites de seus liderados, procurando manter suas decisões e ordens dentro das possibilidades de execução. Os prazos de cumprimento e a organização geral das tarefas serão bastante favoráveis para que as exigências sejam cumpridas de modo suave e agradável. Numa guerra isso não é possível, mas nem sempre estamos em guerra.

A verdadeira autoridade decide com base nos objetivos do grupo – O líder não deve manipular os liderados na direção do seu belprazer (Col.2.18-19), buscando seus interesses egoístas. Por exemplo, a autoridade de trânsito comanda o fluxo de veículos de acordo com a legislação e a necessidade e não para atender suas preferências pessoais.

O líder cristão conduz a igreja ou grupo de irmãos de acordo com o padrão bíblico e não com o objetivo de construir seu próprio patrimônio ou exaltar seu próprio nome. Este e outros parâmetros podem ajudar a identificar os lobos vestidos de ovelhas, cujo objetivo não é conduzir o rebanho mas extrair dele o maior benefício pessoal possível. Isso não significa que o verdadeiro líder não possa ser beneficiado. Certamente o será, mas junto com o grupo e não em detrimento deste.

Liderança segundo Jesus Cristo – Podemos mencionar muitos exemplos históricos, inclusive bíblicos, sobre relações de autoridade e submissão. São episódios diversos, bons ou maus, mas acima de tudo isso está o conceito revolucionário que Jesus trouxe sobre essa questão: o líder cristão é um servo. Sob o ponto de vista humano, natural, tal afirmação é completamente absurda. Portanto, temos diante de nós dois padrões de liderança: o modelo mundano e o modelo de Cristo. Vejamos as palavras do Mestre sobre o assunto:

“Jesus, pois, chamou os seus discípulos para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mt.20.25-28).

Os discípulos, em seu tempo de imaturidade, viviam disputando entre si para ver qual deles seria o maior. Esperavam que Jesus libertasse Israel do domínio romano e que, então, cada um deles pudesse ter uma posição de autoridade no Reino de Deus. Qual não foi sua surpresa quando Jesus disse que eles deveriam ser servos! Da mesma forma, todos os líderes cristãos devem ser servos. Os líderes existem para servir à igreja. Ministério, de acordo com o Aurélio é “trabalho ou função de serviço na igreja.” Ministrar é servir. Imbuído desse pensamento, o líder será humilde. Não terá complexo de superioridade nem maltratará seus liderados.

Jesus, o Príncipe da paz, o Rei esperado por Israel, ajoelhou-se e lavou os pés dos discípulos, inclusive os de Judas. Esta é a atitude que o líder cristão deve ter. Não buscando ser servido, mas servir, como o próprio Jesus fez.

A importância da obediência – nós, que estamos debaixo de autoridade, devemos obedecer. Sabendo que nossos líderes estão se empenhando por exercerem uma liderança sábia e justa, nada nos resta senão a fiel obediência. E por quê o faremos? Todo grupo tem um objetivo que justifica sua existência. Se obedecemos, estamos contribuindo para que o objetivo seja alcançado. Se desobedecemos estamos traindo a nós mesmos e prejudicando todo o grupo.

O grande problema da história de Israel foi a desobediência. Aliás, o grande problema da história humana é esse. Adão e eva tinham um único mandamento para cumprir e conseguiram desobedecê-lo. E assim continua até hoje. O povo de Israel foi desobediente ao Senhor. As consequências foram maldições diversas, inclusive o cativeiro, a perda terra de Canaã e a dispersão pelo mundo afora.

As palavras “lei” e “mandamento” parecem pesadas. Contudo, todos os mandamentos de Deus foram estabelecidos para o nosso próprio bem e para que o objetivo da nossa existência seja atingido em plenitude. Portanto, devem ser obedecidos. (Não estamos advogando a favor da lei mosaica, mas da vontade de Deus, de modo geral). Muitas vezes queremos entender as ordens de Deus. É melhor obedecer do que ficar tentando compreender.

Se o aluno desobedecer ao professor, estará prejudicando a si mesmo.

E se o paciente desobedecer ao médico? Pode ser fatal.

O soldado precisa obedecer ao capitão para que a tropa possa alcançar a vitória.

Cada músico da orquestra precisa obedecer ao comando do maestro para que se consiga harmonia e beleza. Se um deles resolver tocar sua própria música ou no seu próprio tom, poderá ter uma sensação de liberdade e independência, mas todo o grupo ficará prejudicado.

O maior exemplo – é o próprio Senhor Jesus. Em seu ministério terreno, Cristo demonstrou total obediência ao Pai. Portanto, além de ser o melhor exemplo de líder, ele é o melhor exemplo de filho e de servo (Hb.5.8; Fp.2).

Relações diversas – Existem vários tipos de relações humanas e em quase todas elas surge a questão da autoridade e submissão. Algumas vezes essas situações são involuntárias. Por exemplo, nascemos em uma família e em um país que não escolhemos. Com isso, podemos estar sujeitos a uma autoridade involuntariamente. Mesmo assim devemos ser obedientes dentro dos limites da consciência, da lei, e da vontade de Deus. Existem porém outros tipos de relação nas quais entramos por nossa própria vontade. Usando a linguagem bíblica, são jugos. Podem ser jugos leves (Mt.11.29-30) ou pesados (II Cor.6.14). Podemos incluir aqui a entrada em um matrimônio, em um grupo de louvor ou em uma comunidade qualquer. O que existe de comum em relações tão diferentes? Entramos por nossa própria vontade. Depois de feito o compromisso, temos a obrigação de cumprir com os deveres que nos forem designados. Existe opção para entrar ou não, mas não existe opção para desobedecer, observados os limites já expostos.

Se entramos voluntariamente em um grupo, não podemos agora agir contra ele. Não podemos desobedecer às determinações do líder. Certamente, o bom líder não é um ditador. O homem de Deus sempre estará pronto para ouvir (Tiago 1.19). Contudo, a decisão é do líder. Ele tem a prerrogativa de permitir uma decisão democrática. Existem assuntos que podem ser levados à votação, como vemos em exemplos bíblicos, mas tudo deve ser feito mediante a oração para que a decisão do líder ou do grupo seja a manifestação da vontade de Deus (At.1.23-26; 6.3-6). O líder estabelece critérios para a decisão do grupo, pode apresentar alternativas previamente selecionadas, e, por fim, vai aprovar ou não a escolha feita. Tudo isso é opcional. O líder pode também decidir sozinho. Se isso será bom ou mau, cada situação vai dizer. Os resultados de uma decisão solitária podem produzir prestígio ou até mesmo causar a queda do líder. Podemos até ajudar a decidir, mas, uma vez que a decisão foi tomada, não podemos desobedecê-la. Aqueles que fazem as leis também estão sujeitos a elas, e devem ser os primeiros a cumpri-las.

Algumas situações de jugo permitem sua dissolução. Não vamos tratar da questão familiar, mas nos concentremos nos demais grupos dos quais fazemos parte. Entramos neles voluntariamente. Da mesma forma podemos sair. O que não podemos fazer é desobedecer à liderança estando dentro do grupo. Portanto, temos opção: obedecemos ou saímos. A saída deve se dar, sempre que possível, de forma cordial e pacífica, e nunca sem oração para que a vontade de Deus seja feita.

Atitudes em relação à autoridade

Submissão é diferente de obediência. Submissão é o compromisso, a postura, atitude interior. Obediência é o cumprimento de uma ordem específica. Precisamos portanto, ser submissos e obedientes. Uma coisa não é suficiente sem a outra. Aquele que diz ser submisso, mas nunca cumpre uma ordem, deverá rever sua posição. Mas existem também aqueles casos de pessoas que cumprem ordens, mas estão se remoendo por dentro. São obedientes, mas não são submissas. Isso é mais comum em situações hierárquicas, onde se utiliza o termo “subordinado”. Querendo ou não, o soldado vai obedecer ao comando. Na igreja, porém, o que se deseja é que sejamos obedientes e também submissos. A submissão está no coração, nas intenções. Quem é submisso, obedece até na ausência do líder (Fp2.12).

O problema da murmuração

A obediência precisa ser aprendida. Precisamos crescer na obediência. O primeiro estágio é simplesmente fazer o que foi ordenado, mas Jesus disse que, se fizermos apenas isso, somos servos inúteis (Lc.17.10). Somos obedientes mas inúteis. Precisamos ir além. Como? Podemos tomar iniciativas próprias, podemos fazer mais do que aquilo que foi exigido, mas vejamos um outro detalhe sutil:

Muitas vezes obedecemos reclamando. Precisamos vencer esse mal. Um dos maiores problemas de Israel no deserto foi a murmuração. Viviam reclamando de tudo, reclamando do líder, reclamando de Deus. Observe que “murmuração” significa “falar baixo.” A murmuração é aquele tipo de reclamação às ocultas, aquela queixa que não produz nada além de disseminar um descontentamento geral.

Qual é a causa da murmuração? A insatisfação. Esta não pode ser simplesmente proibida ou ignorada. É como a ira, um sentimento espontâneo que podemos controlar mas não anular. Ela existe e persiste. O que fazer então? Precisamos examinar a raiz da nossa insatifação. Ele provém de um desejo. Tal desejo é legítimo? É egoísta ou de interesse do grupo?

Nossa insatisfação pode nascer do egoísmo. Então, nada nos resta senão obedecer e calar. Nada de murmurações. A insatisfação pode nascer também de um desejo bom, legítimo e importante. Então, devemos transformar nossa insatisfação numa contribuição para o grupo. Devemos levar ao conhecimento do líder a nossa opinião afim de que todos possam ser beneficiados. Vamos direcionar nossa energia para que o grupo possa melhorar seus planos e seu trabalho. Um dos motivos da insatisfação pode até ser um erro do líder (Ec.10.5).

