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HARPA CRISTÃ – Resumo Histórico

A Harpa Cristã o hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil

Eusébio de Cesaréia (260-340) é considerado, com justa razão, o pai da História da Igreja Cristã. O que poucos estudiosos sabem é que ele foi também um grande apreciador da verdadeira música sacra. Embora vivesse num período em que esta apenas ensaiava seus primeiros passos, pôde Eusébio externar-se muito emocionado:

Nós cantamos o louvor de Deus com saltério vivo. Porque mais agradável e caro a Deus do que qualquer instrumento é a harmonia da totalidade do povo cristão. Nessa cítara é a totalidade do corpo, por cujo movimento e ação a alma canta hinos adequados a Deus, e nosso salteio de dez cordas é a veneração do Espírito Santo pelos cinco sentidos do corpo e as cinco virtudes do espírito.

Nós, pentecostais, também temos o nosso saltério; a Harpa Cristã . Ao longo dessas décadas de avivamento e visitações contínuas ao cenáculo, vimos caracterizando-nos como uma fervorosa comunidade de adoração. E não foi sem motivo que os pioneiros oficiais houveram por bem denominar nosso hinário oficial de Harpa Cristã . Vejamos, pois, a natureza e a formação de nosso hinário.

I. O QUE É A HARPA CRISTÃ

A Harpa Cristã é o hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil. Ela foi especialmente organizada com o objetivo de enlevar o cântico congregacional e proporcionar o louvor a Deus nas diversas liturgias da igreja: culto público, santa ceia, batismo, casamento, apresentação de crianças, funeral, etc.

A sua primeira finalidade é transformar nossas igrejas e congregações em comunidades de perfeita adoração ao Único e Verdadeiro Deus. Não pode haver igreja sem louvor.

II. O INÍCIO DO CÂNTICO CONGREGACIONAL DA ASSEMBLEIA DEUS NO BRASIL

Em seus primórdios, a Assembleia de Deus usava os Salmos e Hinos , que também era utilizado por diversas igrejas evangélicas históricas. Mas em virtude de nossas peculiaridades doutrinárias, os pioneiros sentiram a necessidade de um hinário que também enfocasse as doutrinas pentecostais.

III. O CANTOR PENTECOSTAL

Em virtude dessa premência, foi lançado em 1921, o Cantor Pentecostal . Impresso pela tipografia Guajarina, sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho, tinha o pequeno hinário 44 hinos e 10 corinhos.

O Cantor Pentecostal foi distribuído pela Assembleia de Deus de Belém, PA, que, naquela época, achava-se localizada na Travessa 9 de janeiro, 75.

IV. O SURGIMENTO DA HARPA CRISTÃ

Em 1922, foi lançada em Recife, PE, a primeira edição da Harpa Cristã, que viria a se tornar no hinário oficial das Assembleias de Deus. Sob a orientação editorial do Pastor Adriano Nobre, teve uma tiragem inicial de mil exemplares, e foi distribuída para todo o Brasil pelo missionário Samuel Nyström.

A segunda edição da Harpa Cristã , já como 300 hinos, foi impressa nas Oficinas Irmãos Pangeti, no Rio de Janeiro, em 1923. Já em 1932, tinha a Harpa Cristã 400 hinos.

V. A ELABORAÇÃO DOS HINOS

Na elaboração de nossos hinos, muito contribuiu o missionário Samuel Nyström. Como não tivesse perfeito conhecimento da língua portuguesa, ele traduziu, literalmente, diversas letras da riquíssima hinódia escandinava. Para que os poemas fossem adaptados às suas respectivas músicas, foi necessário que o Pastor Paulo Leivas Macalão empreendesse semelhante tarefa. Por isso, tornou-se o Pastor Macalão no principal elaborador e adaptador de nosso hinário oficial.

VI. A HARPA CRISTÃ COMO LETRA E MÚSICA

Em 1937, a Convenção Geral das Assembleias de Deus, reunida em São Paulo , nomeou uma comissão para editar e imprimir a primeira Harpa Cristã com música. Desta comissão faziam parte: Emílio Conde, Samuel Nyström, Paulo Leivas Macalão, João Sorhein e Nils Kastiberg. Neste empreendimento, também tomou parte ativa o Dr. Carlos Brito,

VII. A HARPA CRISTÃ COM 524 HINOS

Com o passar dos tempos, outros hinos foram sendo acrescentados até que o nosso hinário oficial atingisse 524 hinos. Número esse que, durante várias décadas, caracterizou a Harpa Cristã.

Até 1981, quase todos os hinos da Harpa Cristã já haviam sido revisados. Os mais altos foram transpostos para tons mais acessíveis ao cântico congregacional.

VIII. A HARPA CRISTÃ ATUALIZADA

Em 1979, mediante proposta apresentada pelo Pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da CPAD, cumprindo resolução da Assembleia Geral da CGADB reunida em Porto Alegre , naquele ano, nomeou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã.

A comissão era formada pelos seguintes Pastores: Paulo Leivas Macalão, Túlio Barros Ferreira, Nicodemos José Loureiro, Antonio Gilberto, e João Pereira. Nesta empreitada, também tomou parte ativa o Pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados: João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras.

Lançada em 1992, a Harpa Cristã Atualizada foi aceita em muitas igrejas, mas a maioria optou por ficar com a Harpa Tradicional. De qualquer forma, a experiência serviu para rever a hinódia pentecostal, tornando-a mais viva e participativa em nossas reuniões.

IX. A HARPA CRISTÃ AMPLIADA

Tendo em vista as necessidades de nossa igreja, a CPAD, sob a direção executiva de Ronaldo Rodrigues de Souza, compreendeu ser urgente a ampliação da Harpa Cristã tradicional. E, sim, foram acrescentados mais 116 hinos a fim de atender a todas as exigências cerimoniais e litúrgicas da igreja.

A Harpa Cristã Ampliada , lançada em 1999, com 640 hinos, representa mais um avanço da já riquíssima hinódia pentecostal.

CONCLUSÃO

A Harpa Cristã é o hinário oficial das Assembleias de Deus com 640 hinos que são entoados nos cultos congregacionais. A primeira versão conhecida com letra e musica data de 1929 com originais manuscritos e copiada em processo mimeográfico.

Em 1941 teve sua primeira edição impressa, tendo participado deste trabalho os irmãos Samuel Nyström, Paulo Macalão, Jahn Sorheim e Nils Katsberg.

Em Janeiro de 1999 a CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus, publicou a Harpa Cristã, Revisada e Ampliada com 640 hinos.

Rogamos a Deus, pois, para que a Harpa Cristã continue a levar o Evangelho de Cristo e o avivamento a todos os cantos de nosso país. Cantando também se evangeliza. Cantando também se promove o avivamento. Não foi o que fizeram nossos pioneiros?

PS : Existem hoje, no Brasil, diversas denominações evangélicas, de cunho pentecostal, que utilizam o nosso hinário. Essas igrejas, muitas delas neo-pentecostais, tem encontrado em nosso cancioneiro não somente a melodia, mas também a mensagem que faz a diferença no mundo espiritual.

Abaixo, os diversos modelos de Harpa Cristã, editadas pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus no Brasil – CPAD. Organizada com objetivo de elevar o cântico congregacional e proporcionar um melhor louvor a Deus, a Harpa Cristã, com um total de 640 hinos, representa mais um avanço que auxiliará na divulgação do evangelho através do louvor a Deus. Além das Harpa Cristã , edições variadas, há também as publicadas junto com as diversas Bíblias, de cores e tamanho variados, agradando a todo o tipo de faixa etária incluídos de nossas igrejas.

Harpa Cristã com Música Mi Bemol

Esta harpa é para instrumentos de sopro que são do tom de Mi bemol: Requinta, Sax Alto, Tuba, Clarone Alto, Sax Horn, Genis, Sax Barítono. Da mesma forma que a Harpa em Si Bemol, esta Harpa só tem a clave de Sol, com duas notas somente, a primeira nota é a melodia do hino, a segunda seria a segunda voz do hino, no caso, a voz do contralto. Nesta Harpa, não possui a letra dos hinos e nem Cifras.

Harpa Cristã com Música Si Bemol (Bb)

Esta harpa é para instrumentos de sopro que são do tom de Si Bemol: Trompete, Clarinete, Sax Tenor, Sax Soprano, Barítono, Tuba. Nesta harpa só tem a clave de Sol, com duas notas somente, a primeira nota é a melodia do hino, a segunda seria a segunda voz do hino, no caso, a voz do contralto. Nesta Harpa, não possui a letra dos hinos e nem Cifras.

Texto extraído do Manual da Harpa Cristã, edições CPAD, 1ª edição, 1999, pgs. 11/16.

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Movimento Pentecostal

REFLEXÕES A PROPÓSITO DO SEU PRIMEIRO CENTENÁRIO

Alderi Souza de Matos

Introdução

O moderno movimento pentecostal é considerado por muitos estudiosos o fenômeno mais revolucionário da história do cristianismo no século 20, e talvez um dos mais marcantes de toda a história da igreja. Em relativamente poucas décadas, as igrejas pentecostais reuniram uma imensa quantidade de pessoas em praticamente todos os continentes, totalizando hoje, segundo cálculos de especialistas, cerca de meio bilhão de adeptos ao redor do mundo. Mais do que isso, o pentecostalismo acarretou mudanças profundas no panorama cristão, rompendo com uma série de padrões que caracterizavam as igrejas protestantes há alguns séculos e propondo reinterpretações muitas vezes bastante radicais da teologia, do culto e da experiência religiosa. Exatamente agora, sem que muitos se dêem conta – inclusive muitos pentecostais – esse vasto e influente movimento está completando um século. Rigorosamente falando, o pentecostalismo como um fenômeno distinto surgiu nos últimos anos do século 19 ou nos primeiros do século 20. Todavia, por algum tempo ele se manteve relativamente modesto e circunscrito às fronteiras dos Estados Unidos. Seu crescimento vertiginoso e sua difusão internacional ocorreram a partir do famoso Avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles, que teve início em abril de 1906.

No Brasil, a magnitude do pentecostalismo é evidente a todos os observadores. Há muitos anos esse segmento congrega a maioria dos protestantes. De acordo com o Censo de 2000, dos 26,2 milhões de evangélicos brasileiros, 17,7 milhões são pentecostais (67%).[1] O crescimento vertiginoso que o protestantismo nacional tem experimentado em décadas recentes reflete principalmente o que ocorre nas igrejas pentecostais. Por causa dos seus pressupostos explícitos ou implícitos, esse movimento tem uma notável capacidade de reinventar-se a cada geração, assumindo formas novas e inusitadas. Isso já ocorreu no passado e ocorre novamente agora com o neopentecostalismo, um fenômeno nitidamente brasileiro. Assim como está se tornando comum falar em protestantismos, também se faz cada vez mais necessário falar em pentecostalismos, tal a diversidade do movimento. Outro fenômeno digno de nota – alvissareiro para alguns e inquietante para outros – é a adoção da cosmovisão pentecostal nas igrejas históricas, quer a católica, quer as protestantes, através do chamado movimento carismático ou de renovação.

Por essas e outras razões, é oportuno fazer-se uma nova reflexão sobre esse tema já tão estudado. O enorme crescimento do pentecostalismo e o impacto que tem causado nas igrejas e na sociedade, particularmente no Brasil, tornam necessário um reexame da história e características, bem como das possibilidades e limitações, desse movimento que completa um século de trajetória histórica. A argumentação deste artigo obedecerá a seguinte seqüência: inicialmente será apresentado um panorama dos antecedentes do pentecostalismo e das origens históricas e teológicas desse movimento nos Estados Unidos; em seguida, se fará uma breve síntese da história, evolução e peculiaridades do pentecostalismo brasileiro; por fim, será feita uma avaliação dos problemas e contribuições do movimento, sugerindo-se como as igrejas reformadas devem relacionar-se com ele.

1. Antecedentes na história da igreja

Assim como ocorre em outras religiões, o cristianismo tem, ao longo da sua história, testemunhado muitas vezes em suas fileiras a ocorrência de manifestações de entusiasmo religioso, em especial os movimentos chamados carismáticos. O termo “entusiasmo” (do grego en = “em” e theós = “Deus”) aponta para situações em que as pessoas afirmam receber revelações diretas de Deus, muitas vezes acompanhadas de êxtases místicos, visões e outros fenômenos associados a uma experiência religiosa de grande fervor e intensidade. Por sua vez, a palavra “carismático” lembra os carismas ou dons espirituais mencionados no Novo Testamento, particularmente aqueles extraordinários ou espetaculares, tais como profecias, línguas estranhas, curas e milagres diversos.

O primeiro exemplo dessas manifestações pode ser constatado na igreja de Corinto, nos dias apostólicos. Ao contrário do que parece ter ocorrido nas outras igrejas ligadas aos apóstolos, havia entre os cristãos coríntios um grupo de pessoas com inclinações místicas, que alguns estudiosos denominam os “espirituais”, os quais valorizavam grandemente certas experiências e práticas religiosas, tais como profecias e línguas extáticas, e tinham a tendência de menosprezar os cristãos que não apresentavam as mesmas manifestações.[2] Embora o próprio apóstolo Paulo indique ter tido, ele mesmo, algumas experiências espirituais incomuns, ele se mostra discreto em relação a elas e insiste em não torná-las uma norma para todos os cristãos. Ao mesmo tempo, Paulo demonstra sua preocupação com os excessos e distorções freqüentemente associados a tais práticas, como se pode ver em 1 Coríntios 12–14.

O mais notório movimento carismático do cristianismo antigo foi o montanismo, surgido na Frigia, Ásia Menor, na parte posterior do 2° século (década de 170). Seu fundador, Montano, fez a alegação de ser o porta-voz do Espírito Santo que iria anunciar a volta de Cristo e a descida da Nova Jerusalém. Apelando para visões e profecias, ele e duas discípulas, Priscila e Maximila, exortaram os cristãos a se santificarem como preparação para o final dos tempos. A “Nova Profecia”, como o movimento se autodenominou, desprezou a “igreja católica”, com seus bispos, suas Escrituras e sua tradição nascente, alegando ter uma autoridade vinda diretamente do Espírito Santo. Excluídos da igreja majoritária, os montanistas organizaram-se separadamente, subsistindo por algum tempo. No final da vida, Tertuliano (c.160-c.225), um dos mais brilhantes e influentes teólogos cristãos dos primeiros séculos, nutriu simpatias por esse movimento. Sendo partidário de um cristianismo rigoroso e disciplinado, esse pai da igreja sentiu-se atraído pela moralidade ascética dos adeptos da Nova Profecia.