A murmuração é pecado e pode trazer muitas conseqüências ruins. Se o pecado aconteceu, podemos reconhecer e pedir perdão, ou guardá-lo e sofrer as conseqüências. Mesmo sendo confessado e perdoado o pecado pode trazer conseqüências. Por isso ele é tão maligno (Pv.18.19).

Algumas vezes ficamos insatisfeitos por motivos particulares, mas precisamos lembrar que tudo é feito visando o objetivo do grupo. Podemos conversar com o líder com todo respeito, expondo nosso parecer, mas a decisão é do líder. Contudo, lembre-se de que o grupo não gira em torno de 1 indivíduo. Nem todas as nossas preferências serão atendidas em todo tempo. Porém, o nosso pedido pode ser de interesse geral e até favorável ao alcance do objetivo comum.

Quando um interesse é levado ao conhecimento do líder, ele pode ouvir e aplicar, ou não aplicar por não ser algo bom, ou não aplicar por não existirem recursos. Os liderados precisam também compreender as limitações do líder e do próprio grupo. Os israelitas no deserto estavam exigindo de Moisés muito mais do que aquilo que ele poderia oferecer. Ao invés de esperarem a chegada a Canaã, já queriam desfrutar de tudo no meio do caminho.

Deus é líder perfeito e infalível, mas ainda assim ele nos ouve e às vezes muda situações (Abraão diante de Sodoma, Moisés ao pé do monte Sinai, Jesus no Getsêmani). Quanto mais nas relações humanas deve haver esse diálogo. Nossa posição em relação a Deus nunca vai mudar. Sempre seremos seus filhos e seus servos, submissos a ele. Nas relações humanas, entretanto, nossas posições são alternáveis, exceto em algumas sociedades organizadas em castas. Quem é líder hoje poderá ser liderado amanhã e vice-versa. Por isso, Paulo disse que devemos nos sujeitar uns aos outros.

Anísio Renato de Andrade

Bacharel em Teologia – anisiora@mg.trt.gov.br

Ame-se, mas não se exalte !

Deus dá-nos valor por causa do Seu caráter, não do nosso.

Salmos 113:7-8:

“Ele levanta do pó o pobre, e do monturo ergue o necessitado, para o fazer sentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.”

Deus aprecia-nos e estamos constantemente no Seu pensamento.

Batalha Espiritual

 

 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim; para que  me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra para com intrepidez fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que em Cristo eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo (Ef  6:10 – 20)

                Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o conhecido John Stott era bem jovem, com idade de alistar-se no Exército. Contudo, ele se recusou a entrar no Exército Britânico e a participar da guerra. O pai de Stott, um médico que havia se alistado para combater ao lado dos aliados, ficou extremamente revoltado com o filho e cortou as relações com ele. Só depois que Stott tornou-se pastor conhecido, e começou a pregar na capela de All Souls, na Inglaterra, é que um dia, finalmente, seu pai, comovido, o procurou. Seu pai não aceitava que, naquele momento de crise para o país, as convicções pacifistas de Stott o impedissem de lutar pela sua Pátria.

Pacifismo ou guerra espiritual? – Sem entrar no mérito da questão do pacifismo, queremos apenas usar essa ilustração para dizer que não há lugar para pacifistas na guerra espiritual em que a Igreja está envolvida. A Bíblia diz que estamos num combate, estamos no meio de uma escaramuça. Não é de estranhar que no Novo Testamento a Igreja quase sempre é descrita com uma linguagem oriunda do campo militar. Muita gente hoje fala em Igreja, inclusive há essa idéia muito popular de que a Igreja é um grande hospital onde as pessoas  vêm para que sejam curadas. Não queremos descartar esse lado, cremos que o Novo Testamento nos dá base para afirmar que há espaço entre o povo de Deus para a cura interior. Aliás, muita gente vê a Igreja desta maneira, como um grande sanatório, onde nossas esquizofrenias espirituais são tratadas pelo pastor ou por uma equipe.

O problema com essa visão é que ela não leva em consideração que, no Novo Testamento, a Igreja é vista como um exército que marcha, um exército que está em plena campanha, um exército que está em batalha. Há muitos que estão na Igreja há tantos anos esperando para que sejam curados de suas feridas. Talvez o que esteja faltando seja uma palavra como: “Irmão, toma a tua armadura e vai para o campo de combate”. Há irmãos que são doentes profissionais na Igreja. Estão ali e vão ficar ali a vida toda. Na realidade, o quadro de Igreja que vemos no Novo Testamento é o de uma Igreja militante. Não é por acaso que os nossos teólogos entendem a Igreja como sendo a Igreja militante e a Igreja triunfante. Militante porque está em luta, está em combate, está em conflito, contra as hostes do mal, contra o pecado, e contra o mundo.

Entendendo o contexto de Efésios 6 – O texto lido é o mais detalhado do Novo Testamento sobre a militância da Igreja, sobre o seu conflito com as hostes das trevas. Antes de analisar esse texto propriamente dito, para  aprender dele o conceito do apóstolo Paulo quanto ao conflito cristão e à guerra em que estamos envolvidos, é importante entender a situação em que o apóstolo  escreveu estas palavras. Seguindo regras simples de interpretação, observamos que quando vamos pregar sobre um texto, ou quando vamos estudar uma passagem, é sempre bom levar em conta o quadro maior. E aqui, no caso desse texto em particular, isso é extremamente importante. Essa passagem tem sido mal usada por pessoas que defendem as mais loucas idéias que você possa imaginar na área de conflito ou batalha espiritual. Contudo, quando nos colocamos dentro do contexto e da perspectiva da carta, temos uma visão privilegiada do ponto de vista do autor.

Não é mistério para ninguém que quando Paulo escreveu a carta aos Efésios estava preso em Roma, mas, mesmo assim, desejava confortar os que sabiam da sua prisão. Não sabemos exatamente todos os detalhes. A carta aos Efésios é uma das que mais se revestem de mistérios, especialmente no que respeita ao propósito de Paulo ao escrevê-la. Pessoalmente, cremos que ele a escreveu para explicar à Igreja de Éfeso, e talvez a outras Igrejas da região, o fato de que Deus havia permitido que  ele, mesmo sendo o apóstolo designado para pregar aos gentios, tivesse sido lançado na prisão de Roma, ficando impedido, assim, de realizar o seu ministério. É isso que ele diz no capítulo 3, no verso 13: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória” O propósito de Paulo era   mostrar que aquilo que para os efésios, e possivelmente para as Igrejas daquela região, era motivo de dúvida, questionamento ou perturbação, na realidade representava a glória deles. E ele faz isso expondo a doutrina da Igreja, mostrando o propósito de Deus para a Igreja.

No capítulo primeiro, mostra como Deus, em Cristo, reuniu todas as coisas, apresentando a Igreja  como  representação disso; ele mostra como, em Cristo Jesus, a Igreja foi abençoada com toda a sorte de bênção espiritual e foi selada  pelo Espírito Santo (vs. 3). No segundo capítulo, ele mostra que Deus fez isso em termos práticos, chamando-nos pela graça quando estávamos mortos em ofensas e pecados. Depois, ainda no segundo capítulo, ele mostra a união de judeus e gentios formando um único povo, a Igreja, desfazendo a diferença ou barreira entre judeus e gentios. Deus não tem dois povos. Deus tem um único povo: a Igreja, que é composta de judeus e gentios convertidos. No terceiro capítulo, Paulo fala da sua função, como apóstolo, no propósito eterno de Deus de revelar o mistério de Cristo que outrora havia estado oculto, mas que tinha sido revelado através dos apóstolos e da pregação da Palavra, na vinda do Senhor Jesus. Paulo mostra que estava sofrendo exatamente por causa disso, e que o sofrimento dele fazia parte desse eterno propósito de Deus; e nisso estava a glória dos efésios e de tantos quantos lessem a carta que, possivelmente, era uma carta circular. E, a partir daí, ele fala, no quarto capítulo, sobre a unidade da fé através do ministério dos apóstolos, dos profetas, dos evangelistas e dos pastores e mestres. Ainda no quarto capítulo, ele começa a traçar as implicações práticas de tudo que ele havia feito, mostrando, a partir da metade do capítulo, como os efésios deveriam andar, à luz desse contexto. Então ele trata da santificação, uma vida pura diante de Deus. No quinto capítulo, trabalhando na mesma direção, Paulo trata da vida conjugal.  No sexto capítulo, ele fala sobre a criação de filhos, sobre a vida na sociedade, e, por fim, conclui exortando a Igreja a se preparar contra as astutas ciladas do inimigo. Os efésios ouviram tantas coisas maravilhosas a respeito do que eles eram em Cristo Jesus, do que Deus providenciou para eles, do plano eterno; e certamente devem ter ficado tão cheios de alegria e de gozo que Paulo sentiu a necessidade de dizer: “irmãos, nós ainda não chegamos lá, vocês vão encontrar oposição no mundo para viver como Igreja de Deus, para experimentar em termos práticos, definidos, completos tudo isso que Deus tem para vocês”. Ele disse então:  “irmãos,  vocês vão encontrar oposição, não de homens de carne e sangue como nós, mas dos principados e potestades que estão nos lugares celestiais que querem nos destruir.  Portanto, vocês têm que tomar toda a armadura de Deus para poder resistir às tentativas dessas forças que hão de tentar impedi-los na carreira cristã”. Então, quando olhamos para o capítulo 6 de Efésios, particularmente os versos 10 a 20, com a perspectiva da carta como um todo, à luz da eclesiologia de Paulo nessa Carta, algumas lições se tornam evidentes para nós no que respeita à questão da batalha espiritual. Em primeiro lugar, devemos ver que o  propósito de Paulo no capítulo seis é ensinar a Igreja a resistir. Esse é o seu ponto principal. Não é difícil provar isso. Se vocês derem uma olhadinha no texto que lemos, a ordem principal é: “ficai firmes”. O imperativo  aparece três vezes, no versos 1, 13 e 14 “Ficai firmes” é a exortação de Paulo.

Combate ou resistência? – Essa passagem tem sido descrita por alguns como sendo uma convocação ao combate. Contudo, ela seria melhor descrita como  uma exortação a que a Igreja resista. Outra coisa que a gente observa é que o soldado cristão, aqui descrito, está numa posição de defesa. O soldado que é descrito aqui, a partir inclusive da descrição das armas que lhe são dadas, não está partindo para o combate, para conquistar novos campos ou para assaltar o inimigo, ou para derrubar uma trincheira. Na realidade, ele já conquistou, já venceu, já colocou o pé em território inimigo. O que ele tem que fazer é resistir firme, esse é o peso da passagem que se coaduna com tudo que nós vimos até agora. A Igreja, na Carta aos Efésios, já é vitoriosa, já está assentada com Cristo nos lugares celestiais, como Igreja invencível e imbatível. Cristo já venceu todas as batalhas por ela. Paulo começa a tratar dessa batalha (Ef 6:10) dizendo: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”. Essa expressão aparece no capítulo primeiro, quando Paulo ora, no verso 18, para que fossem iluminados os olhos do entendimento daquela Igreja e o coração para que soubessem  qual era a esperança da vocação deles, qual era a riqueza da glória da  herança dos santos e qual era a suprema grandeza do seu poder para com os que crêem, segundo a eficácia da força do Seu poder.

Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus. Estamos destacando esse ponto porque uma das ênfases do movimento de “Batalha Espiritual”, que vamos considerar mais detalhadamente, é que a Igreja deve entrar em conflito direto com os principados e potestades. Eles mudaram as coisas. Para eles, não somos nós que somos caçados pelo Diabo; antes, nós é que temos que sair caçando o Diabo. Mas vejam que o que Paulo está dizendo nesse texto não é isso. Ele está dizendo é que nós já somos vencedores. Mas ainda assim, o movimento de “Batalha Espiritual” insiste em que os crentes saiam caçando o Diabo para tomar o território dele, para derrubá-lo, para conquistá-lo e implantar a doutrina de Cristo nesses locais todos. Como se tudo já não fosse de nosso Senhor e como se o Diabo já não fosse um inimigo derrotado. Voltaremos a esse ponto porque ele requer mais detalhes. Mas esse é o ponto principal que gostaríamos de enfatizar e que fica claro quando se vê essa passagem à luz do seu contexto. Paulo não está mandando a Igreja partir para tomar qualquer ofensiva contra demônios. Pelo contrário, a Igreja, segundo ele, já é vencedora. Sua recomendação, portanto, é para que ela resista aos ataques que lhe são feitos. Esse é um ponto de grande importância que devemos guardar em mente.

Origens do movimento – Agora, a grande pergunta, naturalmente, é: Como podemos resistir? Vamos considerar, em primeiro lugar, a resposta do movimento de “Batalha Espiritual”, como é conhecido em nossos dias. Vamos dizer, brevemente, o que eles pensam sobre o assunto, depois ofereceremos uma análise de tudo e, finalmente, apresentaremos uma alternativa bíblica quanto ao tema. Vamos começar, então, entendendo o que é esse movimento de “Batalha Espiritual” e a que ele se propõe. Em nossas pesquisas, não encontramos, com muita segurança, a origem do movimento, a não ser uma informação de um dos seus defensores que diz que o movimento teve as suas origens em um missionário americano chamado J.O. Fraser, na década de 30. Fraser foi missionário na China, pela “Missão para o Interior da China”, fundada por Hudson Taylor. Seu trabalho se restringia a uma tribo no interior da China envolvida com ocultismo, práticas de feitiçaria, e magia negra. Fraser, no início do seu ministério, fracassou redondamente. Ele não conseguia libertar aqueles chineses incultos e bárbaros das suas superstições mágicas e das suas tradições de feitiçaria e ocultismo. Notava que os seus convertidos não conseguiam realmente se libertar da influência dos espíritos dos demônios. Então ele começou a tentar na forma empírica, isto é, na base da tentativa de erro e acerto, achar uma maneira de combater esses demônios. Ele entendia que a sua luta não era mais com os convertidos; então, queria ir direto à causa. Assim, achou que seu negócio era com os demônios, e começou a desenvolver uma técnica, uma estratégia para anular, para eliminar, ou para impedir a atuação dos demônios nos convertidos; impedir a ação dos demônios que emperravam o trabalho da Igreja. Depois de várias tentativas, Fraser deixou de lado as Escrituras e desenvolveu um método na base do pragmatismo, ou seja: se funciona, está certo. Foi assim que ele entendeu ter encontrado o caminho do sucesso, em termos de invadir os territórios dos demônios e amarrá-los.

Fraser era um missionário, uma pessoa desconhecida, portanto as técnicas e o trabalho dele ficaram desapercebidos até que a irmã dele publicou, trouxe à luz, as cartas que ele havia escrito, e as anotações dele sobre o assunto. A partir daí, a coisa passou para o domínio público. Isso teria acontecido no começo da década de 30.

Divulgadores atuais – Um nome bem mais conhecido, Frank Perreti, popularizou essas idéias no mundo todo. Peretti, com dois romances entitulados: “Este Mundo Tenebroso”, descreve a luta espiritual de uma pequena comunidade de uma cidade dos Estados Unidos para impedir que os espíritos malignos daquela região se apoderassem da cidade. Ele narra, então, de forma muito bem escrita, uma estória que se passa em um local fictício e com personagens fictícios. Esse livro foi um best seller nos Estados Unidos e já foi traduzido para quase todas as línguas ocidentais. Peter Wagner, o maior nome do movimento de “Batalha Espiritual”, agradece publicamente a Peretti dizendo que nós devemos mais a Peretti do que a qualquer outro autor a difusão da idéia do movimento de “Batalha Espiritual” no mundo todo.

Peter Wagner foi professor e missionário na América Latina durante alguns anos. Então, ele voltou aos Estados Unidos para ensinar no Centro de Missões no Seminário Fuller e voltou com convicções pentecostais. Ele estava convencido das coisas que viu na América Latina. A princípio ele era bastante conservador e contra todas as manifestações pentecostais e carismáticas. Mas ele viu alguma coisa na América Latina que virou a cabeça dele. Assim, ao voltar para o Fuller, estava absolutamente comprometido com essas manifestações. Depois de algum tempo, tomou o lugar de Donald McGavran, que é o fundador do movimento de “Crescimento de Igreja”. Peter Wagner tomou o lugar de McGavran, que era mais moderado, e difundiu não somente a idéia do movimento de “Crescimento de Igreja”, mas associou a idéia de fazer a Igreja crescer com sinais e prodígios. Ou seja, ele acha que no mundo de hoje não tem jeito de fazer a Igreja crescer se não houver sinais e prodígios. Nós vivemos numa época pós-moderna onde ninguém valoriza o conceito de certo ou errado. O que vale hoje é a experiência, o que você sente; e, portanto, a única coisa que a Igreja tem para oferecer como principal chamariz, diz Wagner, é exatamente a produção de sinais e prodígios.

Riso, urro e vômito “santos” – O Seminário de Fuller comprou a idéia e abriu um curso chamado: “Crescimento de Igreja, Sinais e Prodígios” onde quem dava aula eram Peter Wagner e John Wimber, o fundador do movimento “A Videira”, uma das denominações carismáticas que mais cresce nos Estados Unidos hoje e de onde saiu a Igreja da “Bênção de Toronto”. Já ouviu falar da “bênção de Toronto”?  A “bênção de Toronto” é a “gargalhada santa”, o “riso santo”. Quando a Igreja de Toronto começou com a “gargalhada santa”, John Wimber foi lá, não sabemos se Peter Wagner foi também, mas eles trabalhavam juntos. John Wimber foi lá e disse: “Isso é uma obra do Espírito Santo”. Ele deu todo apoio à “bênção de Toronto”. No Natal do ano passado, acrescentou-se alguma coisa ao “riso santo” – o “urro santo”. Aqueles irmãos começaram não somente a rir, mas a berrar, a urrar, a grunhir e a latir. A justificativa dada, no caso dos que urravam como leão, é que o berro é o urro de indignação de Deus contra o pecado da Igreja, porque no livro de Amós, Deus se apresenta como um leão e, portanto, quando o Espírito vem sobre alguém ele urra em indignação contra o pecado da Igreja. Tudo bem! Mas e o cachorro? A coisa ficou tão feia que John Wimber voltou lá, disse que o movimento não era mais do Espírito Santo e cortou a Igreja de Toronto da comunhão. Ele fez isso no Natal do ano passado. Recentemente, o Dr. Michael Horton, que esteve aqui no Simpósio dos Puritanos em Águas de Lindóia, disse que o último desdobramento do movimento é o “vômito santo”. De acordo com o “vômito santo”, quando a pessoa está vomitando no Espírito quer dizer que ela está expelindo, na linguagem deles, todos aqueles espíritos malignos, todos aqueles pecados e coisas que estavam neles.