A experiência negativa com os montanistas e suas atitudes contestadoras fez com que a igreja desestimulasse fortemente as manifestações dos dons espirituais de natureza espetacular e miraculosa, principalmente quando tais dons colocavam em risco a autoridade da igreja e de seus líderes ou sua interpretação da Bíblia. Não obstante, ao longo dos séculos, a mentalidade entusiástica continuou a manifestar-se esporadicamente no seio do cristianismo, dando origem a grupos com diferentes graus de ortodoxia, como os cátaros, os begardos e beguinas, e o apocaliptismo de Joaquim de Fiore, no século 12. No século 16, os reformadores protestantes se defrontaram repetidamente com pessoas e grupos, principalmente anabatistas, que apelavam para revelações diretas de Deus e tendiam a relativizar a importância das Escrituras. Esses indivíduos receberam os epítetos de “entusiastas”, “libertinos”, “fanáticos” e “espiritualistas”, sendo objeto de alguns dos escritos mais contundentes de Lutero, Calvino e outros líderes.[3]

O fato é que o protestantismo, devido à sua insistência em direitos como o livre exame das Escrituras, o sacerdócio de todos os cristãos e a liberdade de expressão e associação, sem querer abriu um espaço para o surgimento dessas manifestações. Desde então, o entusiasmo religioso se tornou um fenômeno relativamente freqüente nas hostes protestantes. Alguns exemplos mais conhecidos foram os quacres ingleses (século 17), com sua ênfase na “luz interior”, os avivamentos dos séculos 18 e 19, tanto na Europa quanto na América do Norte, e o ministério de Edward Irving (século 19), um pastor presbiteriano escocês que trabalhou em Londres e é considerado o precursor do moderno movimento carismático.[4] Apesar dos seus problemas, esses movimentos com freqüência revelavam insatisfações legítimas com a igreja oficial e o desejo de uma espiritualidade mais profunda.

2. Raízes na tradição metodista

O movimento pentecostal surgiu no ambiente religioso altamente dinâmico e volátil dos Estados Unidos no século 19. O cenário religioso das colônias inglesas da América do Norte havia sido relativamente estável até meados do século 18. Todavia, com o passar do tempo as influências do pietismo alemão, do puritanismo e do movimento metodista se somaram para produzir mudanças. Nas décadas de 1730 e 1740, a ocorrência do Primeiro Grande Despertamento trouxe revitalização às igrejas protestantes, mas, ao mesmo tempo, produziu um tipo diferente de cristianismo, mais emocional, mais independente das antigas estruturas e tradições, mais desejoso de novas formas de experimentar o sagrado. Essas ênfases se intensificaram em muito com o surgimento do Segundo Grande Despertamento, ocorrido na região da fronteira oeste durante as primeiras décadas do século 19. Sob a influência de pregadores como Charles G. Finney (1792-1875), houve um progressivo questionamento da teologia reformada tradicional, com seu enfoque na soberania de Deus, e uma ênfase crescente na liberdade, iniciativa, capacidade de decisão e experiência pessoal, em sintonia com a nova cultura americana que então se consolidava.

Desde então, o avivalismo, ou seja, atividades voltadas para a promoção de uma vida espiritual mais intensa e fervorosa, se tornou uma característica permanente do cenário religioso norte-americano. Essa preocupação encontrou as suas expressões mais visíveis nos “camp meetings” (conferências de avivamento) das zonas rurais e nas grandes campanhas evangelísticas urbanas. Essa poderosa efervescência espiritual também resultou no surgimento de um sem número de novos movimentos religiosos, alguns dentro dos limites do protestantismo histórico e outros bastante distanciados do mesmo, como shakers, mórmons e testemunhas de Jeová.

Os estudiosos têm adotado diferentes abordagens na busca de compreender a gênese do pentecostalismo. Em um artigo recente, Leonildo Silveira Campos privilegia o enfoque sociológico, destacando como as peculiaridades culturais e as transformações sociais e econômicas dos Estados Unidos no século 19 contribuíram para a ocorrência do fenômeno.[5] Outros autores têm dado maior ênfase às matrizes teológicas do movimento, acentuando que, apesar de toda a sua especificidade, o pentecostalismo é fruto de desdobramentos doutrinários ocorridos durante quase um século no cenário protestante norte-americano.[6]

Apesar da possibilidade de influências como o puritanismo e o piestismo, a maioria dos autores considera que a origem básica do movimento pentecostal se encontra no metodismo wesleyano, e especificamente na doutrina mais característica de João Wesley: a “inteira santificação” ou “perfeição cristã”, um conceito que ele também descrevia em termos de “a mente de Cristo”, “plena devoção a Deus” ou “amor a Deus e ao próximo”.  Wesley via essa experiência como um alvo a ser buscado ao longo da vida cristã, embora tenha hesitado em concluir se era fundamentalmente um processo ou um evento instantâneo. Um desdobramento significativo ocorreu através do seu sucessor designado, John Fletcher, que começou a descrever a plena santificação como um batismo do Espírito Santo em termos do Pentecoste do Novo Testamento. Ao apontar a diferença entre o seu entendimento e o de Wesley, ele disse o seguinte:

Vocês encontrarão as minhas idéias sobre essa questão nos sermões do Sr. Wesley sobre Perfeição Cristã e sobre o Cristianismo Bíblico, com a seguinte diferença: eu distinguiria mais precisamente entre o crente batizado com o poder pentecostal do Espírito Santo e o crente que, como os apóstolos após a ascensão de nosso Senhor, ainda não está revestido desse poder.[7]

Outra ênfase peculiar de Fletcher, novamente em contraste com Wesley, foi sua divisão da história em três dispensações: do Pai, do Filho e do Espírito Santo, esta última tendo iniciado no Pentecoste e se estendendo até a segunda vinda de Cristo. É significativo que essa perspectiva também passou a ser usada para descrever os estágios de desenvolvimento espiritual pelos quais cada indivíduo devia passar. Em suma, a orientação cristocêntrica, centrada na tradição bíblica paulina e joanina, que era característica de Wesley, passou a ter em Fletcher uma orientação pneumatocêntrica e lucana, com destaque especial ao livro de Atos dos Apóstolos. Todavia, a transição efetiva de uma cosmovisão para a outra somente iria se consumar no contexto norte-americano.[8]

Durante o Segundo Grande Despertamento (primeiras décadas do século 19), o metodismo experimentou um crescimento sem precedentes nos Estados Unidos, só igualado pelos batistas. Mais que a expansão numérica, as idéias e práticas metodistas se infiltraram em muitas outras denominações. Entre essas idéias e práticas podem ser citadas a pregação extemporânea com forte conteúdo emocional, os apelos insistentes seguidos de assistência espiritual aos convertidos ao término das reuniões, a participação de mulheres falando e orando em reuniões para ambos os sexos, e a forte ênfase na teologia arminiana. Em conseqüência disso, os historiadores falam da “arminianização da teologia americana” nesse período, com a resultante rejeição da teologia calvinista. Um dos expoentes dessa teologia foi o mencionado evangelista Charles Finney, de origem presbiteriana.

A partir da década de 1830, a crescente insistência na perfeição cristã resultou em uma cruzada ou avivamento da “santidade” (em inglês “holiness”), que teve como personagem central Phoebe Palmer, esposa de um médico de Nova York. Por muitos anos ela liderou reuniões semanais para a promoção da santidade, publicou um influente periódico e viajou extensamente como evangelista itinerante na América do Norte e na Europa. O tema da santidade saturou a literatura da época, sendo publicadas inúmeras obras sobre o assunto. No Oberlin College, em Ohio, onde Finney era professor de teologia, surgiu o chamado “perfeccionismo de Oberlin”, que dava forte destaque ao ativismo social. O avivamento de 1857-1858, considerado por alguns o Terceiro Grande Despertamento, difundiu de modo especial os ideais dos movimentos de santidade e de perfeição cristã. Desse modo, o contexto avivamentista norte-americano moldou o pensamento metodista em novas direções. Exemplo disso foi a tendência de resolver a tensão wesleyana entre crise e processo mediante uma crescente ênfase no caráter instantâneo da inteira santificação como uma “segunda obra da graça”. A santidade passou a ser vista como o pressuposto e não como o alvo da vida cristã.[9]

Um desdobramento significativo ocorreu quando, nas décadas posteriores à Guerra Civil (1861-1865), o discurso e a simbologia do Pentecoste neotestamentário começaram a dominar cada vez mais o movimento de santidade e suas igrejas. A santidade cristã começou mais e mais a ser entendida em termos do batismo com o Espírito Santo, sendo considerada uma “segunda bênção”, distinta da conversão. Ao mesmo tempo deu-se ênfase crescente ao Pentecoste como o arquétipo dos avivamentos e à importância de resgatar a vitalidade e o poder do cristianismo primitivo. Outros destaques foram as profecias, geralmente no sentido sobrenatural e extático, as curas e os milagres. A hinódia também foi afetada, tendo surgido vários “hinários pentecostais”.

Nessa época, muitas igrejas metodistas e de outras denominações que abraçaram o movimento “holiness” e sua teologia passaram a criar as suas próprias associações. A primeira foi a Associação Nacional Holiness, criada em 1867 em Vineland, Nova Jersey, e a maior delas a Associação Holiness de Iowa, de 1879. Com o passar do tempo, alguns líderes holiness passaram a falar no “batismo com o Espírito Santo e com fogo” como sendo uma terceira experiência na vida cristã, distinta tanto da conversão quanto da plena santificação. Nos últimos anos do século 19, surgiram as primeiras denominações do movimento de santidade: a Igreja de Deus em Cristo (1897), em Lexington, Mississipi, e a Igreja Pentecostal Holiness (1898), em Goldsboro, Carolina do Norte. Ao aproximar-se o século 20, todas essas correntes do movimento de santidade tinham em comum uma mentalidade, linguagem e simbologia “pentecostal”, valorizando altamente a experiência do batismo “com”, “do” ou “no” Espírito Santo narrada em Atos 2. Todavia, ainda faltava um último passo a ser dado nessa evolução doutrinária.

3. Primórdios do movimento pentecostal

No ano de 1900, um pregador metodista influenciado pelo movimento de santidade, Charles Fox Parham (1873-1929), criou um instituto bíblico na cidade de Topeka, Estado do Kansas, na região central dos Estados Unidos. Há cerca de dez anos ele vinha ensinando que a glossolalia – falar em línguas desconhecidas ou estrangeiras – devia acompanhar esse batismo no Espírito Santo tão popular nos círculos holiness. Por algum tempo, ele chegou a acreditar que os crentes receberiam o conhecimento sobrenatural de línguas terrenas para que pudessem rapidamente evangelizar o mundo antes da volta de Cristo. Já havia ocorrido a manifestação de línguas em anos anteriores nos Estados Unidos, assim como em outros períodos da história do cristianismo. A novidade na teologia de Parham é que ele foi o primeiro a considerar o “falar em línguas” como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. Foi essa característica que se tornou a marca distintiva do movimento pentecostal.

No dia 31 de dezembro de 1900, Parham e seus alunos realizaram um culto de vigília em seu instituto bíblico para aguardar a chegada do novo século. Uma evangelista de 30 anos, Agnes Ozman, pediu que lhe impusessem as mãos para que ela recebesse o Espírito Santo a fim de ser missionária no exterior. Ela falou em línguas, fenômeno esse que se repetiu nos dias seguintes com metade das pessoas da escola, inclusive Parham. Nos anos seguintes, Parham deu continuidade ao seu trabalho em várias partes dos Estados Unidos e no Canadá, atraindo milhares de seguidores. Nessa mesma época, ocorreu um movimento semelhante na Grã-Bretanha, que ficou conhecido como “o grande avivamento do País de Gales”. O avivamento galês despertou em muitos o desejo de que um episódio semelhante ocorresse novamente, multiplicando-se as reuniões de oração nesse sentido.[10]

O movimento de Parham recebeu diferentes nomes – fé apostólica, movimento pentecostal ou chuva tardia – todos os quais apontavam para características marcantes da nova cosmovisão. Uma das idéias centrais era o que se denomina “repristinação” ou restauracionismo, isto é, o desejo de voltar aos dias iniciais do cristianismo, aos primeiros tempos da igreja primitiva, idealizados como uma época de maior fervor e plenitude cristã. Associada a isso estava a nova linguagem que dava ênfase ao poder do Espírito, conforme manifesto entre os apóstolos através de sinais e maravilhas. Essa linguagem passou a ser uma distinção importante entre os dois movimentos: enquanto a tradição holiness dava maior destaque à santidade ou santificação, o movimento pentecostal passou a privilegiar o conceito de poder.

O terceiro nome, “chuva tardia”, se tornou especialmente significativo porque por meio dele os pentecostais puderam entender o seu relacionamento tanto com a igreja apostólica quanto com o iminente final dos tempos. Dayton explica a lógica interna do movimento: “O Pentecoste original do Novo Testamento foram as ‘primeiras chuvas’, o derramamento do Espírito que acompanhou a ‘plantação’ da igreja. O pentecostalismo moderno são as ‘últimas chuvas’, o derramamento especial do Espírito que restaura os dons nos últimos dias como parte da preparação para a colheita, o retorno de Cristo em glória”.[11] O mesmo autor observa que a estrutura da “chuva tardia” transforma o maior problema apologético do pentecostalismo – sua descontinuidade com as formas clássicas do cristianismo – em um valioso recurso apologético: “A longa estiagem desde o período pós-apostólico até o tempo presente é vista como parte do plano dispensacional de Deus para as eras”.[12] Em suma, o pentecostalismo foi entendido pelos seus primeiros simpatizantes como o derramamento final do Espírito de Deus que iria preparar a igreja para o derradeiro esforço pela evangelização do mundo antes da volta do Senhor.