Queremos fazer apenas um parêntese para dizer o seguinte: Se não houver o freio da Escritura, se não houver limite, ninguém sabe onde isso vai parar. Até o próprio John Wimber disse: “Tem hora que tenho que dizer basta”. Tem muita gente entusiasmada com esse tipo de movimento, mas nós já podemos ver o fim deles, o que vai acontecer. Porque o movimento que não se baseia exclusivamente na Palavra de Deus, que não parte da suficiência da Escritura, e não se submete ao crivo da Bíblia, não tem cerca.

                O movimento no Brasil – O que está acontecendo em Toronto e em outros lugares nos Estados Unidos, infelizmente, é o que irá acontecer, segundo cremos, no Brasil. Com o rumo que o movimento de “Batalha Espiritual” está tomando hoje, no mundo todo, precisamos ficar apostos quanto à nossa Igreja.

Peter Wagner que defendeu o crescimento de Igreja com sinais e prodígios, abraçou logo em seguida a idéia de batalha espiritual como sendo necessária para fazer sua Igreja crescer. Não estamos dizendo que todo mundo que defende o movimento de crescimento de Igreja também é do movimento de “Batalha Espiritual”. Mas é preciso ficar claro que existe essa relação entre as duas coisas e você tem que ficar de olho aberto para  entender bem o que está acontecendo no movimento de crescimento de Igreja, junto com batalha espiritual. Não estamos dizendo que são todos, mas na pessoa de Wagner e de muitos outros você vai encontrar esta fusão. Assim, Wagner pode ser visto como o teólogo do movimento. No Brasil, ele ganhou muitos adeptos; o mais conhecido é a Drª. Neusa Itioka, que é membro da equipe da SEPAL e que se tornou conhecida pela publicação do seu livro: “Deuses da Umbanda”, que na realidade foi sua tese de doutorado em Missiologia no Seminário de Fuller. No livro “Deuses da Umbanda”, Neusa Itioka coloca nomes nos demônios que controlam o Brasil, e a grande crítica que se faz contra ela é quanto à fonte de informação que usou para descobrir os nomes dos demônios, porque a Bíblia não dá nome a nenhum demônio. À exceção daquela legião, que simplesmente quer dizer “muitos”, e de Satanás, a Bíblia não dá nome a demônio nenhum. Como, então, Neusa Itioka sabe os nomes dos demônios que estão no Brasil? A resposta dela é que soube disso através de informação de pessoas endemoninhadas em tratamento no seu gabinete.  Mas, desde quando o testemunho de pessoa endemoninhada ou o testemunho de demônios pode servir de base para formulação doutrinária? Outra pessoa também que tem difundido muito essa idéia, embora menos teologicamente, é a conhecida Valnice Milhomens, através dos seus escritos e especialmente através dos seus simpósios e programas de televisão. Além disso, centenas de simpósios sobre batalha espiritual, conferências sobre o assunto e uma grande quantidade de literatura, a maior parte traduzida do inglês para o português, têm divulgado o movimento no Brasil.

Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer, antes de fazer uma análise seguida de uma crítica do pensamento deles, que não estamos negando nem a sinceridade, nem a honestidade, nem o desejo de servir a Deus e nem mesmo a conversão de quem quer que seja.  Estamos tratando as coisas no campo das idéias. Não estamos dizendo que porque alguém abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” não é crente. Não estamos dizendo que Neusa Itioka não é crente, que Valnice e Peter Wagner não são crentes. Ao tratar desse assunto, que Deus nos dê humildade e também dor no coração para com a situação.

Demônios especialistas – Fica difícil dizer o que eles crêem por causa das divergências existentes entre si. Mas há uma base na qual todos eles se firmam. Em um livro que está para ser publicado pela Casa Editora Presbiteriana, o autor faz uma distinção que nos ajuda muito. Ele colocou o dedo no ponto crucial da “Batalha Espiritual”: O conceito de que todo mal que existe no mundo, qualquer que seja sua natureza, quer seja mal moral, pecado, desastre, etc. é causado pela ação direta de um ou mais demônios que são especialistas em causar aquilo. Portanto, a única solução apresentada por eles é um ministério ekbalístico. (que quer dizer “lançar fora”, “expelir”). Para o pessoal do movimento de “Batalha Espiritual”, o único modo possível de ministério é o ministério ekbalístico, já que tudo que aflige o indivíduo, a Igreja, e a sociedade é produzido pela interferência, pela atuação e pela influência de demônios. Assim, a solução só pode ser uma: amarrá-los, controlá-los, proibi-los, repreendê-los, etc. Então, se você compreende isso, você já conhece a porta de entrada para o movimento de “Batalha Espiritual”.

Com essa base, será possível entender tudo o que eles fazem. O ministério ekbalístico  refere-se, então, àquele tipo de ministério crido e exercido por muitos pastores no Brasil: a expulsão de demônios. Isso é visto por eles como a arma principal da Igreja, talvez a única arma  para resolver todos os problemas da Igreja e da sociedade. Vamos supor: alguém está sofrendo de pensamentos sensuais, é crente, não consegue se livrar de pensamentos lascivos, devaneios eróticos, imagens contra as quais venha lutando, etc. Se essa suposta pessoa for a um conselheiro ekbalístico ele vai dizer o seguinte: “Isso está acontecendo porque tem um demônio entrincheirado na sua vida e que está produzindo esse tipo de coisa e você não vai resolver o problema enquanto você não expelir esse demônio da sua vida”. Então, possivelmente, o que vai acontecer é que vai haver uma sessão de exorcismo onde o conselheiro vai repreender o demônio e mandar que saia e o cidadão vai embora  sentindo-se bastante aliviado. Possivelmente os pensamentos vão voltar, a pessoa vai regressar e repetir o mesmo processo por umas duas ou três vezes. Finalmente, o conselheiro ekbalístico vai dizer: “Você tem que aprender você mesmo a expulsar o demônio”. Eles ensinam, então, uma técnica para localizar o demônio fisicamente na parte do corpo em que ele se encontra, colocar a mão ali e ordenar que o demônio saia em nome de Jesus. Assim a pessoa passa a se automedicar, expelindo os demônios todas as vezes que eles voltam. Essa é a abordagem deles. Contudo, se o mesmo suposto personagem for a um conselheiro bíblico, a interpretação será outra. O conselheiro dirá: “Meu filho, comece a queimar as revistas ‘Playboy’ do seu quarto, depois pára de ver esses filmes com figuras e pensamentos eróticos, pára de andar com certas companhias que provocam a sua sensualidade, começa a lutar sério com isso, aprenda a orar, pedir a Deus que lhe guarde,  tenha uma vida reta, toma muito banho frio, joga bola, e  aprenda que o caminho para se libertar disso é chamado pela   Bíblia de ‘santificação’, um processo árduo que exige a mortificação da natureza humana” O fato de “amarrar” um ou mais demônios não vai resolver isso. Como se vê, o ponto principal do movimento de “Batalha Espiritual” é o conceito de que todos os problemas do indivíduo, da Igreja, e da sociedade são causados por demônios que estão instalados em posições estratégicas e geográficas cabendo à Igreja a responsabilidade, segundo o movimento, de ir a esses demônios e anular a atuação deles. Essa é a base do pensamento, é a porta de entrada para a teologia de batalha espiritual deles.

Espíritos territoriais – Como já mencionamos, temos que compreender esse conceito de espíritos territoriais. Há um livro que foi editado por Peter Wagner, recentemente publicado, onde ele fala sobre esses espíritos. Para eles, os espíritos ocupam determinados territórios geográficos, regiões que podem abranger países, estados, cidades, bairros, e até casas e ruas. A idéia é que para cada região geográfica existem um, dois ou três demônios responsáveis pelo pessoal que mora ali. O trabalho deles é cegar as pessoas, levá-las à perdição e impedir que a Igreja penetre ali. Esse seria o trabalho dos espíritos territoriais. O alvo deles é cegar as pessoas daquelas regiões, pelas quais eles são responsáveis, através do ocultismo, Nova Era, astrologia, satanismo, uso de pirâmides, cristais, bruxaria, macumba, etc. O segundo objetivo desses demônios seria oferecer total resistência aos esforços da Igreja para entrar naquela área, impedir a abertura da área para a entrada da Igreja. Para isso eles cegam e oprimem os crentes. No caso mais extremo, alguns defensores de “Batalha Espiritual” crêem na possessão demoníaca dos crentes. O crente poderia ficar possesso, segundo eles. Neusa Itioka, partindo de um estudo de Gilberto Piker, procura fazer distinção entre possessão e demonização. Ela não aceita que o crente possa ser possuído, mas acredita que pode ficar demonizado. Neusa está trabalhando em cima de uma distinção que foi feita por Gilberto Piker, no seu livro sobre guerra espiritual. Parece-nos bastante infeliz essa idéia e sem qualquer apoio na língua grega. Ele acha que temos traduzido daimonitzo, que é o verbo para indicar possessão, de uma forma errada. Segundo ele, a tradução correta seria “ficar demonizado”. Assim, Piker entende que possessão significa estar totalmente sob o controle do Diabo e demonização significa que um demônio entrou na vida de alguém e ocupa uma área. Então, enquanto alguns diriam que o crente pode ficar totalmente possesso, como Neuza Itioka, Gilberto Piker, fala em demonização de áreas da vida em que o demônio pode chegar e se entrincheirar e de onde só sairá através do ministério ekbalístico. Os demônios fariam isso na Igreja para impedir o seu avanço, atacando pregadores, promovendo pecados de divisão e semeando confusão.

Outro ponto interessante é que, segundo eles, o quartel general dos demônios, o território que eles chamam de “trono de Satanás” está localizado em um ponto geográfico. Quando Peter Wagner esteve aqui no Brasil, convidado pela Comissão Nacional de Evangelização da Igreja Presbiteriana naquela época, ele defendeu abertamente em Campinas a idéia de que estas regiões têm um local geográfico, que é conhecido como “trono de Satanás”, onde o líder dos demônios daquela região tem o seu quartel general e de onde controla os seus subordinados que cegam as pessoas e oferecem resistência à Igreja. Por conseguinte, a Igreja não pode progredir, crescer e evangelizar enquanto não neutralizar estas forças espirituais cósmicas. Seria inútil a Igreja começar uma campanha de evangelização numa nova área sem primeiro neutralizar esses espíritos territoriais que estariam ali entrincheirados. Primeiro temos que amarrar o valente e depois é que  podemos saquear a casa. Essa é a estratégia missionária do movimento de “Batalha Espiritual” associada com o crescimento da Igreja. Primeiro tem que neutralizar os demônios, neutralizar suas fortalezas, tirar-lhes o domínio daquela região, e só assim a Igreja vai poder entrar, evangelizar e conquistar as pessoas para Cristo. A Igreja não deve ficar na defensiva. A reflexão inicial que fizemos sobre Efésios 6, mostrando que a Igreja já é vitoriosa e está na defensiva, essa nossa posição é totalmente inaceitável para eles. Segundo o movimento, temos que sair caçando Satanás, derrubando esses territórios, neutralizando a ação dos demônios e travando uma batalha cósmica nas regiões celestes.

Técnicas contra os espíritos – Segundo Wagner, nem todo mundo pode ser um guerreiro de oração, se não estiver preparado. Satanás vai devorá-lo no café da manhã.  Como ninguém quer ser devorado por Satanás no café da manhã, os crentes vão em massa para o simpósio de “Batalha Espiritual” aprender com os “peritos” as estratégias e as táticas para enfrentar o inimigo e conquistar seus territórios. Esses “peritos” ensinam aos crentes os segredos de como atacar, nas regiões celestiais, essas forças espirituais. J.O. Fraser, na década de 30, não tinha idéia do que o seu pensamento iria produzir no século XX.

                O que a Igreja deve fazer, segundo o movimento? Em primeiro lugar, fala-se muito em mapeamento espiritual. A idéia é que assim como se pode ir para uma cidade e mapear as suas diversas localidades e os seus acidentes geográficos, pode-se, também, fazer um mapa das regiões celestiais. Chamam isso de “mapeamento espiritual”. Dizem que há uma superposição do que está acontecendo nas regiões celestes com o que está acontecendo na terra. O mapeamento espiritual consistiria em descobrir basicamente duas coisas: a) onde estão localizados os demônios que controlam uma determinada região; b) quais os nomes deles. A idéia é que o conhecimento do nome do demônio dá poder sobre ele. Por isso dão tanta ênfase à necessidade de conhecer o nome dos demônios.  Essa idéia veio, possivelmente, do gnosticismo antigo que o Dr. Horton chamou de “tecnologia espiritual”. Os gnósticos acreditavam que quando você tinha determinado conhecimento, você tinha controle de Deus e podia ter acesso a ele quando quisesse.  Isso, portanto, é um reavivamento de certos aspectos do gnosticismo antigo, quando se conhece o nome de um demônio tem-se autoridade sobre ele.

Quanto à questão do trono de Satanás, Wagner ensinou um método para localizá-lo e derrubá-lo. Primeiro, toma-se o mapa da região, divide-o em quadros e anda-se por eles orando em cada um deles. Na área em que a maior opressão se manifestar, onde se torna quase impossível orar, é que está a maior concentração de demônios e ali, possivelmente, estará o trono de Satanás. O que deve ser feito é a promoção de uma corrente de oração trazendo guerreiros de oração para que derrubem o trono de Satanás. Uma vez feito isso, a região estará livre e poderá ser evangelizada com sucesso. No livro “Espíritos Territoriais” há uma ilustração interessante: Havia um cidadão na fronteira do Brasil com o Uruguai. No Uruguai, ele recebeu um folheto, mas ao lê-lo, nada aconteceu. Quando o cidadão cruzou a fronteira e entrou no Brasil, ele se converteu. Explicação dada: “Os demônios do lado do Uruguai não estavam amarrados, ao passo que, no lado brasileiro, eles estavam amarrados”.  Segundo eles, ninguém se converte enquanto essas entidades não forem anuladas. Essa é a implicação do conceito do movimento de que todo mal existente no mundo é causado pela ação direta de um demônio. Portanto, a solução sempre seria a de atacar os demônios com um ministério ekbalístico. Então, esses simpósios ensinam  fazer mapas espirituais; localizar e derrubar o trono de Satanás; orar intercessoriamente, em voz alta, determinando a queda das fortalezas;  amarrar  demônios pela palavra, especialmente os demônios ligados a certas atividades como embriaguez, vícios   em geral, uso de drogas, etc.;  dar ordens diretas aos demônios, repreendê-los e mandá-los   para o abismo.

Quebrando maldições – Um desenvolvimento recente encontra-se na questão da maldição hereditária. Essa ênfase tem sido dada por Valnice Milhomens, Neusa Itioka, Jorge Linhares e  Robson Rodovalho; este, da Comunidade de Goiânia. Eles entendem que os demônios passam a ter autoridade na vida de uma pessoa quando alguém lança uma praga. Por exemplo, quando um pai diz a um filho: “menino, que o Diabo te carregue!”. Por causa disso, o demônio vai controlar a vida desse menino e mesmo que ele se converta, se não se quebrar essa maldição, ele não conseguirá ser feliz porque ela o acompanhará pelo resto da vida. Assim, palavras descaridosas dos pais, xingamento, coisas más que são ditas, dariam  autoridade aos demônios sobre as pessoas. Jorge Linhares conta que comprou um carro novo e, viajando, atropelou um coelho; na semana seguinte, atropelou um cachorro; na terceira semana, um passarinho bateu no parabrisa e morreu. Então ele orou: “Senhor, eu quero saber o que está acontecendo, tem alguma coisa errada com esse carro”.  Ele diz em seu livro que o Espírito Santo revelou-lhe que aquele carro estava amaldiçoado e que ele devia quebrar todas as maldições; então ele foi e anulou todas as maldições que havia naquele carro. Qual é a conclusão lógica? Quando chegou em casa ele saiu de quarto em quarto anulando a maldição do refrigerador, da televisão, da mesa, etc. Isso porque ele cria que o Espírito tinha lhe revelado que o carro estava amaldiçoado porque foi produzido numa fábrica de ímpios. Há pessoas que crêem seriamente nisso e estão fazendo isso mesmo.

Robson Rodovalho ensina que para anular maldições hereditárias deve-se  traçar uma árvore genealógica com todos os ascendentes e  investigar a vida de todos os antepassados para saber se eles fizeram algum pacto com o Diabo, se há algum pecado que se repete na família o tempo todo, como separação, ou outra característica da família; e então, ensina o que fazer para quebrar essas maldições.

Pontos positivos – Gostaríamos  de fazer uma breve avaliação do ensino do movimento de “Batalha Espiritual” e oferecer uma alternativa bíblica para a questão. Tentaremos cobrir os pontos básicos: Primeiramente,  vamos fazer uma avaliação positiva do movimento. Há pelo menos três coisas boas em tudo isso:

a) a conscientização que esse movimento vem trazer à Igreja da realidade do poder e da atuação das hostes espirituais da maldade. A tendência e a tentação das igrejas reformadas calvinistas têm sido a de esquecer-se de que a luta não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades. Às vezes, a ênfase na igreja reformada calvinista é muito forte na questão do conhecimento, do treinamento doutrinário, e da precisão teológica na mente. Por vezes pensamos que qualquer coisa no reino de Deus sempre se processa no campo das idéias. Sem, naturalmente, querer desmerecer esta verdade, precisamos destacar que o verdadeiro calvinismo ensina a importância de uma mente preparada, sem se esquecer do valor de um coração aquecido, um coração em chamas pelo Evangelho, por amor a Deus, amor à Igreja, amor à glória de Cristo, que deseja ver essa glória  espalhada pelo mundo. Não podemos dissociar essas duas coisas. Se ficarmos só na questão intelectual  seremos reformados frios; e o que tem acontecido é que esta frieza tem entrado nas igrejas. Em outros países, onde estudamos, professores de seminários não acreditam em possessão demoníaca. Eles não têm nenhuma preocupação com o que a Escritura diz com respeito às astutas ciladas do Diabo. O fato de que Satanás anda ao nosso redor como leão que ruge, procurando a quem possa devorar, não desperta neles a menor preocupação. Tudo isso é considerado como sendo coisa do período apostólico e que cessou. Há, portanto, esse perigo e certamente esse movimento vem nos conscientizar dele.