3.1 O Avivamento da Rua Azusa

Em 1905, Charles Parham mudou-se para o Texas e iniciou uma escola bíblica em Houston. Um dos estudantes atraídos por essa escola foi um ex-garçom negro e pregador holiness, William Joseph Seymour (1870-1922).[13] Era o período da discriminação racial no sul dos Estados Unidos e Parham era simpatizante desse sistema. Seymour assistia às aulas sentado em uma cadeira no corredor ao lado da sala. Algumas semanas mais tarde, ele recebeu o convite para visitar um pequeno grupo batista em Los Angeles. Esse grupo de afro-americanos, pastoreado por uma mulher, Julia Hutchins, havia sido expulso de sua igreja por esposar doutrinas holiness. Seymour, então com trinta e cinco anos, era filho de escravos, tinha pouca cultura, limitados dotes de oratória e era cego de um olho. Escolheu o texto de Atos 2.4 para o seu primeiro sermão em Los Angeles, embora ele mesmo nunca tivesse falado em línguas. A pastora não gostou do seu ensino, mas ele, acompanhado por boa parte do grupo, passou a fazer as reuniões na casa onde estava hospedado. Quando esta se tornou pequena, foram para outra um pouco maior, na Rua Bonnie Brae, onde o avivamento começou no dia 9 de abril de 1906.[14]

Com o passar dos dias, várias pessoas começaram a falar em línguas, primeiro negros, depois brancos, e finalmente o próprio Seymour teve essa tão-sonhada experiência (12 de abril). Nesse mesmo dia, a varanda da frente dessa residência desabou devido ao peso da multidão. Com isso, os líderes alugaram um rústico edifício de madeira na Rua Azusa, perto do centro de Los Angeles. Esse prédio havia abrigado uma igreja metodista negra e posteriormente tinha sido usado como cortiço e estábulo. Imediatamente as reuniões atraíram a atenção da imprensa. O principal jornal da cidade mandou um repórter ao local e este escreveu ridicularizando os fenômenos presenciados. Esse artigo, intitulado “Estranha babel de línguas”, foi publicado no mesmo dia em que um terremoto seguido de um incêndio destruiu a cidade de San Francisco (18 de abril de 1906), no norte na Califórnia. O artigo funcionou como propaganda gratuita e logo em seguida ocorreu o Avivamento da Rua Azusa.

As reuniões eram eletrizantes e barulhentas. Começavam às 10 horas da manhã e prosseguiam por pelo menos doze horas, muitas vezes terminando às 2 ou 3 da madrugada seguinte. Não havia hinários, liturgia ou ordem de culto. Os homens gritavam e saltavam através do salão; as mulheres dançavam e cantavam. Algumas pessoas entravam em transe e caiam prostradas. Até setembro, 13.000 pessoas passaram pelo local e ouviram a nova mensagem pentecostal. Um bom número de pastores respeitáveis foi investigar o que estava ocorrendo e muitos deles acabaram se rendendo ao que presenciaram.

Uma característica marcante dessas primeiras reuniões foi o seu caráter multi-racial, com a participação de negros, brancos, hispanos, asiáticos e imigrantes europeus. A liderança era dividida entre negros e brancos, homens e mulheres. Um artigo do jornal A Fé Apostólica, fundado por Seymour, dizia no número de novembro de 1906: “Nenhum instrumento que Deus possa usar é rejeitado por motivo de cor, vestuário ou falta de cultura”. Outro artigo informava que em um culto de comunhão que durou toda a noite havia pessoas de mais de vinte nacionalidades. Uma frase comum na época dizia que “a linha divisória da cor havia sido lavada pelo sangue”. Diante da longa e terrível história de racismo e segregação nos Estados Unidos, esse fato só podia deixar encantados os participantes e observadores do avivamento, que viam nisso mais uma prova de que o movimento vinha de Deus.

Todavia, desde o início também houve uma série de problemas: médiuns espíritas tentavam realizar sessões durante os cultos; enquanto muitas pessoas sentiam a presença de Deus, outras ficavam no fundo do salão discutindo e condenando; havia muitas críticas de jornais e de líderes eclesiásticos. Houve também algumas crises internas: choques de personalidade, fanatismo, divergências doutrinárias e separação racial. Com o passar do tempo, Seymour e outros líderes negros acabaram assumindo o controle da missão, excluindo os brancos e os hispanos. O próprio Parham visitou o local em outubro de 1906 e ficou chocado com certas manifestações que presenciou.[15]

Após cerca de três anos de reuniões diárias de alta intensidade, o avivamento entrou em declínio. Depois da morte de Seymour em 1922 e de sua esposa Jennie em 1936, a missão fechou as portas e o edifício foi demolido. Todavia, um novo capítulo na história da igreja havia começado. Há alguns anos foi colocada na praça anexa a esse local histórico uma placa com os seguintes dizeres:

Missão da Rua Azusa – Esta placa comemora o local da Missão da Rua Azusa, que estava localizada na Rua Azusa 312. Formalmente conhecida como Missão da Fé Apostólica, ela serviu como nascedouro do Movimento Pentecostal internacional de 1906 a 1931. O pastor William J. Seymour superintendeu o “Avivamento da Rua Azusa”. Ele pregou uma mensagem de salvação, santidade e poder, recebeu visitantes de todo o mundo, transformou a congregação em um centro multicultural de adoração e comissionou pastores, evangelistas e missionários para levaram ao mundo a mensagem do Pentecoste (Atos 2.1-41). Hoje os membros da Movimento Pentecostal/Carismático totalizam meio bilhão ao redor do mundo. Fevereiro de 1999 – Comissão Memorial da Rua Azusa.[16]

Portanto, o movimento pentecostal tem dois fundadores: Charles Parham e William Seymour. Parham foi o primeiro a fazer a afirmação fundamental de que o falar em línguas era a evidência visível e bíblica do batismo com o Espírito Santo. A importância de Seymour, o discípulo de Parham, reside no fato de que sob sua liderança, através do Avivamento da Rua Azusa, o pentecostalismo se tornou um fenômeno internacional e mundial a partir de 1906. Nos Estados Unidos, as primeiras denominações pentecostais foram, entre outras: a Igreja de Deus de Camp Creek (Carolina do Norte), a Igreja de Deus de Cleveland (Tennessee), a Igreja da Fé Apostólica (Portland, Oregon) e as Assembléias de Deus (Hot Springs, Arkansas). Um líder extremamente importante foi William H. Durham, de Chicago, cidade que teve grande influência na internacionalização do movimento.

3.2 Controvérsias

Desde o início o movimento pentecostal foi muito diversificado, apresentando uma grande variedade de manifestações e ênfases. Isso não é de admirar, visto que o pentecostalismo, por sua própria natureza, podia, a partir das premissas básicas, assumir um grande número de configurações, motivadas principalmente pelos muitos líderes independentes que iam surgindo. Portanto, quase desde o início uma série de controvérsias abalaram o movimento:[17]

3.2.1 A “obra consumada”

Essa controvérsia foi a primeira ruptura na família pentecostal. Segundo a visão tradicional do movimento holiness e dos primeiros pentecostais, inspirados por João Wesley, existia uma experiência instantânea de “inteira santificação” ou “perfeição cristã”, separada da experiência da conversão. Era chamada a “segunda bênção”, sendo considerada uma preparação necessária para uma terceira experiência, o batismo com o Espírito Santo (a nova experiência pentecostal). Em 1910, William H. Durham, pastor da Missão da Avenida Norte, em Chicago, questionou essas idéias, insistindo no que ele denominou a “obra consumada no Calvário”, ou seja, o fato de que a obra de Cristo na cruz era suficiente tanto para a salvação quanto para a santificação. Os pentecostais da obra consumada passaram a entender a santificação como um processo gradual. Em 1915, essa já era a posição preferida de aproximadamente metade dos pentecostais americanos, e hoje da maioria deles.

3.2.2 A questão racial

Como foi visto, o Avivamento da Rua Azusa uniu negros e brancos, tornando-se, nos seus primeiros anos, um modelo de cooperação inter-racial. Em 1910, destacados líderes pentecostais brancos e negros se esforçavam para tornar essa visão inter-racial um elemento básico do pentecostalismo. Com o tempo, muitos líderes brancos acharam difícil manter esse impulso inicial. O racismo e as leis de segregação racial do sul dos Estados Unidos (leis Jim Crow) prevaleceram. Ficou difícil realizar convenções multi-raciais, pois havia leis proibindo reuniões desse tipo e acomodações em hotéis para ambas as raças. Por causa dos obstáculos culturais, sociais e institucionais, muitas igrejas negras começaram a se retirar de denominações multi-raciais já em 1908. Da mesma maneira, uma associação branca ligada à Igreja de Deus em Cristo formou as Assembléias de Deus como uma denominação predominantemente branca em 1914 (Hot Springs, Arkansas). Em 1924, a maior parte das igrejas brancas de outra denominação mista, as Assembléias Pentecostais do Mundo, se retiraram para criar uma denominação branca, que mais tarde veio a ter o nome de Igreja Pentecostal Unida (Missouri). Os pentecostais hispanos, muito numerosos, também se organizaram separadamente. Desde o final dos anos 60, as denominações pentecostais têm tentado sanar algumas dessas divisões.

3.2.3 O movimento da unicidade

Em 1913, numa concentração na Califórnia, o pastor canadense Robert Edward McAlister começou a insistir no fato de que o Novo Testamento mostra os apóstolos batizando somente “em nome de Jesus”.[18] Essa prática começou a ser adotada por muitos pentecostais através do país. No início parecia apenas uma nova fórmula para o batismo, mas com o tempo verificou-se que era uma rejeição da doutrina da Trindade com sua tríplice distinção de pessoas, constituindo uma reedição do monarquianismo modalista ou sabelianiamo dos primeiros séculos da história da igreja. Em 1916, as Assembléias de Deus condenaram formalmente as posições do movimento de unicidade ou “Jesus somente”. Seus adeptos tiveram de desligar-se e formaram as suas próprias denominações – as Assembléias Pentecostais do Mundo 1919) e mais tarde a Igreja Pentecostal Unida (1945). Hoje esse grupo representa uma fração muito pequena do pentecostalismo mundial.

3.2.4 Pacifismo

A maior parte dos primeiros pentecostais eram resolutos pacifistas, por duas razões: obediência a preceitos bíblicos como “Amai os vossos inimigos” e “Não matarás”, e a crença pré-milenista no fim do mundo. Se o final dos tempos estava próximo, os cristãos deviam concentrar todas as suas energias na evangelização do mundo, e não em guerras. Portanto, a maioria das igrejas pentecostais se posicionou contra o envolvimento dos Estados Unidos na I Guerra Mundial e alguns líderes chegaram a ser presos. Na época da II Guerra Mundial, eles já haviam assumido uma posição cultural mais semelhante aos evangélicos, aprovando a legitimidade de envolvimento americano na guerra. Por fim, na Guerra do Vietnã muitos já haviam se tornado antipacifistas.

3.2.5 Manipuladores de serpentes

Num domingo de 1910, George W. Hensley, um pregador do Tennessee, falou sobre o texto de Marcos 16.17-18. Ao concluir o sermão, ele tirou uma grande cascavel de dentro de uma caixa e segurou-a com as mãos por vários minutos. A seguir, ordenou que sua congregação fizesse o mesmo. Sua fama se espalhou pela região e ele foi ordenado na Igreja de Deus. Hensley teve uma vida cheia de altos e baixos, inclusive com quatro casamentos, mas continuou a manipular serpentes até o fim, sendo mordido várias vezes. Essa prática acabou proibida por lei e por isso esse líder e seus seguidores foram presos muitas vezes. No dia 24 de julho de 1955, Hensley foi picado mais uma vez. Como nas outras ocasiões, recusou-se a receber tratamento médico e na manhã seguinte estava morto, aos 75 anos de idade. Hoje cerca de 2.500 pentecostais americanos praticam o manuseio de serpentes em igrejas autônomas muito conservadoras.

3.2.6 Os latinos

Os latinos, principalmente mexicanos e chicanos (americanos de origem mexicana), estiveram presentes no Avivamento da Rua Azusa desde o início. Por razões não inteiramente claras, Seymour os expulsou da missão em 1909. Esse conflito deu origem ao movimento pentecostal latino, que se difundiu através dos Estados Unidos, México e Porto Rico. Em 1912, eles criaram as suas próprias igrejas autônomas e independentes na Califórnia, Texas e Havaí. Um dos líderes iniciais mais influentes foi o evangelista Francisco Olazábal, apelidado “El Azteca”. Até recentemente os latinos eram conhecidos como os “pentecostais silenciosos”, porque sua história raramente era contada. Esse segmento tem desfeito o estereótipo de que ser latino é o mesmo que ser católico romano. Em 1998, cerca de um milhão de latinos freqüentavam 10.000 igrejas e grupos de oração em 40 tradições pentecostais e carismáticas nos Estados Unidos e em Porto Rico, sem contar o número muito maior de pentecostais existentes em muitos países latino-americanos.

3.3 Mulheres

Outra característica do movimento pentecostal nos seus primórdios foi a grande participação e visibilidade dada às mulheres. Dois exemplos notáveis são Maria Beulah Woodworth-Etter e Aimee Semple McPherson, esta última a fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular.

3.3.1 Maria Woodworth-Etter (1844-1924)

Essa famosa pregadora teve uma vida difícil até os 35 anos. Cinco de seus seis filhos morreram e o seu primeiro marido foi surpreendido em adultério. Em aflição, ela uniu-se aos quacres e tornou-se uma pregadora avivalista. Nos seus cultos, as pessoas clamavam e choravam em alta voz; muitos participantes entravam em transe ou tinham visões que podiam durar várias horas. Em 1912, aos 68 anos, ela abraçou o movimento pentecostal mais amplo ao pregar por seis meses em Dallas. Tornou-se uma das evangelistas pentecostais mais conhecidas do início do século e o seu ministério possibilitou o surgimento posterior de outras mulheres pregadoras e ministradoras de curas.[19]

3.3.2 Aimee Semple McPherson (1890-1944)

Originalmente de sobrenome Kennedy, Aimee nasceu em Ontário, no Canadá. Seu pai era metodista e a mãe, do Exército de Salvação. Quando adolescente, conheceu o pentecostalismo através das pregações de Robert Semple, com quem se casou aos 17 anos. Ele morreu dois anos depois, em Hong Kong, quando o casal iniciava uma carreira missionária. Voltando para casa, ela contraiu matrimônio com o homem de negócios Harold McPherson e eles se tornaram evangelistas itinerantes (depois que ela quase morreu de apendicite em 1913). Em 1917, Aimee passou a publicar a revista mensal The Bridal Call (“O chamado do noivo”) e começou a atrair a atenção da imprensa. Depois que o marido pediu divórcio, ela aceitou em 1918 um convite para pregar em Los Angeles. Dedicou as suas energias à recuperação do “cristianismo da Bíblia”, usando como tema Hebreus 13.8. Em 1919, iniciou uma série de conferências que a tornaram famosa. Dentro de um ano, os maiores auditórios dos Estados Unidos não comportavam as multidões que queriam ouvi-la. As orações pelos enfermos tornaram-se marcas de suas campanhas. Em rápida sucessão, ela foi à Austrália, a primeira de suas viagens ao exterior (1922), consagrou o Templo Ângelus (1923), fundou uma estação de rádio (1924) e sua escola bíblica mudou-se para uma sede própria (1925). “Sister”, como era chamada, também iniciou projetos na área social em diversas cidades.