Quando Paulo escreveu a carta aos Efésios, ele estava preso e, portanto, impedido de prosseguir na evangelização. Entretanto, Paulo não via a coisa apenas do ponto de vista meramente humano. Ele estava preso porque o imperador o havia abrigado como preso político e porque os judeus o entregaram ao imperador. Mas Paulo, ao analisar a situação, vê além disso. Ele sabia que por detrás do imperador e dos judeus que o colocaram ali, estavam forças espirituais da maldade nos lugares celestiais. Às vezes a Igreja esquece esse aspecto. É claro que o extremo oposto é de gente que vê o Diabo em tudo, em qualquer coisa, mas o outro extremo é esquecer da existência da atuação, da realidade dessas forças malignas ao nosso redor. Cremos que esse movimento, mesmo sendo definitivamente estranho aos ensinos bíblicos, pode nos ajudar a corrigir a nossa tendência de ir aos extremos.

b) O segundo ponto positivo é o zelo evangelístico. Como vimos, esse movimento nasceu no campo missionário, numa tentativa de ganhar pessoas para Cristo, libertá-las e levar o Evangelho a elas. É verdade que hoje o moderno movimento de crescimento de Igreja já perdeu muito desse zelo missionário de ir a outros povos e praticamente se tornou uma metodologia urbana de igrejas grandes; mas as raízes do movimento são missionárias e esse pessoal, muitos deles, têm um zelo muito grande no trabalho de ganhar as pessoas para Cristo e levá-las ao conhecimento de Deus. Isso vem fustigar, às vezes, a mornidão e indiferença das igrejas reformadas; a acomodação que vem às igrejas calvinistas  que não têm visão missionária. Esse pessoal tem essa preocupação, alguns com motivos errados, mas pelo menos a preocupação existe.

c) Uma terceira coisa é a ênfase que eles dão à oração. Eles estão orando pela coisa errada, mas pelo menos acreditam que pela oração podem fazer alguma coisa. Sabemos que é Deus quem faz todas as coisas, mas também sabemos que Deus manda, em Sua Palavra, que oremos e que a Igreja ore e que interceda. Paulo mostra isso no final do capítulo seis de sua carta aos Efésios, ao pedir que a Igreja estivesse orando em todo o tempo no Espírito por todos os santos e também por ele para que lhe fosse dada a Palavra. Assim, embora o movimento de “Batalha Espiritual” tenha a ênfase errada, a vida de oração que ensina serve de chicote de Deus para nós.

Talvez um lugar onde seja mais fácil negligenciar uma vida de oração seja no seminário. Quando o seminarista chega ao seminário, calouro, feliz, ele ajoelha toda noite e sabe de cor o nome de todos os membros da sua Igreja, dos seus amigos e a favor de cada um ora de joelhos durante o seu primeiro ano. No segundo, ele já não conhece os nomes de cor e prepara, então, uma lista.  Então, à noite, ele se ajoelha, pega a lista e diante de Deus lê o nome daquelas pessoas e pede que Deus as abençoe. No terceiro ano, ele já pregou a lista na parede. À noite, ele se ajoelha e diz: “Senhor, abençoa os nomes que estão nessa lista”. Esse movimento vem nos lembrar que sem oração, sem buscar a Deus, sem obedecer a ordem das Escrituras de que temos que orar Deus não nos abençoará.

Erros do movimento – Agora, ao mesmo tempo em que destacamos esses pontos positivos, temos também alguns questionamentos sinceros, algumas preocupações verdadeiras; mas, antes de apresentá-las, queremos dizer duas coisas: Primeiro, cremos na realidade e na atuação dos demônios conforme o ensino bíblico. Não entendemos que toda atividade demoníaca foi restrita ao período apostólico, não há base para dizer isso. Segundo, cremos no poder da oração e cremos que o crente fortalecido no Senhor, na força do seu poder, é capaz de enfrentar e vencer as tentações do Diabo.

Agora vamos ver algumas críticas. São seis ou sete observações. A ordem que vamos seguir não tem que ver com a ordem de importância, mas a primeira merece destaque:

1. Apesar do tom de autoridade desses “peritos”, o que eles falam, a grande maioria das estratégias propostas, não tem base bíblica. Suas técnicas parecem mais com um misticismo exagerado. Por exemplo, onde, na Bíblia, vamos encontrar uma orientação, uma ordem do Senhor Jesus, para que os apóstolos e a Igreja localizassem e derrubassem o trono de Satanás? Por que Jesus nunca ensinou isso aos apóstolos e os apóstolos nunca ensinaram isso às Igrejas?  Onde vamos encontrar, no Novo Testamento, o Senhor Jesus ensinando aos apóstolos que eles deveriam amarrar Satanás por meio de palavras? E onde vamos encontrar os apóstolos ensinando as Igrejas que na batalha contra o Diabo elas poderiam amarrar Satanás com a autoridade que Jesus deu? Onde vamos encontrar que a Igreja deve se organizar para, através da oração, fazer guerra contra o trânsito, como o pessoal de “Batalha Espiritual” em Los Angeles amarrou os demônios no engarrafamento, durante as Olimpíadas? Amarraram os demônios  da maldição do triângulo das Bermudas. Na revista News Week saiu a notícia de que não houve engarrafamento no trânsito em Los Angeles durante as Olimpíadas porque eles decretaram a prisão do demônio do engarrafamento. Onde está na Escritura que a Igreja deve se unir em oração para fazer isso? É claro que não tinha engarrafamento na época de Paulo.

Segundo o pensamento de alguns deles, os demônios não só atuam em pessoas mas, também, em estruturas. Neusa Itioka afirma que o problema do funcionalismo público no Brasil é que existe um demônio do funcionalismo público. Ela afirma isso! No seu livro: “Você Está em Guerra”, publicado agora pela SEPAL, ela fala que o problema do funcionalismo público no Brasil é um demônio que está entrincheirado nas estruturas econômicas, e o problema do racismo no Brasil é que quando foi assinada a Lei Áurea, resolveu-se o problema externo, mas ninguém passou uma canetada amarrando o demônio do escravagismo; por isso a raça negra continua sendo desprezada, ridicularizada e menosprezada. Certamente não vamos encontrar esse ensino na Escritura.  Por que o apóstolo Paulo não promoveu uma campanha entre as suas Igrejas para amarrar o imperador ou destronar o poder do Império Romano que estava matando cristãos? Por que Paulo não fez uma campanha para acabar com a escravidão, amarrar o demônio da escravidão que havia no Império Romano? Por que Paulo não fez nada disso?  Onde encontramos na Escritura que para o homem  ser feliz ele tem que quebrar as maldições hereditárias?

A interpretação que o movimento de “Batalha Espiritual” tem dado à passagem de Êxodo 20 consiste num crasso erro de hermenêutica. Nunca se deve pegar um texto isoladamente, para elaborar uma doutrina. Êxodo 20 tem que ser interpretado à luz de Ezequiel 18, onde o profeta repreende a nação porque o povo estava dizendo: “os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos é que embotaram”. O profeta disse: “de forma nenhuma. A alma que pecar essa morrerá”. Se um homem justo gerar um ladrão, as bênçãos do justo, os méritos do justo não vão passar para o filho ladrão; ele vai morrer debaixo da ira de Deus; e se o filho ladrão gerar um filho justo nada do que o pai fez de errado vai cair sobre esse filho justo. Assim, devemos interpretar Êxodo 20 à luz dos profetas, do Novo Testamento, onde está escrito que em Cristo Jesus todas as nossas cadeias, toda a nossa dívida foi desfeita.  Essa é a nossa primeira preocupação, a falta de base bíblica para essas ousadas afirmações.

Outra coisa: Por que Paulo sofreu durante catorze anos  com um espinho que ele expressamente diz que era um mensageiro de Satanás? Não sabemos a natureza do mensageiro, mas sabemos sua procedência, era de Satanás. Por que durante catorze anos Paulo sofreu com aquele enviado de Satanás? O que ele fez foi  pedir a Deus, três  vezes, humildemente, que tirasse aquele espinho. E nem assim ele foi atendido. Como se explica isso? Como se explica que Paulo, querendo voltar a Tessalônica, tenha sido barrado por Satanás (I Ts 2:18; 3:1)?  Qual foi a estratégia de Paulo? Aqui está um caso típico de guerra espiritual, ele queria voltar a Tessalônica, onde tinha deixado uma Igreja de novos convertidos, mas não pôde porque Satanás lhe barrou o caminho. Não sabemos a natureza da barreira. A palavra “barrar” significa: “cavar uma trincheira”, vem da linguagem militar, cavar uma trincheira para que o inimigo não passe. Está claramente caracterizado um caso em que o missionário quer entrar no campo mas o Diabo coloca obstáculo. O que fez o apóstolo Paulo? Ele não amarrou, não determinou queda, não repreendeu, não mandou de volta para o abismo. Não podendo ir pessoalmente a Tessalônica, ele simplesmente enviou Timóteo. Mais duas coisas: Ele orou, escreveu uma carta e mandou Timóteo driblar a barreira e ir em seu lugar. Segundo os padrões de “Batalha Espiritual” moderno, Paulo era um verdadeiro crente frio, “não era presbiteriano”.

De onde vêm essas técnicas, de onde elas se desenvolveram? Há duas fontes: primeiro, do pragmatismo; – “se funciona, então está certo”. Neusa Itioka, nesse livro que saiu agora, diz que os demônios ganham autoridade para sentar no pescoço de alguns crentes. Ai você pergunta: Neusa, de onde você tirou essa idéia? Certamente a resposta não será: “das Escrituras”, pois isso não está na Bíblia. A resposta dela será: “eu tenho observado no meu gabinete que muitos crentes que vêm se queixando de determinados pecados, também vêm sofrendo com dores no pescoço. A conclusão dela é que o demônio monta no pescoço. É uma questão tragicômica. A base da maioria das práticas desenvolvidas por esse movimento vem dessa forma. Uma vez,  um defensor do movimento, conhecido aqui no Brasil, foi fazer uma palestra numa igreja em Minas; quando  acabou de falar, ele perguntou aos presentes: “Quem ficou com sono durante a palestra”? As pessoas levantaram a mão e ele chamou-as para a frente e disse: “Vou orar, agora, repreendendo o demônio do sono da vida de vocês”. Orou, expulsou o demônio do sono, e na saída  o pessoal foi falar com  ele. Disseram: “onde é que você tem base para dizer que se uma pessoa está cochilando durante a sua palestra, aquilo é um demônio que está causando sono”? Porque, na realidade, se olhar na Bíblia, o sono é uma bênção de Deus. Tem gente que daria  qualquer coisa no mundo para passar uma noite de sono profundo. Em nenhum momento da Escritura isso está ligado a uma ação demoníaca, como é que você sabe disso”?  Ele respondeu: “Eu sei que não está na Escritura, mas Deus  me revelou”. São essas as fontes básicas do movimento: Revelações especiais diretas de Deus e experiências práticas. Em outras palavras: Isso é uma mistura de pragmatismo e misticismo.

2. Outra coisa que tem nos preocupado é a influência doutrinária da “Confissão Positiva”, nas práticas do movimento. O movimento de “Confissão Positiva” começou com o pastor Essek William Kenyon, dos Estados Unidos. Ele pegou a idéia de filósofos sobre o poder da palavra; – “a palavra cria” – e trouxe isso para dentro da Igreja, criando a idéia de que pela palavra o crente consegue criar realidades ao seu redor. Um dos discípulos de Kenyon é Paul Young Cho, com aquele famoso livro, que fez muito mal ao Brasil, chamado “A Quarta Dimensão”, onde se lê que você visualiza, mentaliza e pela palavra você cria resposta à sua oração, exatamente do jeito que você queria. Outro discípulo é Benny Hinn, cuja literatura está espalhada pelo Brasil. Sua idéia é basicamente esta: Assim como Deus no começo criou todas as coisas pela palavra do seu poder, nós, porque somos deuses, podemos igualmente criar, podemos criar circunstâncias através da palavra.

Há pouco tempo recebemos um livro escrito por um pastor chamado Hank Hanegraaff, dos Estados Unidos, e ele mandou, acompanhando o livro, duas fitas onde colecionou as próprias palavras e expressões usadas por Benny Hinn e outros, tiradas da televisão e de revistas. Ele fez uma coletânea para que os evangélicos ouvissem, nas próprias palavras desse pessoal, o ensino deles. Benny Hinn diz: “Você não tem um deus dentro de você, você é deus”. O que está por detrás disso é a idéia de que podemos criar como Deus criou, porque nós também somos deuses.  Um outro evangelista dessa linha diz o seguinte: “Não diga que você está doente, você simplesmente bata em seu corpo e diga: ‘Ah! esse corpo saudável!’ Porque na hora em que você disser: ‘eu estou doente’  você vai ficar doente, porque a palavra tem poder. Mas diga: ‘eu estou curado’. Não diga também que você está pobre, bata no seu bolso e diga: ‘Ah! carteirinha cheia de dinheiro’” Esse pensamento da palavra criadora está por detrás de muitas das estratégias do movimento de “Batalha Espiritual”. Ou seja, a voz de autoridade e comando dos crentes vai criar aquilo que eles estão dizendo e aquela vocalização vai derrubar fortalezas, vai amarrar o Diabo, vai repreender os demônios, e vai criar realidades favoráveis ao crescimento da Igreja. Então há a influência do movimento. Essa idéia de confissão positiva, não é só idéia da “Teologia da Prosperidade”, mas também do movimento de “Batalha Espiritual”.

3. As ênfases do movimento comprometem o conceito da suficiência de Cristo no Evangelho. Todos precisam saber que essa teologia de “Batalha Espiritual” nasceu em solo arminiano; Peter Wagner é arminiano, Neusa Itioka é arminiana e Valnice é arminiana. Uma teologia dessa jamais poderia florescer em solo Reformado. Isso porque a Teologia Reformada coloca a sua ênfase na soberania de Deus, no senhorio de Jesus Cristo, e na suficiência de Cristo e sua Palavra. Assim, esse movimento acaba atacando a suficiência de Cristo. Não é suficiente o que o nosso Salvador fez por nós na cruz e na ressurreição, temos que completar isso quebrando as maldições hereditárias, dizem eles. As afirmações da Escritura sobre a vitória de Cristo na cruz do calvário e a sua ação de anular as obras do maligno não são suficientes, temos que completar isso amarrando o que Ele deixou de amarrar, dizem eles.

4. O movimento tende a isentar os crentes da sua responsabilidade moral, e de todo o processo de santificação, como demonstramos naquele exemplo da pessoa que procura o conselheiro, porque tem pensamentos impuros. O que acontece é que pessoas que abraçam esse movimento e que começam a ver os demônios como responsáveis, inclusive pelos seus próprios pecados individuais, acabam finalmente a se sentir isentos de qualquer responsabilidade. Não é difícil encontrar pessoas que dizem: “Meu casamento deu errado, o Diabo entrou ali, fez a maior bagunça; o Diabo tomou conta de mim, eu não sabia o que estava fazendo, bati na minha esposa, mandei meus filhos embora, etc.” O Diabo acaba sempre sendo o responsável e os homens ficam isentos de culpa, pois agiram debaixo da influência do Diabo. Isso pode ser visto nos grandes tele-evangelistas dos Estados Unidos. Um deles, depois de um grande e comprovado escândalo moral, foi à televisão e disse: “Irmãos, eu sei o que fiz, mas foi o Diabo que me levou a fazer, eu não sabia o que estava fazendo, o Diabo fez isso”. Esse é o resultado, quanto à responsabilidade individual. O caminho do quebrantamento, do arrependimento, da mortificação fica cada vez mais distante à medida que a ênfase recai nesse tipo de coisa. Alguns meses atrás recebemos um convite que dizia o seguinte: “Achamos que o Brasil está vivendo um momento de grande avivamento espiritual, e há  uma mudança na liturgia e um retorno dos dons espirituais, mas notamos que está faltando uma coisa essencial e queremos convidar o irmão a participar como preletor de uma série de conferências sobre santidade”. É a primeira conferência sobre santidade, por achar que está faltando santidade no avivamento. Há o avivamento, mas está faltando santidade, então vamos promover um simpósio sobre santidade.

5. O movimento tende a criar uma obsessão doentia por Satanás, demônios e as coisas do ocultismo. A cosmovisão da Escritura é a seguinte: a Bíblia não nos manda olhar o mundo pela ótica da atuação dos demônios, embora nos ensine a reconhecer a presença deles. O problema do pessoal que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” é que eles olham o mundo dessa perspectiva, filtrada pela atuação dos demônios. Portanto, eles vêem demônios atuando em todas as coisas. Essa não é a cosmovisão da Bíblia. Essa é a maneira do mundo ver as coisas, dos povos pagãos do passado e das religiões gregas do passado, em que para cada árvore, cada casa, cada pedra, havia uma fada, um duende ou coisa dessa natureza; era uma visão pagã do mundo e não uma visão bíblica. A Bíblia reconhece a presença e atuação do inimigo, mas não nos ensina a viver como se em cada esquina houvesse um demônio esperando para nos devorar.

Estivemos, há alguns dias, em uma certa cidade. Ficamos hospedados na casa de um pastor que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual”. Ele nos contou que  o  menino dele, de seis anos de idade, não conseguia dormir mais sozinho no quarto e vinha sempre para o quarto dele. Perguntamos como isso aconteceu, e ele contou que quando chegaram à cidade, a Igreja alugou um apartamento para a sua família; depois, com o crescimento da Igreja, o Conselho resolveu comprar uma casa que havia na região. Ele e sua família mudaram-se para a nova casa. Na primeira e também na segunda noite que passaram na casa, eles foram acordados pelos gritos da empregada “urrando” e se batendo pelos corredores; e o menino presenciou tudo. O pessoal da região dizia que a razão estava no fato da casa ser mal assombrada. A Igreja a havia comprado porque era uma casa barata, que ninguém quis comprar. Então, uma senhora da Igreja, que tem o ministério de quebrar maldições, foi levada à casa para exorcizá-la, e o menino presenciou tudo. A mulher foi de quarto em quarto amarrando e desfazendo toda a obra maligna, etc. Daquele dia em diante o problema não se repetiu mais. Depois de ouvir o pastor, fizemos com que ele visse que estava enganado, o problema continuava. O filho dele não estava conseguindo dormir. O problema era que o menino viu tudo o que fizeram e ficou com a convicção de que mesmo no recinto de um lar, debaixo da graça e proteção do Cordeiro, a qualquer momento ele poderia ser atacado por entidades malignas. Mas o fato não é apenas que esse menino vai crescer traumatizado; o pai dele já estava obcecado e centenas de crentes no Brasil, em nossas Igrejas, vivem obcecados  e com medo disso. Essa não é a maneira bíblica de ver o mundo. Essa é a visão pagã do mundo. Satanás, e não Cristo, tem se tornado o centro do ministério de muitos. Cristo deixou de ser o centro do ministério de muita gente, e o seu lugar de primazia foi ocupado pelo Diabo e sua atuação.

6. O movimento trouxe de volta uma heresia que a Igreja já havia descartado há muito tempo, o dualismo. O maniqueísmo, para ser mais exato. Como todos sabem, essa corrente de pensamento ensina que o mundo é controlado por duas forças iguais, o bem e o mal. A Igreja já condenou isso como heresia.  O que acontece no mundo não é determinado pelo conflito de duas forças opostas, uma boa e outra má, como se Deus e o Diabo fossem iguais e estivessem lutando pelo controle do mundo. Pelo contrário, o ensino das Escrituras é que Deus é o Senhor; Ele tem todas as coisas debaixo do Seu controle e o Diabo não mexe um dedo sem a permissão de Deus. Ele só vai aonde Deus permite. O Diabo é apenas uma criatura, mas do jeito que ele é pintado nesse movimento parece que ele é um poder, senão igual, mas pelo menos independente de Deus. Ele faz o que quer e Deus é que tem que vir atrás para consertar. O Diabo não é um poder independente de Deus; ele só faz o que Deus permite, e Deus o usa inclusive nos Seus propósitos; é por isso que dissemos que essa teologia não brotaria no solo calvinista, reformado. Isso só poderia brotar na teologia arminiana, segundo a qual praticamente Deus não tem controle nenhum; o Diabo faz o que lhe apraz e os homens também.