Em maio de 1926 começaram os problemas. Aimee alegou que foi seqüestrada e que teria conseguido escapar, algo que nunca foi devidamente esclarecido. Ela enfrentou sérios problemas de saúde na maior parte da década de 1930. Um desastroso terceiro casamento durou menos de dois anos. Sua realização pública mais notável nos anos 30 foi um programa social no Templo Ângelus que distribuiu alimentos, roupas e outros donativos a muitas famílias carentes. Durante a Depressão, o refeitório ofereceu 80.000 refeições só nos dois primeiros meses. Sua contribuição mais importante e duradoura foi a criação da Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular (1927), cujo nome aponta para Cristo como aquele que salva, cura, batiza como Espírito Santo e virá outra vez.[20] Donald Dayton argumenta que essas quatro ênfases em conjunto caracterizam e distinguem o movimento pentecostal como um todo.[21] É aquilo que se denomina o “evangelho pleno”.

4. O pentecostalismo no Brasil

A partir de Los Angeles, e especialmente de Chicago, o pentecostalismo rapidamente se irradiou para vários outros países. O movimento entrou cedo na América Latina, primeiro no Chile (1909) e logo em seguida no Brasil (1910). No início o crescimento nesses e em outros países foi lento, mas se intensificou a partir da década de 50. Desde os anos 70, o pentecostalismo também se expandiu na América Central, especialmente na Guatemala e El Salvador, onde representa respectivamente 30% e 20% da população. No Chile, cerca de  80% dos protestantes são pentecostais. Nesse país, o pentecostalismo marcou a nacionalização do protestantismo. São muitas as razões da expansão pentecostal na América Latina: as vicissitudes históricas da obra evangelística e pastoral católica, o limitado trabalho das denominações protestantes, o misticismo das culturas ibero-americanas, os graves problemas econômicos, políticos e sociais.

A primeira manifestação de entusiasmo religioso no protestantismo brasileiro é atribuída por Émile Léonard ao movimento liderado por Miguel Vieira Ferreira (1837-1895).[22] Esse engenheiro, presbítero e pregador leigo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, membro de uma família aristocrática de São Luís do Maranhão, acreditava que Deus ainda se revelava diretamente às pessoas, como nos tempos bíblicos. Dotado de um temperamento místico, certa vez teve uma espécie de transe, ficando totalmente imóvel por longo período de tempo. Disciplinado pela igreja por insistir nas suas idéias, o Dr. Miguel retirou-se com um grupo de crentes, a maior parte parentes seus, e criou a Igreja Evangélica Brasileira (1879), que subsiste até hoje. Todavia, esse grupo é diferente em vários aspectos do movimento pentecostal surgido algumas décadas mais tarde.[23]

O sociólogo Paul Freston fala sobre “três ondas” ou fases de implantação do pentecostalismo no Brasil.[24] A primeira onda, ainda nos primeiros anos do movimento pentecostal norte-americano, trouxe para o país duas igrejas: a Congregação Cristã no Brasil (1910) e as Assembléias de Deus (1911). Essas igrejas dominaram amplamente o campo pentecostal durante quarenta anos. A Assembléia de Deus foi a que mais se expandiu, tanto numérica quanto geograficamente. A Congregação Cristã, após um período em que ficou limitada à comunidade italiana, sentiu a necessidade de assegurar sua sobrevivência por meio do trabalho entre os brasileiros. É interessante o fato de que, quando chegaram os primeiros pentecostais, todas as denominações históricas já haviam se implantado no país: anglicanos, luteranos, congregacionais, presbiterianos, metodistas, batistas e episcopais. Todavia, o seu crescimento havia sido modesto. Em 1931, fazendo um levantamento sobre o protestantismo nacional, Erasmo Braga ironicamente dedicou apenas umas poucas linhas à Assembléia de Deus e nem se referiu à Congregação Cristã no Brasil.[25]

A segunda onda pentecostal ocorreu na década de 50 e início dos anos 60, quando houve uma fragmentação do campo pentecostal e surgiram, entre muitos outros, três grandes grupos ainda ligados ao pentecostalismo clássico: Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo (1955) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962), todas voltadas de modo especial para a cura divina. Essa segunda onda coincidiu com o aumento do processo de urbanização do país e o crescimento acelerado das grandes cidades. Freston argumenta que o estopim dessa nova fase foi a chegada da Igreja Quadrangular com os seus métodos arrojados, forjados no berço dos modernos meios de comunicação de massa, a Califórnia.[26] Esse período revela uma tendência digna de nota – a crescente nacionalização do pentecostalismo brasileiro. Enquanto que a Igreja Quadrangular ainda veio dos Estados Unidos, as outras duas surgidas na mesma época tiveram raízes integralmente brasileiras.

A terceira onda histórica do pentecostalismo brasileiro começou no final dos anos 70 e ganhou força na década de 80, com o surgimento das igrejas denominadas “neopentecostais”, com sua forte ênfase na teologia da prosperidade. Sua representante máxima é a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), mas existem outros grupos significativos como a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), Igreja Renascer em Cristo, Comunidade Sara Nossa Terra, Igreja Paz e Vida, Comunidades Evangélicas e muitas outras. Assim como a ênfase da primeira onda foi o batismo com o Espírito Santo e o conseqüente falar em línguas, a da segunda onda foi a cura e a da terceira, o exorcismo e mensagem da prosperidade. Uma importante precursora dos grupos neopentecostais foi a Igreja de Nova Vida, fundada pelo canadense “bispo” Robert McAllister, que rompeu com a Assembléia de Deus em 1960. Essa igreja foi pioneira de um pentecostalismo de classe média, menos legalista, e investiu muito na mídia. Foi também a primeira igreja pentecostal a adotar o episcopado no Brasil. Sua maior contribuição foi o treinamento de futuros líderes como Edir Macedo e seu cunhado Romildo R. Soares.[27]

Outros grupos pentecostais e neopentecostais brasileiros resultaram da chamada “renovação carismática”. Esse movimento surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 60, com a ocorrência de fenômenos pentecostais nas igrejas protestantes históricas e também na Igreja Católica Romana.[28] No Brasil, a “renovação” produziu divisões em quase todas as denominações mais antigas, com o surgimento de grupos como a Igreja Batista Nacional, a Igreja Metodista Wesleyana e a Igreja Presbiteriana Renovada. Essa adoção de crenças e práticas carismáticas, principalmente na área do culto, continua afetando em maior ou menor grau as denominações tradicionais até hoje. A esta altura, é oportuno considerar alguns representantes significativos do pentecostalismo brasileiro.

4.1 Congregação Cristã no Brasil

As duas igrejas pioneiras do pentecostalismo brasileiro tiveram sua origem em Chicago, através do ministério de William H. Durham (1873-1912), que fundou em 1907 a Missão da Avenida Norte (North Avenue Mission). Um dos seus discípulos foi o italiano Luigi Francescon (1866-1964), que havia emigrado para os Estados Unidos em 1890. Em Chicago, ele se converteu ao evangelho e foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Italiana daquela cidade. Em 1903, foi batizado por imersão e passou a reunir-se com um grupo holiness, até descobrir a mensagem pentecostal na igreja do pastor Durham. Foi batizado com o Espírito Santo em 1907 e recebeu uma profecia de Durham para que levasse a mensagem pentecostal aos seus patrícios. Em 1909 ele e Giacomo Lombardi foram a Buenos Aires, onde abriram uma igreja. No início do ano seguinte, Francescon visitou São Paulo e a pequena Santo Antônio da Platina, no Paraná. Numa segunda visita, em junho de 1910, ele criou a Congregação Cristã, que resultou em parte de um cisma na Igreja Presbiteriana do Brás, constituída em boa parte de italianos. O fundador nunca chegou a residir no Brasil, mas fez onze visitas entre 1910 e 1948, totalizando uma estada de quase dez anos.

Em 1930, a Congregação Cristã tinha sete membros para cada três da Assembléia de Deus; todavia, em fins dos anos 40 foi ultrapassada pela sua rival. No ano 2000, de acordo com o censo oficial, ela estava com pouco menos de um terço dos membros da Assembléia de Deus, ou seja, cerca de 2,8 milhões de adeptos. A Congregação Cristã tem a maior parte dos seus templos em São Paulo e em cidades do interior de outros estados. Entre as suas peculiaridades está a rejeição dos modernos métodos de divulgação, restringindo a pregação da sua mensagem aos locais de culto. Possui fortes elementos sectários, não se considerando uma igreja protestante e não mantendo ligações com outros grupos.

Seu ethos caracteriza-se por um rígido dualismo igreja-mundo e espírito-matéria, e, no entanto, não pratica o legalismo de outros pentecostais. Destaca-se pelo “iluminismo” religioso, apelando para revelações diretas de Deus no que diz respeito às mensagens nos cultos e a decisões tomadas pela liderança. Suas reuniões, bastante ordeiras em comparação com as de outros grupos pentecostais, dão forte ênfase aos “testemunhos”. A igreja pratica uma forte cultura de ajuda mútua, denominada “obra de piedade”. No plano administrativo, rejeita o excesso de organização, tem uma burocracia mínima, e não conta com pastores, e sim com anciãos não-remunerados. A liderança é baseada na antiguidade mais do que no carisma ou competência. Seus líderes são praticamente anônimos e essa ausência de personalismo resulta numa tendência mínima para cismas e ambições políticas. A homogeneidade interna do grupo é fortalecida pelo constante contato entre os crentes de diferentes cidades e por uma convenção anual realizada no Brás, na Semana Santa. Com as suas características inusitadas, a Congregação Cristã no Brasil exemplifica o dinamismo e a diversidade do movimento pentecostal.[29]

4.2 Assembléia de Deus

Essa igreja, que veio a ser tornar a maior denominação pentecostal e evangélica do Brasil, bem como uma das maiores do mundo, também teve as suas raízes em Chicago, a cidade norte-americana onde o pentecostalismo mais cresceu nos primeiros tempos e na qual 75% da população era constituída de imigrantes ou filhos de imigrantes. Entre estes estavam dois suecos de origem batista: Gunnar Vingren (1879-1933) e Daniel Berg (1885-1963). Vingren, filho de um jardineiro, foi para os Estados Unidos em 1903 e estudou no seminário da igreja batista sueca em Chicago. Em seguida, pastoreou algumas igrejas e abraçou o pentecostalismo, época em que conheceu o colega Daniel Berg. Este era filho de um líder batista e também havia emigrado para os Estados Unidos. Retornando ao seu país em 1908, descobriu que um amigo de infância, Levi Pethrus, havia se tornado pentecostal. Ele seria posteriormente o líder do pentecostalismo sueco. Influenciado por Pethrus, Berg abraçou a fé pentecostal quanto retornava para os Estados Unidos em 1909. Conhecendo Vingren, os dois se uniram pelo ideal missionário. Enquanto oravam com um patrício, este profetizou que deveriam ir para um lugar chamado Pará.[30]

Os dois obreiros fixaram-se em 1911 em Belém do Pará, onde passaram a freqüentar a igreja batista, cujo pastor, Erik Nilsson ou Eurico Nelson, também era sueco. Alguns meses depois, a mensagem pentecostal de Vingren e Berg produziu uma divisão na igreja, surgindo assim o primeiro grupo da nova denominação, que inicialmente foi chamado “Missão de Fé Apostólica”, um dos nomes dos primeiros grupos pentecostais dos Estados Unidos. Só alguns anos mais tarde foi adotado o nome Assembléia de Deus. A partir de 1914, outros missionários suecos começaram a chegar para auxiliar os pioneiros. O auge da presença sueca na Assembléia de Deus ocorreu nos anos 30 e praticamente cessou após 1950. O ano de 1930 foi muito significativo, porque marcou a nacionalização do trabalho. Na primeira Convenção Geral, realizada em Natal, com a presença de 11 suecos e 23 líderes brasileiros, a igreja adquiriu autonomia em relação à missão sueca, que lhe transferiu todas as propriedades. Houve também a virtual transferência da sede nacional de Belém para o Rio de Janeiro. Mais tarde surgiu uma ligação mais estreita com os Estados Unidos, cujos missionários têm exercido influência na área da educação teológica.

Analisando essa trajetória, Paul Freston observa que “os missionários suecos, que tanta influência tiveram nos primeiros quarenta anos da Assembléia de Deus no Brasil, vieram de um país religiosa, social e culturalmente homogêneo, no qual eram marginalizados”.[31] Como membros de uma minoria desprivilegiada, eles tinham poucos recursos financeiros e rejeitavam a ênfase no aprendizado formal, fatores esses que influenciaram a igreja brasileira. Assim, as Assembléias de Deus, bem como outros grupos pentecostais pioneiros, não estabeleceram as relações de dependência que caracterizaram as missões históricas. Nos primeiros quinze anos, a expansão da igreja limitou-se ao norte e nordeste. Todavia, na época da nacionalização, em 1930, já estava presente em vinte estados, contando com cerca de 40.000 congregados.

Quanto às peculiaridades da igreja, Freston aponta para o seu sistema de governo “oligárquico e caudilhesco”, que seria fruto da influência cultural nordestina.[32] Exemplo disso são os diferentes “ministérios”, nem sempre amistosos entre si, e a grande autoridade exercida pelo “pastor presidente”, verdadeiro bispo de uma cidade ou região, sendo essa posição geralmente atingida após uma lenta ascensão. Nas últimas décadas têm ocorrido crises resultantes desse modelo de liderança, do fenômeno da ascensão social dos adeptos e da concorrência com novos grupos pentecostais. A maior crise enfrentada pela igreja foi o cisma que deu origem à Convenção Nacional das Assembléias de Deus de Madureira. Esse ministério havia sido fundado pelo gaúcho Paulo Macalão, filho de um general, que entrou em conflito com os missionários suecos, críticos do seu rigor legalista. Consagrado pastor por Levi Pethrus em 1930, ele se tornou independente e passou a abrir trabalhos em vários estados. As tensões crescentes após sua morte (1982) levaram à exclusão de Madureira pela Convenção Geral (1989), que assim deixou de representar cerca de um terço da Assembléia de Deus no Brasil.

Ao contrário da Congregação Cristã, que não tem literatura própria, a Assembléia de Deus publica desde 1930 um periódico oficial, Mensageiro da Paz, e possui uma editora de grande expressão. A igreja enfrenta forte tensão entre manter a tradição conservadora e populista e aceitar novos valores como a ênfase no aprimoramento intelectual. Freston destaca que a formação cultural ultrapassada faz com que os líderes “percam terreno para grupos pentecostais mais novos, com menos tradições arraigadas para dificultar sua adaptação à moderna cultura urbana brasileira”.[33] Ainda assim, a Assembléia de Deus é um fenômeno impressionante, com os seus mais de 8 milhões de afiliados (quase metade de todos os pentecostais brasileiros), muito mais numerosos que os da congênere americana, com 2 milhões.[34] Com o passar do tempo, essa igreja vem se tornando mais parecida com as outras denominações evangélicas, revelando maior sobriedade no seu culto e uma preocupação crescente com a preparação intelectual e teológica dos seus obreiros.

4.3 Outras igrejas

Alguns outros grupos expressivos no cenário religioso brasileiro, ainda dentro do pentecostalismo clássico, são os seguintes:[35]

 

4.3.1 Igreja do Evangelho Quadrangular

Fundada nos Estados Unidos em 1927 por Aimee Semple McPherson, a Igreja Quadrangular chegou ao Brasil por meio do missionário Harold Williams, um ex-ator de filmes de faroeste, que implantou a primeira igreja em São João da Boa Vista (SP), em novembro de 1951. Em 1953 teve início a Cruzada Nacional de Evangelização, sendo Raymond Boatright o principal evangelista. Desde então essa igreja tem crescido constantemente, sendo uma de suas peculiaridades a forte ênfase dada ao ministério feminino. De todas as grandes igrejas pentecostais brasileiras (1,3 milhão de membros segundo o Censo 2000), esta é a única que pode ser considerada uma filial da congênere norte-americana. Todas as demais surgiram no próprio Brasil, ainda que algumas delas tenham sido iniciadas por fundadores estrangeiros.

4.3.2 Igreja O Brasil Para Cristo

Um dos primeiros pastores da Igreja Quadrangular brasileira foi Manoel de Mello, um ex-evangelista da Assembléia de Deus. Em 1955, ele separou-se da Cruzada Nacional de Evangelização e organizou a campanha “O Brasil Para Cristo”, da qual surgiu a igreja com o mesmo nome. Manoel de Mello surpreendeu o mundo evangélico em 1969 quando filiou sua igreja ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), filiação essa que se estendeu até 1986. Em 1979 a Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo inaugurou o seu enorme templo no bairro da Água Branca, em São Paulo, sendo orador oficial Philip Potter, o secretário-geral do CMI. Curiosamente, entre os presentes estava D. Paulo Evaristo Arns, o cardeal arcebispo de São Paulo.

4.3.3 Igreja Deus é Amor

Essa igreja foi fundada por David Miranda, nascido em 1936, filho de um agricultor do Paraná. Vindo para São Paulo, ele se converteu numa pequena igreja pentecostal e em 1962 iniciou sua própria igreja na Vila Maria. Pouco depois a igreja transferiu-se para o centro da cidade, sendo em 1979 adquirida a “sede mundial” da Baixada do Glicério, onde há poucos anos foi construído um dos maiores templos evangélicos do Brasil. A Igreja Deus é Amor até hoje não utiliza a televisão, mas é proprietária de uma rede de emissoras de rádio e transmite os seus programas para toda a América Latina. Destaca-se como a mais rígida e legalista de todas as igrejas pentecostais. Sua direção continua firmemente nas mãos do missionário fundador.

5. O fenômeno neopentecostal

O acontecimento mais marcante das últimas décadas no âmbito religioso do Brasil foi o surgimento do neopentecostalismo, notadamente sua expressão mais espetacular, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Sendo um fenômeno recente, essa manifestação religiosa ainda está sendo objeto de uma identificação mais precisa, inclusive no aspecto terminológico. Alguns autores falam em “pentecostalismo autônomo”.[36] Já o professor Antonio G. Mendonça utiliza a designação “pentecostalismo de cura divina”, o que pode ser problemático, pois faria o neopentecostalismo retrocedor aos anos 50, com o início da segunda onda pentecostal.[37] Seja qual for a designação, o fato é que essa manifestação representa, ao lado de alguma continuidade, profundas rupturas com o pentecostalismo clássico e muito mais ainda com o protestantismo histórico.

Esse fenômeno ainda em evolução tem como proposta religiosa básica o trinômio cura-exorcismo-prosperidade. Diante das realidades de sofrimento e alienação que caracterizam a sociedade moderna, principalmente nos grandes centros urbanos, essas igrejas oferecem espaços de solidariedade e acolhimento, gerando um forte senso de dignidade entre os seus participantes. Por outro lado, elas revelam uma clara tendência para práticas sincréticas e mágicas, tais como a utilização crescente de objetos e rituais como mediação do sagrado, a adoção do vocabulário e práticas da religiosidade popular brasileira e o uso da Bíblia apenas como um instrumento para a solução de problemas. Mendonça faz a seguinte avaliação contundente:
… essas igrejas não constituem comunidades de crentes comprometidos com a koinonia cristã. Estão sempre cheias, mas de clientes que buscam solução mágica para os problemas do cotidiano e que  estão sempre em trânsito, na maioria das vezes mantendo sua identidade religiosa tradicional. Não são, portanto, igrejas, mas clientela de bens de religião obtidos magicamente.[38]

José Bittencourt Filho tem uma perspectiva mais otimista, que ainda está para ser demonstrada:

O crescimento numérico do [Pentecostalismo Autônomo] e sua extraordinária capacidade de mobilização demonstra que a proposta oferecida está em sintonia com as demandas espirituais da população brasileira de todas as camadas sociais. No futuro, o carisma deverá rotinizar-se, e os remanescentes serão talvez poucas denominações mais próximas da tradição evangélica do que na atualidade.[39]

Esse novo pentecostalismo se adapta muito bem à moderna cultura urbana influenciada pela televisão e pela ética do capitalismo de consumo. Duas expressões emblemáticas são a Igreja Universal do Reino e a Igreja Renascer em Cristo.

5.1 Igreja Universal do Reino de Deus

A IURD foi fundada pelo pastor Edir Macedo, nascido em 1944, que possui uma biografia interessante e reveladora. Filho de um comerciante fluminense, ele trabalhou por dezesseis anos na Loteria do Estado do Rio de Janeiro, período no qual subiu de simples contínuo até um cargo administrativo. De origem católica, ingressou quando adolescente na Igreja de Nova Vida, deixando-a para fundar sua própria, inicialmente denominada Igreja da Bênção. Em 1977, ele deixou o emprego público para dedicar-se integralmente ao trabalho religioso. Nesse mesmo ano surgiu o nome IURD e o primeiro programa de rádio. Em 1980, houve um conflito de liderança entre Macedo e seu cunhado Romildo Soares, o que levou este último a criar a Igreja Internacional da Graça de Deus. Há anos Soares se destaca como o líder religioso que ocupa maior espaço na televisão brasileira.

Macedo residiu nos Estados Unidos de 1986 a 1989. Quando voltou para o Brasil, transferiu a sede da igreja para São Paulo e adquiriu a Rede Record de Televisão. À medida que construía um império econômico e de comunicações, a igreja também se preocupou em buscar sustentação política, elegendo em 1990 três deputados federais, e outros mais em anos posteriores. Em 1992, Macedo esteve preso por doze dias sob a acusação de estelionato, charlatanismo e curandeirismo. Um acontecimento que deu grande publicidade à igreja foi o episódio do “chute na santa”, quando, em um programa de televisão transmitido em 12 de outubro de 1995, o bispo Sérgio von Helde referiu-se de modo desairoso a Maria, dando alguns chutes numa imagem da mesma. Apesar dos percalços, a IURD tem crescido enormemente, sendo, graças à sua presença maciça na mídia e aos seus grandes templos nas principais ruas e avenidas de muitas cidades, a mais visível das igrejas evangélicas brasileiras. Segundo o último censo geral, tinha no ano 2000 pouco mais de 2 milhões de adeptos no Brasil, além de muitos templos no exterior.
Freston entende que “a IURD é uma atualização das possibilidades teológicas, litúrgicas, éticas e estéticas do pentecostalismo”.[40] A ênfase principal da sua mensagem não é o batismo no Espírito Santo e a glossolalia, mas a teologia da prosperidade (na saúde, nas finanças e no amor), como fica explícito em seu slogan “Pare de sofrer; venha para a IURD”. Em conexão com isso, também pratica o exorcismo de modo bastante explícito. Essa igreja rompe com a pobreza simbólica do protestantismo brasileiro, fazendo amplo uso da visão, tato e gestos, bem ao sabor da religiosidade tradicional do país. Embora seja o líder inconteste, Edir Macedo tem um estilo pouco personalista. A organização da igreja facilita o controle centralizado e a constante inovação metodológica. As atividades são governadas por um marketing agressivo e estratégias ousadas. Ao falar sobre a ética dessa igreja, Freston faz uma comparação interessante: “A ética da IURD pode ser contrastada com a da [Assembléia de Deus]. Esta representa a ética tradicional do capitalismo primitivo, uma luta longa e árdua para alcançar a modesta respeitabilidade pequeno-burquesa. A Universal, por outro lado, encarna uma versão religiosa da ética yuppie, o enriquecimento súbito através de jogadas audaciosas”.[41]

5.2 Igreja Apostólica Renascer em Cristo

A Igreja Renascer foi fundada em 1985 pelo “apóstolo” Estevam Hernandes Filho e sua esposa, a “bispa” Sônia Haddad Moraes Hernandes. Como outros líderes pentecostais, Estevam teve uma origem humilde como filho de um jardineiro de cemitério e começou a trabalhar aos 7 anos, fazendo carretos em feiras livres. Mais tarde, desiludido com o catolicismo, filiou-se a uma igreja pentecostal, onde conheceu a futura esposa. Sete anos depois, casaram-se e decidiram fundar sua própria igreja. À semelhança dos pastores da IURD, o casal Hernandes tem grande habilidade em conseguir contribuições dos fiéis. Todavia, ao contrário de Edir Macedo, ostentam com orgulho sinais de riqueza, como roupas caras, jóias e automóveis importados. O casal é proprietário da Rede Gospel de Comunicação e por algum tempo procurou assumir o controle da Rede Manchete de Televisão. A Igreja Renascer exemplifica um pentecostalismo de classe média e tem forte apelo junto à juventude e a celebridades do esporte e da mídia.

Em pouco mais de vinte anos, essa igreja abriu 1500 templos no Brasil e 20 em outros seis países, sendo a segunda maior denominação neopentecostal do Brasil. Há vários anos promove a Marcha para Jesus, evento que reuniu 3 milhões de pessoas em São Paulo no corrente ano. À semelhança da IURD, a igreja tem investido na área política e elegeu dois deputados federais no último pleito. Uma séria dificuldade de imagem decorre do fato de que os fundadores não fazem uma clara distinção entre os bens da igreja, construídos com doações dos membros, e o seu patrimônio pessoal. O casal responde a um processo em que são acusados de estelionato contra fiéis e lavagem de dinheiro arrecadado nos cultos. Por não terem comparecido a uma audiência do processo, sua prisão preventiva foi decretada pela justiça no final de novembro de 2006.[42]

6. Avaliação e perspectivas

Qualquer abordagem construtiva do pentecostalismo precisa incluir, ao lado de uma crítica dos seus problemas e distorções, uma consideração honesta de suas contribuições positivas e das advertências que faz ao protestantismo histórico. A Igreja Católica Romana tem procurado deixar de lado as acusações de praxe (movimentos sectários, fanatismo, obscurantismo) para estudar com seriedade esse movimento que lhe tem subtraído um grande número de fiéis, fazendo uma necessária autocrítica e buscando aprender as lições da história.[43] As igrejas protestantes, notadamente aquelas de tradição reformada, precisam empreender um esforço semelhante.

As vicissitudes do pentecostalismo são bem conhecidas e muitas delas já foram apontadas neste artigo. Evidentemente elas não devem ser generalizadas, aplicando-se ora a uns, ora a outros grupos. Esses problemas podem ser classificados em algumas áreas: (1) Escritura: ênfase excessiva na experiência, profecias ou revelações, relativizando a importância da Bíblia; interpretação bíblica literalista ou alegórica, conforme a necessidade, sem atentar para as boas regras da hermenêutica; a Bíblia é considerada acima de tudo um livro de promessas de Deus para os crentes; (2) vida espiritual: entendimento da relação com Deus como uma transação, perdendo-se o senso da salvação como dádiva imerecida da graça; visão dualista da realidade (bem-mal, Deus-diabo) e tendência de atribuir todo mal a influências diabólicas, minimizando a responsabilidade humana; ênfase excessiva na experiência e nas emoções, que pode levar ao subjetivismo; interesse por modismos e novidades; (3) liderança: estilo centralizador e personalista; culto à personalidade do líder, considerado intocável (o “ungido do Senhor”); pequena participação dos fiéis na esfera decisória e na administração dos recursos financeiros[44]; (4) ética: atitude triunfalista e ênfase no poder podem minimizar um viver ético; maior ênfase aos dons do que ao fruto do Espírito; tendência para a alienação quanto aos problemas da sociedade; atuação questionável na esfera política; (5) culto: perigo de colocar os adoradores no centro das atenções ao invés de Deus (antropocentrismo); liturgia condicionada por interesses pragmáticos (atrair e empolgar os participantes) e preferências culturais, e não pelo ensino da Escritura.[45] Essas deficiências e outras são muito sérias e as igrejas históricas devem não só orientar os seus próprios fiéis, mas ajudar os pentecostais e carismáticos a serem mais bíblicos nessas áreas.