7. O movimento faz uma confusão entre mal moral e mal situacional. Mal moral é o pecado, nossa atividade pecaminosa, nossa culpa, nossos erros, nossa quebra da lei; o mal situacional é a miséria do homem, o fato dele adoecer, sofrer desastres, acidentes, opressão econômica; enfim, tudo aquilo que oprime o ser humano. Quando Jesus estava aqui nesse mundo, Ele agiu de duas maneiras diante do mal: quando Ele encontrava o mal moral, ele não expulsava. Ele dizia à pessoa: arrependa-se e me siga; quando Ele encontrou uma prostituta, um Zaqueu, não expeliu nenhum demônio da ganância de Zaqueu, nem expeliu nenhum demônio de prostituição; quando se diz lá que Maria Madalena tinha sete demônios, não quer dizer que algum deles era de prostituição ou que causava prostituição. Prostituição, nas Escrituras, sempre em última análise é responsabilidade do ser humano e é por isso que Deus vem tratar com o ser humano. De nada valeu a desculpa de Eva e nem a de Adão, colocando a culpa no Diabo. Deus não Se deixou enganar, eles foram considerados responsáveis e estavam debaixo da ira de Deus. Quando Jesus encontra o mal moral, a atitude dele é de repreender, exortar ao arrependimento e mandar que as pessoas O sigam; Jesus só usa o modo ekbalístico de ministério quando encontrava pessoas aprisionadas pelo Diabo em termos de doença, pessoas epilépticas, pessoas possuídas pelo maligno. Mas quando via um mal moral Ele nunca expulsava demônios. O problema do movimento de “Batalha Espiritual” é que eles misturam as duas coisas e dizem que o ministério de expelir demônios se aplica a todas as circunstâncias. Isso não pode ser sustentado biblicamente, pois pecado não se resolve amarrando demônio; pecado não se resolve expulsando demônio. É verdade que a Bíblia diz que o Diabo nos tenta, não estamos negando esse fato; isso seria negar o que a Bíblia diz com clareza. Mas se pecamos, em última análise, a responsabilidade é nossa, somos nós que pecamos e o Diabo não vai levar a culpa disso.

Que fazer, então? – Essas são algumas críticas e preocupações. Como então a Igreja deve resistir e enfrentar esse problema?  Como deve estar pronta para a batalha? Qual o ensino bíblico sobre o assunto? Começaremos dizendo que as Escrituras verdadeiramente afirmam a existência e a realidade das forças espirituais do mal.  No texto que lemos, Efésios 6, Paulo fala sobre  essas forças espirituais numerosas, organizadas e lideradas por Satanás. Elas são poderosas, perversas, más, astutas, inteligentes e estão em franca oposição a Deus, a Cristo e à Sua Igreja. Esse quadro é muito claro nas Escrituras e não podemos negar e nem mesmo questionar essa realidade. Nós estamos num combate, e essas forças espirituais estão presentes, continuamente nos atacando. Mas cremos que o movimento “Batalha Espiritual” deixa de ensinar o que é mais importante: Essas forças malignas já estão derrotadas. O modo como o movimento leva seus adeptos a brigar com o Diabo, a confrontar essas forças malignas, sugere que Satanás é o senhor do mundo. Assim, o ensino bíblico da vitória de Cristo tem sido colocado de lado. A Bíblia nos fala sobre isso usando uma linguagem bastante diferente, usando figura de campo semântico diferente. O ponto central é que, na cruz, Cristo ganhou a batalha contra as hostes espirituais do mal, contra Satanás. Como é que as Escrituras nos descrevem isso? Em Gênesis 3:15, está dito  que viria um descendente da mulher, semente da mulher, que esmagaria a cabeça da serpente; e a Escritura não deixa dúvida que isso aconteceu na cruz do calvário. A figura de “esmagar a cabeça” não poderia ser mais apropriada ou  seja: foi dado um golpe final, não há retorno, foi dado um golpe mortal. Falando uma vez sobre esse assunto, um gaúcho chegou a mim e disse: “Pastor, se o senhor quiser enriquecer esse ponto, o senhor pode acrescentar a minha experiência. Eu sou gaúcho lá dos pampas e lido com gado e a nossa experiência lá é que quando a gente esmaga a cabeça da cobra de manhã ou à tarde, ela vai ficar tremendo, se retorcendo até à noite. Mas passa o dia todo se mexendo, apesar da cabeça já ter sido definitivamente esmagada.” Essa figura ilustra bem o ensino da Escritura de que Cristo já desfechou o golpe final, não há retorno para Satanás. Em Colossenses 2: 14-15   Paulo  diz: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Essa linguagem vem do campo militar, essa idéia de despojar, de expor ao desprezo, triunfar é uma linguagem que vem das batalhas  do mundo antigo. Quando um adversário era vencido ele sabia que ia ser despojado, o vencedor lhe tirava os bens, as mulheres, os filhos, o gado e ainda levava as armas do guerreiro vencido; ele era completamente despojado, ao ponto de algumas traduções modernas, em vez de dizer “despojando” dizem “desarmando”, porque esse era o sentido de despojamento. Todas as armas da cidade vencida eram levadas. A cidade era desarmada para que não houvesse outra rebelião. Várias traduções modernas dão preferência a “desarmar”, transmitindo a idéia de que Cristo  desarmou, na cruz, os principados e potestades, expondo-os publicamente ao desprezo e triunfando deles na cruz. Essa figura é bastante conhecida – “o triunfo romano”; um general, voltando vitorioso para sua cidade, entrava em triunfo com os prisioneiros amarrados atrás dele. E aí as mulheres, as crianças e os velhos jogavam terra, tomate, nos derrotados. Eles eram expostos ao desprezo. O apóstolo Paulo deliberadamente está dizendo que, na cruz, Cristo desarmou os principados e potestades; é a mesma expressão de “principados e potestades” que aparece em Efésios 6. Desarmou, despojou, tirou tudo em que eles confiavam. O inimigo foi deixado despido, nu, sem nada e exposto ao desprezo. Na cruz do Calvário Cristo triunfou deles. A Escritura afirma isso de forma indiscutível. Em João 12: 31-33 Jesus diz aos discípulos: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. Nessa passagem, o Senhor Jesus Cristo está dizendo que na Sua morte o príncipe desse mundo seria expulso. Em resumo, Ele está dizendo a mesma coisa que Paulo, em Colossenses 2:14,15; e que Moisés escreveu em Gênesis 3:15. As expressões “esmagar a cabeça”, “desarmar”, e “expulsar o príncipe desse mundo” referem-se, todas elas, a Satanás. Não há qualquer referência no Evangelho de João à expulsão de demônios que Jesus tenha feito. Os relatos de expulsão de demônios estão apenas nos Evangelhos sinópticos: Mateus, Marcos e Lucas. Por que João não narra nenhuma expulsão de demônios? A resposta é a seguinte: João estava preocupado com a maior de todas as expulsões, a expulsão central. Na Sua morte, Jesus expulsou definitivamente a Satanás, o príncipe desse mundo.  João, assim, não narra outras expulsões de demônios.

Voltando a Efésios 6, considerando as peças da armadura, veremos que cada uma delas nada mais é do que tudo aquilo que pertence, naturalmente, ao crente, a qualquer um: “verdade de Deus”, “justiça de Cristo”, “fé”, “evangelho” e “palavra de oração”. Não há na passagem nenhuma arma secreta. Todos os crentes em Cristo Jesus possuem essas armas. Para muitos, a armadura é o próprio Cristo. Revestir-se da armadura de Deus é a mesma coisa que revestir de Cristo, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Não há nada no texto que dê margem às técnicas especiais de caça ao Diabo ensinadas pelo movimento de “Batalha Espiritual”.

A título de uma aplicação final, devemos dizer que a Igreja deve tomar duas linhas: Em primeiro lugar, precisamos estar conscientes de que estamos envolvidos numa guerra espiritual. Na realidade, conscientes da atuação dos demônios. As pessoas que estão lá fora, no mundo, estão debaixo do poder deles e a Igreja tem que ter consciência disso. Em segundo lugar, mais do que em qualquer outro momento da sua história, a Igreja deve fincar os pés na Escritura e fazer da Escritura o seu manual prático. Aquilo que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora da nossa vida, da nossa Igreja e da nossa prática de ministério. A chamada da Igreja, a essa altura, é para a suficiência da Escritura, e todas as nossas práticas devem passar por esse crivo. A nossa oração a Deus, o nosso desejo é que nos Seminários, na Igreja evangélica brasileira, tomemos uma posição de firmeza sem negar a realidade dessas coisas, combatendo-as biblicamente, tomando toda a armadura de Deus que nos é concedida em Cristo. Que Ele nos abençoe!

 *O Rev. Augustus Nicodemus Gomes Lopes é pastor presbiteriano, tem mestrado em Novo Testamento pela Potschefstroom University for Christian Higher Education, na África do Sul, e doutorado em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Westminster Theological Seminary, Filadélfia, USA. Atualmente é coordenador do Departamento de Novo Testamento do Centro de Pós-Graduação Andrew A. Jumper, em São Paulo.

O que realmente é bonito ?

A beleza verdadeira não é egocêntrica.

1 Timóteo 2:9-10

“Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.”

 A beleza verdadeira encontra-se no Senhor.