Por outro lado, os pentecostais, carismáticos e renovados oferecem algumas lições importantes para as igrejas tradicionais ou históricas. O surgimento e crescente aceitação desses movimentos sugere insatisfação com uma religiosidade formal e rotineira, bem como o desejo de uma experiência mais profunda com Deus, de um culto mais alegre e fervoroso, de uma vida cristã mais plena. O protestantismo histórico, que começou como um movimento revolucionário e renovador, com o tempo se tornou rígido, tradicionalista e rotineiro. Sua rejeição da piedade medieval fez com que se perdessem elementos valiosos da experiência cristã, como o senso de mistério, o deslumbramento diante do Ser Divino, o rico simbolismo espiritual que apela à mente e aos sentidos. O pentecostalismo veio resgatar esses elementos que haviam sido esquecidos pela tradição protestante. Outras contribuições importantes são a insistência na atualidade da mensagem bíblica (tudo o que a Escritura diz é também para hoje), a exuberância do louvor, a ênfase na evangelização (grande parte do crescimento do cristianismo no século 20 resultou do trabalho das igrejas pentecostais), a preocupação com os pobres e marginalizados (libertação do pecado e dos vícios; dignidade humana).[46]

Os especialistas têm feito uma série de conjecturas sobre o futuro do movimento pentecostal.[47] Embora haja diferentes perspectivas, em uma coisa todos concordam: o pentecostalismo veio para ficar. As igrejas herdeiras da Reforma, como a presbiteriana, podem adotar diferentes atitudes: tentar ignorar o movimento pentecostal, como se não fosse relevante; hostilizá-lo, apontando somente para as distorções teológicas e éticas; ou, preferivelmente, interagir com ele, aprendendo lições úteis com essa tradição e ao mesmo tempo procurando influenciá-la, para que se torne mais íntegra e bíblica.[48] Entre as áreas a serem reconsideradas, podem ser apontadas as seguintes: (a) na esfera do culto: liturgia mais alegre, edificante e participativa; hinódia contemporânea com sólido conteúdo bíblico e doutrinário; (b) na esfera das missões: maior ênfase na evangelização, envolvendo todos os membros; reexame das estratégias missionárias (por exemplo, em certas igrejas pentecostais o obreiro deve primeiro plantar uma igreja para então ser consagrado pastor, ao passo que na IPB o grande número de formandos dos seminários não está se traduzindo em crescimento para a igreja); (c) no âmbito social: transformação das igrejas em espaços acolhedores para pessoas de todas as classes e condições; atuação deliberada e sistemática junto às camadas mais pobres da população, levando-lhes o evangelho integral. Também existem algumas contribuições que as igrejas tradicionais podem oferecer aos pentecostais e renovados: seriedade no estudo e interpretação das Escrituras; valorização da boa teologia e das doutrinas bíblicas; compromisso com a ética cristã, especialmente quanto à liderança e finanças; ênfase à santidade tanto quanto ao poder; equilíbrio entre experiência e Escritura, emoções e intelecto, fervor e reverência; valorização da herança cristã.


[1] Ver http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/ populacao/religiao_Censo2000.pdf .

[2] Ver LOPES, Augustus Nicodemus. Paulo e os “espirituais” de Corinto. Fides Reformata 3/1 (jan.-jun. 1998), p. 88-109.

[3] Por exemplo, Calvino escreveu uma obra intitulada “Contra a seita fantástica e furiosa dos libertinos que são chamados espirituais” (1545). Lutero costumava referir-se a eles com o termo Schwärmer, que lembra um enxame de abelhas esvoaçando confusamente em torno da colméia.

[4] Ver MATOS, Alderi S. Edward Irving: precursor do movimento carismático na igreja reformada. Fides Reformata 1/2 (jul.-dez. 1996), p. 5-14.

[5] CAMPOS, Leonildo Silveira. As origens norte-americanas do pentecostalismo brasileiro: observações sobre uma relação ainda pouca avaliada. Revista USP, n° 67 (set.-nov. 2005), p. 100-115.

[6] Ver DAYTON, Donald W. Theological roots of Pentecostalism. Peabody, Massachusetts: Hendrickson, 1991 (1987).

[7] Ibid., p. 50.

[8] Ibid., p. 54. Dayton afirma: “O metodismo iria encontrar o seu verdadeiro destino na América” (p. 63).

[9] Ibid., p. 68s.

[10] Ver OLSEN, Ted. American Pentecost: the story behind the Azusa Street Revival, the most phenomenal event of twentieth-century Christianity. Christian History, Vol. XVII, No. 2 (1998), p. 10-13.

[11] DAYTON, Theological roots of Pentecostalism, p. 27. O simbolismo das primeiras e últimas chuvas é tirado de textos como Atos 2.17-18; Joel 2.23, 28-29; Tiago 5.7-8.

[12] Ibid., p. 28.

[13] Para maiores informações sobre Parham e Seymour, ver CAMPOS, As origens norte-americanas do pentecostalismo brasileiro, p. 108-112.

[14] O autor teve a oportunidade de visitar esse local em outubro de 2003. A casa da Rua Bonnie Brae está muito bem preservada, sendo administrada por uma instituição denominada Pentecostal Heritage Inc.

[15] OLSEN, American Pentecost, p. 16s.

[16] Dados colhidos pessoalmente pelo autor em outubro de 2003.

[17] Vários autores. Pentecostal quilt: key events and people who’ve made the movement as unique as it is diverse. Christian History, Vol. XVII, No. 2 (1998), p. 18-25.

[18] Ver MATOS, Alderi S. O batismo “em nome de Jesus” no livro de Atos: uma reflexão bíblico-teológica. Fides Reformata 5/2 (jul.-dez. 2000), p. 99-114.

[19] Maria Beulah Woodworth-Etter. Christian History, Vol. XVII, No. 2 (1998), p. 35s.

[20] BLUMHOFFER, Edith L. Sister: Aimee Semple McPherson was the first Pentecostal to become a national sensation. Christian History, Vol. XVII, No. 2 (1998), p. 31-34.

[21] DAYTON, Theological roots of Pentecostalism, p. 21s.

[22] Ver LÉONARD, Émile-G. O iluminismo num protestantismo de constituição recente. São Bernardo do Campo: Ciências da Religião, 1988; MATOS, Alderi S. Os pioneiros presbiterianos do Brasil: missionários, pastores e leigos do século 19 (1859-1900). São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 461-63.

[23] Para um estudo recente, ver RIVERA, Paulo Barrera. A reinvenção de uma tradição no protestantismo brasileiro: a Igreja Evangélica Brasileira entre a Bíblia e a Palavra de Deus. Revista USP n° 67 (set.-nov. 2005), p. 78-99.

[24] FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro. Em: ANTONIAZZI, Alberto et al. Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994, p. 70.

[25] BRAGA, Erasmo; GRUBB, Kenneth. The Republic of Brazil: a survey of the religious situation. Londres: World Dominion Press, 1932, p. 69s. Todavia, as estatísticas fornecidas indicam que os pentecostais já representavam quase 10% da comunidade evangélica (p. 71, 141).

[26] FRESTON, Breve história do pentecostalismo brasileiro, p. 72.

[27] Ibid., p. 132s.

[28] Ver CANÊLHAS, Jorge Alberto. Renovação carismática católica: opção metodológica pentecostal no catolicismo brasileiro. Dissertação de Mestrado, CPAJ, 2000; CÉSAR, Elben M. Lenz. História da evangelização do Brasil: dos jesuítas aos neopentecostais. Viçosa, MG: Ultimato, 2000, p. 143-147.

[29] Para maiores informações, ver FRESTON, Breve história do pentecostalismo brasileiro, p. 100-109.

[30] Ibid., p. 80s.

[31] Ibid., p. 77.

[32] Ibid., p. 86.

[33] Ibid., p. 95.

[34] Para outras informações sobre a Congregação Cristã e a Assembléia de Deus, ver CÉSAR, História da evangelização do Brasil, p. 113-122. Um estudo mais antigo e mais técnico é READ, William R. Fermento religioso nas massas do Brasil. Campinas: Livraria Cristã Unida, 1967.

[35] Para maiores informações sobre esses grupos, ver FRESTON, Breve história do pentecostalismo brasileiro, p. 110-129; CÉSAR, História da evangelização do Brasil, p.129-142.

[36] BITTENCOURT FILHO, José. Remédio amargo. Em: ANTONIAZZI et al., Nem anjos nem demônios, p. 24.

[37] MENDONÇA, Antonio Gouvêa. Protestantes, pentecostais & ecumênicos. São Bernardo do Campo, SP: UMESP, 1997, p. 165; ver também a seção “O início do neopentecostalismo no Brasil”, p. 157-59.

[38] Ibid., p. 161; ver ainda as características mencionadas na p. 165.

[39] BITTENCOURT FILHO, Remédio amargo, p. 33.

[40] FRESTON, Breve história do pentecostalismo brasileiro, p. 139. Um estudo clássico sobre a IURD é: CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Simpósio e UMESP, 1997.

[41] Ibid., p. 150s.

[42] Ver O Estado de São Paulo, 1º de dezembro de 2006, p. A24.

[43] Ver ANTONIAZZI, Alberto. A Igreja Católica face à expansão do pentecostalismo; e SANCHIS, Pierre. O repto pentecostal à cultura católico-brasileira. Em: ANTONIAZZI et al. Nem anjos nem demônios, p. 17-23, 34-63. Ver ainda: RUANO, Edgar Moros. A Igreja Católica e o desafio pentecostal. Em: GUTIÉRREZ, Benjamin F.; CAMPOS, Leonildo Silveira (orgs.). Na força do Espírito: os pentecostais na América Latina: um desafio às igrejas históricas. São Paulo: Pendão Real, 1996.

[44] Essa é uma das áreas que têm dado reputação mais negativa aos evangélicos junto à sociedade. Nas recentes eleições presidenciais, um dos mesários da seção eleitoral do autor usava uma camiseta com os seguintes dizeres: “Pequenas igrejas, grandes negócios”.

[45] Paulo Romeiro, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, aborda essas e outras distorções em várias obras: Supercrentes (teologia da prosperidade), Evangélicos em Crise (decadência doutrinária nas igrejas), Decepcionados com a Graça (R.R. Soares e sua igreja).

[46] Uma obra que destaca a contribuição do movimento pentecostal na luta pela dignidade dos pobres é: CÉSAR, Waldo; SHAULL, Richard. Pentecostalismo e futuro das igrejas cristãs: promessas e desafios. Petrópolis, RJ: Vozes; São Leopoldo, RS: Sinodal, 1999.

[47] Ver CAMPOS, Leonildo Silveira. Protestantismo histórico e pentecostalismo no Brasil: aproximações e conflitos; e FRESTON, Paul. Entre o pentecostalismo e o declínio de denominacionalismo: o futuro das igrejas históricas no Brasil. Em: GUTIÉRREZ e CAMPOS, Na força do Espírito, p. 107-109, 267-72.

[48] É essa a abordagem seguida pelo Rev. Antônio Carlos Costa, do Rio de Janeiro, que, através de programas de televisão e das conferencias anuais que promove em sua igreja, tem despertado grande interesse de muitos pentecostais em relação à fé reformada.

História das Assembleias de Deus no Brasil

“Pouco tempo depois, Gunnar Vingren participou de uma convenção de igrejas batistas, em Chicago. Essas igrejas aceitaram o Movimento Pentecostal. Ali ele conheceu outro jovem sueco que se chamava Daniel Berg. Esse jovem também fora batizado com o Espírito Santo.

Após uma ampla troca de informações, experiências e idéias, Daniel Berg e Gunnar Vingren descobriram que Deus os estava guiando numa mesma direção, isto é: o Senhor desejava enviá-los com a mensagem do Evangelho a terras distantes, mas nenhum dos dois sabia exatamente para onde seriam enviados.

Algum tempo depois, Daniel Berg foi visitar o pastor Vingren em South Bend. Durante aquela visita, quando participavam de uma reunião de oração, o Senhor lhes falou, através de uma mensagem profética, que eles deveriam partir para pregar o evangelho e as bênçãos do avivamento pentecostal. O lugar tinha sido mencionado na profecia: Pará. Nenhum dos presentes conhecia aquela localidade. Após a oração, os dois jovens foram a uma biblioteca à procura de um mapa que lhes indicasse onde o Pará estava localizado. Foi quando descobriram que se tratava de um estado do Norte do Brasil”.

História das Assembléias de Deus no Brasil, Emílio Conde – CPAD

No início do século XX, apesar da presença de imigrantes alemães e suíços de origem protestante e do valoroso trabalho de missionários de igrejas evangélicas tradicionais, nosso país era ainda quase que totalmente católico.

A origem das Assembléias de Deus no Brasil está no fogo do reavivamento que varreu o mundo por volta de 1900, início do século 20, especialmente na América do Norte. Os participantes desse reavivamento foram cheios do Espírito Santo da mesma forma que os discípulos e os seguidores de Jesus durante a Festa Judaica do Pentecostes, no início da Igreja Primitiva (Atos cap. 2). Assim, eles foram chamados de “pentecostais”.

Exatamente como os crentes que estavam no Cenáculo, os precursores do reavivamento do século 20 falaram em outras línguas que não as suas originais quando receberam o batismo no Espírito Santo. Outras manifestações sobrenaturais tais como profecia, interpretação de línguas, conversões e curas também aconteceram (Atos cap. 2).

Em 19 de novembro de 1910, os jovens suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg aportaram em Belém, capital do estado do Pará, vindos dos EUA. A princípio, freqüentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam nos Estados Unidos. Eles traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia – o falar em línguas estranhas – como a evidência inicial. A manifestação do fenômeno já vinha ocorrendo em várias reuniões de oração nos EUA (e também de forma isolada em outros países), principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu inicial através de um de seus principais discípulos, um pastor negro leigo, chamado William Joseph Seymour, na Rua Azusa, Los Angeles, em 1906.

Quando Daniel Berg e Gunnar Vingren, chegaram ao Brasil, ninguém poderia imaginar que aqueles dois jovens suecos estavam para iniciar um movimento que alteraria profundamente o perfil religioso e até social do Brasil por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da Humanidade e a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. As denominações evangélicas existentes na época ficaram bastante incomodadas com a nova doutrina dos missionários, principalmente por causa de alguns irmãos que se mostravam abertos ao ensino pentecostal. Celina de Albuquerque, na madrugada do dia 18 de junho de 1911 foi a primeira crente da igreja Batista de Belém a receber o batismo no Espírito Santo, o que não demorou a ocorrer também com outros irmãos. A nova doutrina trouxe muita divergência naquela comunidade, pois um número cada vez maior de membros curiosos visitava a residência de Berg e Vingren, onde realizavam reuniões de oração. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembléias distintas, conforme relatam as atas das sessões, os dezenove adeptos do pentecostalismo foram desligados. Convictos e resolvidos a se organizar, em 18 de junho de 1911, juntamente com os missionários estrangeiros, fundaram uma nova igreja e adotaram o nome de Missão da Fé Apostólica. Este foi o primeiro nome dado ao Movimento Pentecostal nos Estados Unidos a partir de 1901 e era também empregado pelo movimento de Los Angeles, mas sem qualquer vínculo administrativo da nova igreja brasileira com William Joseph Seymour. A partir de então, passaram a reunir-se na casa de Celina de Albuquerque. Mais tarde, em 18 de janeiro de 1918 a nova igreja, por sugestão de Gunnar Vingren, foi registrada como Assembléia de Deus, em virtude da fundação das Assembléias de Deus nos Estados Unidos, em 1914, em Hot Springs, Arkansas, mas, outra vez, sem qualquer ligação institucional entre ambas as igrejas.

Em poucas décadas, a Assembléia de Deus, a partir de Belém do Pará, onde nasceu, começou a penetrar em todas as vilas e cidades até alcançar os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. As Assembléia de Deus se expandiram pelo Estado do Pará, alcançaram o Amazonas, propagaram-se para o Nordeste, principalmente entre as camadas mais pobres da população. Chegaram ao Sudeste pelos idos de 1922, através de famílias de retirantes do Pará, que se portavam como instrumentos voluntários para estabelecer a nova denominação aonde quer que chegassem. Nesse ano, a igreja teve início no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, e ganhou impulso com a transferência de Gunnar Vingren, de Belém, PA, em 1924, para a então capital da República. Um fato que marcou a igreja naquele período foi a conversão de Paulo Leivas Macalão, filho de um general, através de um folheto evangelístico. Foi ele o precursor do assim conhecido Ministério de Madureira, como veremos adiante.

A influência sueca teve forte peso no início da formação assembleiana brasileira, em razão da nacionalidade de seus fundadores, e graças à igreja pentecostal escandinava, principalmente a Igreja Filadélfia de Estocolmo, que, além de ter assumido nos anos seguintes o sustento de Gunnar Vingren e Daniel Berg, enviou outros missionários para dar suporte aos novos membros em seu papel de fazer crescer a nova Igreja. Desde 1930, quando se realizou a primeira Convenção Geral dos pastores na cidade de Natal, RN, as Assembléias de Deus no Brasil passaram a ter autonomia interna, sendo administrada exclusivamente pelos pastores residentes no Brasil, sem contudo perder os vínculos fraternais com a igreja na Suécia. A partir de 1936 a igreja passou a ter maior colaboração das Assembléias de Deus dos EUA através dos missionários enviados ao país, os quais se envolveram de forma mais direta com a estruturação teológica da denominação.

Em virtude de seu fenomenal crescimento, os pentecostais começaram a fazer diferença no cenário religioso brasileiro. De repente, o clero católico despertou para uma possibilidade jamais imaginada: o Brasil poderia vir a tornar-se, no futuro, uma nação protestante. Tal possibilidade se tornou ainda mais real com a divulgação entre o final de 2006 e início de 2007 por um instituto de pesquisa de que, com vinte milhões de fiéis, o Brasil é o maior país pentecostal do mundo.

O que são as Assembléias de Deus

As Assembléias de Deus são uma comunidade protestante, segundo os princípios da Reformada Protestante pregada por Martinho Lutero, no século 16, contra a Igreja Católica. Cremos que qualquer pessoa pode se dirigir diretamente a Deus baseada na morte de Jesus na cruz. Este é um relacionamento pessoal e significativo com Jesus. Embora sejamos menos formais em nossa adoração a Deus do que muitas denominações protestantes, a Assembléia de Deus se identifica com eles na fundamentação bíblica-doutrinária, com exceção da doutrina pentecostal (Hebreus 4.14-16; 6.20; Efésios 2.18).

As Assembléias de Deus são uma igreja evangélica pentecostal que prima pela ortodoxia doutrinária. Tendo a Bíblia como a sua única regra de fé e prática, acha-se comprometida com a evangelização do Brasil e do mundo, conformando-se plenamente com as reivindicações da Grande Comissão.

A doutrina que distingue as Assembléias de Deus de outras igrejas diz respeito ao batismo no Espírito Santo. As Assembléias de Deus crêem que o batismo no Espírito Santo concede aos crentes vários benefícios como estão registrados no Novo Testamento. Estes incluem poder para testemunhar e servir aos outros; uma dedicação à obra de Deus; um amor mais intenso por Cristo, sua Palavra, e pelos perdidos; e o recebimento de dons espirituais (Atos 1.4,8; 8.15-17).

As Assembléias de Deus crêem que quando o Espírito Santo é derramado, ele enche o crente e fala em línguas estranhas como aconteceu com os 120 crentes no Cenáculo, no Dia de Pentecoste. Embora esta convicção pentecostal seja distintiva, as Assembléias de Deus não a têm como mais importante do que as outras doutrinas (Atos 2.4).

O seu Credo de Fé realça a salvação pela fé no sacrifício vicário de Cristo, a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais e a bendita esperança na segunda vinda do Senhor Jesus. Consciente de sua missão, as Assembléias de Deus não prevalecem do fato de ter, segundo dados do IBGE (Censo 2000), mais de oito milhões de membros. Apesar de sua força e penetração social, optou por agir profética e sacerdotalmente. Se por um lado, protesta contra as iniqüidades sociais, por outro, não pode descuidar de suas responsabilidades intercessórias.

Sua estrutura Administrativa

As Assembléias de Deus estão organizadas em forma de árvore, onde cada Ministério é constituído pela Igreja-Sede com suas respectivas igrejas filiadas, congregações e pontos de pregação.

As igrejas Assembléias de Deus atuam em cada lugar sem estarem ligadas administrativamente à uma instituição nacional. A ligação nacional entre as igrejas é feita através dos seus pastores que são filiados a convenções estaduais que, por sua vez, se vinculam a uma Convenção de caráter nacional.

Em cada estado os pastores estão ligados a convenções regionais e a ministérios. Essas convenções, em geral, credenciam evangelistas e pastores, cuidam de assuntos da liderança e de direção das igrejas. Essas convenções operam um tipo de liderança regional entre a igreja local e a Convenção Geral.

A Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB) é dirigida por uma Mesa Diretora, eleita a cada dois anos numa Assembléia Geral. Para várias áreas de atividades das Assembléias de Deus a CGADB tem um conselho ou uma comissão. Desta forma, existem o Conselho Administrativo da Casa Publicadora (CPAD), o Conselho de Educação e Cultura Religiosa, o Conselho de Doutrinas, o Conselho Fiscal, o Conselho de Missões, a Secretaria Nacional de Missões (SENAMI), a Escola de Missões das Assembléias de Deus (EMAD) e a Faculdade Evangélica de Tecnologia, Ciências e Biotecnologia da CGADB (FAECAD).

A CGADB possui sede no Rio de Janeiro e pode ser considerada o tronco da denominação por ser a entidade que desde o princípio deu corpo organizacional à Igreja, e a quem pertence a patente do nome no país.

As Assembléias de Deus brasileira tem passado por várias cisões que deram origem a diversas convenções e ministérios, com administração autônoma, em várias regiões do país. O mais expressivo dos ministérios é o Ministério de Madureira, cuja igreja já existia desde os idos da década de 1930, fundada pelo pastor Paulo Leivas Macalão e que, em 1958, serviu de base para a estruturação nacional do Ministério por ele presidido, até a sua morte, no final de 1982. Ela deu origem à seguinte entidade:

Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil – Ministério de Madureira

À medida que os anos se passavam, os pastores do Ministério de Madureira (assim conhecido por ter sua sede no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro), sob a liderança do pastor (hoje bispo) Manoel Ferreira, se distanciavam das normas eclesiásticas da CGADB, segundo a liderança da época, que, por isso mesmo, realizou uma Assembléia Geral Extraordinária em Salvador, BA, em setembro de 1989, onde esses pastores foram suspensos até que aceitassem as decisões aprovadas. Por não concordarem com as exigências que lhes eram feitas, se organizaram numa nova entidade, hoje com cerca de 2 milhões de membros, no Brasil e exterior. Dessa forma surgiu a Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil – Ministério de Madureira – CONAMAD, fundada em 1988.

Outros ramos

Há, ainda, vários ministérios e um grande número de igrejas independentes que usam a nomenclatura Assembléia de Deus, em diversas regiões do país, que atuam sem vinculação com a CGADB ou com a CONAMAD.
O Compromisso com a Proclamação da Palavra de Deus

Sendo uma comunidade de fé, serviço e adoração, as Assembléias de Deus não podem furtar-se às suas obrigações – proclamar o evangelho de Cristo e promover espiritual, moral e socialmente o povo de Deus. Somente assim, estaremos nos firmando, definitivamente, como agência do Reino de Deus.

As Assembléias de Deus não são a única igreja. Deus está usando muitos outros para alcançar o mundo para Ele. Nos cenários brasileiro e mundial somos uma das muitas denominações comprometidas em conduzir crianças, adolescentes, jovens e adultos a Cristo.

Nossa oração nas Assembléias de Deus é que sejamos usados por Deus para ajudar os perdidos e propiciar um ambiente onde o Espírito Santo possa realizar sua obra especial na vida dos que crêem.

Para mais informações, visite o site da CGADB: http://www.cgadb.com.br

Fonte: CPAD, Wikipedia e Dicionário do Movimento Pentecostal

GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG – A história dos fundadores da (s) Assembléia (s) de Deus no Brasil

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Em 2011, completou-se 100 anos que os pioneiros suecos Adolf Gunnar Vingren e Daniel Högberg, mais conhecidos como Gunnar Vingren e Daniel Berg, deram início ao maior Movimento Pentecostal do mundo – as Assembleias de Deus no Brasil. Mas, como se deu a chamada deles ao Brasil?

Berg e Vingren se conheceram poucos anos antes de fundarem a AD brasileira, quando ainda estavam nos Estados Unidos – Berg, dedicando-se apenas aos trabalho secular e Vingren, como pastor ordenado pela Igreja Batista Sueca nos EUA. Ambos já haviam sido inflamados pelas chamas do Movimento Pentecostal norte-americano quando compartilharam entre si suas experiências e, juntos, em oração, receberam o chamado para o nosso país.
 
Gunnar Vingren nasceu em Ostra Husby, Ostergotland, Suécia, a 8 de agosto de 1879. Era filho de pais batistas, que lhe ensinaram desde cedo a trilhar nos caminhos santos. Ainda muito pequeno, seus pais o levavam à Escola Dominical, onde seu pai era dirigente.
 
Em 1897, aos 18 anos, foi batizado nas águas na Igreja Batista em Wraka, Smaland, Suécia. Nessa época, assumiu a direção da Escola Dominical de sua igreja, substituindo seu pai. Em 14 de julho daquele ano, um artigo de uma revista, que falava sobre os sofrimentos de tribos nativas no exterior, o levou às lagrimas e a uma decisão que mudaria o rumo de sua vida. “Subi para o meu quarto e ali prometi a Deus pertencer-lhe e pôr-me à sua disposição, para honra e glória de seu nome. Orei também insistentemente para que Ele me ajudasse a cumprir esta promessa”, relata o homem de Deus.
 
Em outubro de 1898, deixou a direção da Escola Dominical e foi participar de uma Escola Bíblica em Götabro, Närke. “Nunca mais na minha vida recebi uma instrução bíblica tão profunda como aquela. Pastor Kihlstedt nos quebrantava completamente com a Palavra de Deus. Ele nos tirava tudo, tudo, até que ficássemos inteiramente aniquilados como pó diante dos pés do Senhor. Depois vinha o irmão Emílio Gustavsson com o óleo de Gileade, e sarava as feridas da alma, alimentando nossos corações famintos com o melhor trigo dos celeiros de Deus. Oh, que tempo aquele! Fez-me bem pelo resto de toda a minha vida”, conta Vingren em suas memórias.
 
Aquela Escola Bíblica durou um mês e fazia parte de uma Federação Evangélica que tinha o objetivo de ganhar almas para Cristo. Depois dela, Vingren foi enviado com o evangelista Soderlund à província de Skane, seu primeiro campo de trabalho. Em seguida, evangelizou nas províncias de Västergötland e Tidaholm, onde adoeceu de papeira e foi curado instantaneamente após a oração de um grupo de irmãos. De lá, evangelizou em Rönneholm e retornou a Skane.
 
Após o serviço militar, foi atraído pela “Febre dos Estados Unidos”. Em 30 de outubro de 1903, embarcou na cidade de Gotemburgo num vapor que o levou à cidade de Hull, na Inglaterra. Dali, foi de trem para Liverpool, onde pegou outro vapor, com destino a Boston, Massachusets (EUA). Chegando lá, tomou um trem até Kansas City, onde morava seu tio Carl. Depois de uma semana, começou a trabalhar como foguista em Greenhouse até o verão. Foi porteiro de uma grande casa comercial na região e jardineiro, profissão que aprendera com seu pai. Em fevereiro de 1904, conseguiu um emprego no Jardim Botânico de Saint Louis. Aos domingos, Vingren assistia os cultos de uma igreja sueca estabelecida naquela cidade.
 
Em setembro de 1904, iniciou um curso de quatro anos no Seminário Teológico Batista Sueco, em Chicago. Durante o tempo em que morou em Kansas, pertencera à Igreja Batista sueca, onde fora exortado a voltar a estudar. Durante o curso, foi convidado a pregar em vários igrejas. Pelo Seminário, estagiou sete meses na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. Depois, estagiou nas Igrejas Batistas em Sycamore, Illinois; Blue Island, também em Illinois; e, por fim, em Mountain, Michigan.
 
Concluiu seus estudos e foi diplomado em maio de 1909. Nesse período, entregou uma solicitação para ser enviado como missionário. Enquanto a resposta não chegava, foi convidado para assumir o pastorado da Igreja Batista em Menominee, Michigan. Em junho daquele ano, assumiu a direção da igreja.
 
Nesse período, participou da Convenção Geral Batista dos Estados Unidos, onde foi decidido que seria enviado missionário para Assam, na Índia, juntamente com sua noiva. A Convenção Batista do Norte o sustentaria. No início, Vingren convenceu-se de que esta era a vontade de Deus, mas, durante a Convenção, Deus mostrou-lhe o contrário. Voltando à sua igreja, enfrentou uma grande luta por causa de sua decisão. Finalmente, resolveu não aceitar a designação e comunicou sua decisão à Convenção por escrito. Por esse motivo, a moça com quem se enamorara rompeu o noivado. Ao receber a carta dela, respondeu: “Seja feita a vontade do Senhor”.
 
Por esse tempo, despontava um grande avivamento nos Estados Unidos, que culminou no atual Movimento Pentecostal que se espalhou pelo mundo no século 20. Nessa época, uma irmã que tinha o dom de interpretar línguas foi usada por Deus para dizer-lhe que seria enviado ao campo missionário, mas “somente depois de revestido de poder”.
 
No verão de 1909, Deus encheu o coração de Vingren com o desejo de receber o batismo no Espírito Santo. Em novembro daquele ano, ele pediu permissão à sua igreja para visitar a Primeira Igreja Batista Sueca, em Chicago, onde se realizava uma série de conferências. O seu objetivo era buscar o batismo no Espírito Santo. Após cinco dias de busca incessante, foi revestido de poder, falando em outras línguas como os discípulos no Dia de Pentecostes.
 
Foi nessas conferências que conheceu Daniel Berg, que se tornaria mais à frente seu grande amigo.
 
O encontro entre Berg e Vingren
 
Daniel Högberg, conhecido no Brasil como Daniel Berg, nasceu a 19 de abril de 1884, na pequena cidade de Vargon, na Suécia, às margens do lago de Vernern. Quando o Evangelho começou a entrar nos lares de Vargon, seus pais, Gustav Verner Högberg e Fredrika Högberg, o receberam e ingressaram na Igreja Batista. Logo procuraram educar o filho segundo os princípios cristãos. Em 1899, Daniel converteu-se e foi batizado nas águas.
 
Em 1902, aos 18 anos, pouco antes do início da primavera nórdica, deixou seu país. Embarcou a 5 de março de 1902, no porto báltico de Gothemburgo, no navio M.S.Romeu, com destino aos Estados Unidos. “Como tantos outros haviam feito antes de mim”, frisava. O motivo foi a grande depressão financeira que dominara a Suécia naquele ano.
 
Em 25 de março de 1902, Daniel desembarcou em Boston. No Novo Mundo, sonhava, como tantos outros de sua época, em realizar-se profissionalmente. Mas, Deus tinha um plano diferente e especial para sua vida.
 
De Boston, viajou para Providence, Rhode Island, para se encontrar com amigos suecos, que lhe conseguiram um emprego numa fazenda. Permaneceu nos Estados Unidos por sete anos, onde se especializou como fundidor. Com saudades do lar, retornou à cidade natal, onde o tempo parecia parado. Nada havia se modificado. Só seu melhor amigo, companheiro de infância, não morava mais ali. “Vive em uma cidade próxima, onde prega o Evangelho”, explicou sua mãe.
 
Logo chegou a seu conhecimento que seu amigo recebera o batismo no Espírito Santo, coisa nova para sua família. A mãe do amigo insistiu para que Daniel o visitasse. Aceitou o convite. No caminho, estudou as passagens bíblicas onde se baseava a “nova doutrina”. Chegando à igreja do amigo, encontrou-o pregando. Sentou e prestou atenção na mensagem. Após o culto, conversaram longamente sobre a “nova doutrina”. Daniel demonstrou ser favorável. Em seguida, despediu-se e partiu, pois sua intenção não era permanecer na Suécia, mas retornar à América do Norte.
 
Em 1909, após despedir-se dos pais, em meio à viagem de retorno aos Estados Unidos, Daniel orou com insistência a Deus, pedindo o batismo no Espírito Santo. Como não estava preocupado como da primeira vez, posto que já conhecia os EUA, canalizou toda a sua atenção à busca da bênção. Ainda no navio, ao aproximar-se das plagas norte-americanas, sua oração foi respondida.
 
A partir de então, sua vida mudou. Daniel passou a evangelizar como nunca e a contar seu testemunho a todos. Foi então que, por ocasião das já mencionadas conferências em Chicago, Daniel encontrou-se com o pastor batista Gunnar Vingren, que também fora batizado no Espírito Santo. Os dois conversaram horas sobre as convicções que tinham. Uma delas é que tanto um como o outro acreditavam que tinham uma chamada missionária. Quanto mais dialogavam, mais suas chamadas eram fortalecidas.
 
Ao voltar à sua igreja em Menominee após as conferências em Chicago, Vingren começou a pregar a verdade de que “Jesus batiza no Espírito Santo e com fogo”. Em fevereiro de 1910, Vingren foi intimado a se afastar da igreja, que ficou dividida: metade cria na promessa e a outra a rejeitava. Os que rejeitaram obrigaram-no a deixar o pastorado.
 
No entanto, Vingren recebeu o apoio da Igreja Batista em South Bend, Indiana. Todos ali o receberam e creram na verdade. Na primeira semana, Jesus batizou dez pessoas no Espírito Santo. Naquele verão, quase vinte pessoas receberam a promessa. Assim, Deus transformou a Igreja Batista de South Bend em uma igreja pentecostal. Vingren pastoreou-a até 12 de outubro de 1910, quando começou a preparar-se para a viagem ao Brasil.
 
Quando Vingren voltou a South Bend, Berg estava trabalhando em uma quitanda em Chicago quando o Espírito Santo mandou que se mudasse para South Bend. Berg abandonou seu emprego e foi até lá, onde encontrou Vingren pastoreando aquela Igreja Batista. “Irmão Gunnar, Jesus ordenou-me que eu viesse me encontrar com o irmão para juntos louvarmos o seu nome”, disse Berg. “Está bém!”, respondeu Vingren com singeleza. Passaram, então, a encontrarem-se diariamente para estudar as Escrituras e orar juntos, esperando uma orientação de Deus.
 
O chamado e a chegada ao Brasil
 
Foi em South Bend que Vingren e Berg foram revelados pelo Espírito Santo, através da instrumentalidade do irmão Olof Uldin (que havia conhecido Vingren e Berg), sobre vários acontecimentos futuros a respeito dos dois. Entre outras coisas, Deus lhes disseras que deveriam ir para um lugar chamado Pará; que o povo desse lugar era de um nível social muito simples; que Gunnar deveria lhes ensinar os rudimentos da doutrina bíblica; que Berg e ele comeriam comidas simples, mas não lhes faltaria nada; e que Vingren casaria com uma moça chamada Strandberg (Anos depois, quando de retorno à Suécia após o início da obra no Brasil, Vingren conheceria a enfermeira Frida Strandberg, com quem se casaria).
 
Ao ouvirem pela primeira vez o nome do lugar para onde Deus os chamara, não sabendo onde era, foram até a biblioteca pública da cidade, onde descobriram que o Pará ficava no Norte do Brasil. Depois de orarem, Berg e Vingren aceitaram o destino.
 
Após a revelação divina dada ao irmão Olof Uldin de que o lugar para onde deveriam ir era o Pará, no Brasil, Daniel Berg, contra a vontade dos seus patrões, abandonou o emprego. Eles argumentaram: “Aqui você pode pregar o Evangelho também, Daniel; não precisa sair de Chicago”. Mas, ele estava convicto da chamada e não voltou atrás.
 
Ao se despedir, Berg recebeu de seu patrão uma bolacha e uma banana. Essa era uma tradição antiga nos Estados Unidos. Simbolizava o desejo de que jamais faltasse alimento para a pessoa que recebesse a oferta. Esse gesto tocou o coração de Berg, que em seguida partiu com Vingren para Nova Iorque, e de lá para o Brasil em um navio.
 
Deus proveu milagrosamente a quantia certa para a viagem. Durante a viagem, ganharam um tripulante para Cristo. Quatorze dias após saírem de Nova Iorque, chegaram ao Pará. Era o dia 19 de novembro de 1910.
 
Em Belém, moraram no porão da Igreja Batista localizada na Rua Balby, 406. Depois, passaram um tempo na casa do irmão presbiteriano Adriano Nobre, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru. Hospedaram-se no mesmo quarto onde morava o irmão Adrião Nobre, primo de Adriano. De volta a Belém, retornaram ao porão da igreja. Por esse tempo, já falavam um pouco de português. O primeiro professor deles fora o irmão Adriano.
 
As irmãs Celina Albuquerque e Maria de Nazaré creram na mensagem pentecostal e receberem o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que culminou na expulsão de 19 membros mais Vingren e Berg. Em 18 de junho de 1911, nascia a Missão de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918 foi registrada oficialmente com um novo nome, Assembleia de Deus, nome este que a nova igreja já usava desde 1916. Era uma igreja sem vínculos estrangeiros, genuinamente brasileira e que se tornaria a maior igreja pentecostal do mundo.
 

Usos e Costumes Defendidos Pelas Assembléias de Deus “no Brasil”

Definindo os Termos

Princípio

“Ato de principiar”. Causa primeira. Origem. Razão fundamental. Elemento que predomina na constituição de um corpo organizado. Ex.: Princípio da vida. Convicção. (Grande Dicionário Ilustrado – Novo Brasil. Ed. 1979).

“Começo. Causa, Origem. Razão fundfamental. Base. Preceito. Regra”. (Dicionário Álvaro Magalhães – E. Globo).

Princípios são bases estabelecidas por Deus para orientação da sociedade humana, que estabelecem parâmetros, dentro dos quais o homem é aceito e se relaciona com o Criador.

“Regras fundamentais e gerais de qualquer ciência ou arte. Ex.: Princípios fundamentais das Ciências, da Física, da Química, da Matemática, da Filosofia, …da Religião”.

Tradição

É a transmissão de ensinos, práticas, crenças de uma cultura de uma geração a outra. A palavra grega para tradição é paradosis, usada no sentido negativo (Mt 15.2; Gl 1.14); e também no sentido positivo (2 Ts 2.15). Quando se coloca a tradição acima da Bíblia ou em pé de igualdade com ela a tradição assume uma conotação negativa. Muitas vezes é usada simplesmente para camuflar nossos pecados. O problema dos fariseus e da atual Igreja Católica é justamente por receber a tradição como Palavra de Deus. Disse alguém: “Tradição é a fé viva dos que agora estão mortos, e tradicionalismo é a fé morta dos que agora estão vivos”.

Quando afirmamos que temos as nossas tradições, não estamos com isso dizendo que os nossos usos e costumes tenham a mesma autoridade da Palavra de Deus, mas que são bons costumes que devem ser respeitados por questão de identidade de nossa igreja. Temos quase 90 anos, somos um povo que tem história, identidade definida, e acima de tudo, nossos costumes sãos saudáveis. Deus nos trouxe até aqui da maneira que nós somos e assim, cremos, que sem dúvida alguma ele nos levará até ao fim.
 

A Resolução

“E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus”, Lv 20.26.

” – A 22ª Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, reunida na cidade de Santo André, Estado de São Paulo, reafirma o seu ponto de vista no tocante aos sadios princípios estabelecidos como doutrina na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil. Imbuída sempre dos mais altos propósitos, ela, a Convenção Geral, deliberou pela votação unânime e dos delegados das igrejas da mesma fé e ordem, em nosso país, que as mesmas igrejas se abstenham do seguinte:

  1. Uso de cabelos crescidos, pelos membros do sexo masculino;
  2. Uso de traje masculino, por parte dos membros ou congregados, do sexo feminino;
  3. Uso de pinturas nos olhos, unhas e outros órgãos da face;
  4. Corte de cabelos, por parte das irmãs (membros ou congregados);
  5. Sobrancelhas alteradas;
  6. Uso de mini-saias e outras roupas contrárias ao bom testemunho da vida cristã;
  7. Uso de aparelho de televisão – convindo abster-se, tendo em vista a má qualidade da maioria dos seus programas; abstenção essa que justifica, inclusive, por conduzir a eventuais problemas de saúde; e
  8. Uso de bebidas alcoólicas.

Esta Convenção resolve manter relações fraternais com outros movimentos pentecostais, desde que não sejam oriundos de trabalhos iniciados ou dirigidos por pessoas excluídas das ‘Assembléias de Deus’, bem como manter comunhão espiritual com movimentos de renovação espiritual, que mantenham os mesmos princípios estabelecidos nesta resolução. Relações essas que devem ser mantidas com prudência e sabedoria, a fim de que não ocorram possíveis desvios das normas doutrinárias esposadas e defendidas pelas Assembléias de Deus no Brasil”.

O Texto

Atendendo parecer do Conselho Consultivo da CGADB encaminhado ao 5º ELAD, em 25 de agosto de 1999, a Comissão analisou à luz da Bíblia, de nosso contexto e de nossa realidade, expressando esses princípios numa linguagem atualizada.
O primeiro ponto que precisa ser expresso numa linguagem atualizada é a declaração: “sadios princípios estabelecidos como doutrina na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil”. O texto não faz distinção entre doutrina e costume. O O Manual do CAPED, edição de 1999, CPAD, Rio, p. 92, diz:

” Há pelo menos três diferenças básicas entre doutrina bíblica e costume puramente humano. Há costumes bons e maus. A doutrina bíblica conduz a bons costumes.”

Quanto à origem

– A doutrina é divina
– O costume é humano

Quanto ao alcance

– A doutrina é geral
– O costume é local

Quanto ao tempo

– A doutrina é imutável
– O costume é temporário

A doutrina bíblica gera bons costumes, mas bons costumes não geram doutrina bíblica. Igrejas há que têm um somatório imenso de bons costumes, mas quase nada de doutrina. Isso é muito perigoso! Seus membros naufragam com facilidade por não terem o lastro espiritual da Palavra”.

A palavra grega usada para “doutrina” no NT é didache, que segundo o Diccionario Conciso Griego – Español del Nuevo Testamento, siginfica: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”.

 (Jo 7.16, 17; At 5.28; 17.19; e didaskalia, que segundo o já citado dicionário é: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”. O Léxico do N.T. Grego/Português, de F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker, Vida Nova, São Paulo, 1991, p. 56,diz que didasskalia é:

 “Ato de ensino, instrução Rm 12.7; 15.4; 2 Tm 3.16. Num sentido passivo = aquilo que é ensinado, instrução, doutrina Mc 7.7; Cl 2.22; 1 Tm 1.10; 4.6; 2 Tm 3.10; Tt 1.9)”; e didache: “ensino como atividade, instrução Mc 4.2; 1 Co 14.6; 2 Tm 4.2. Em um sentido passivo = o que é ensinado, ensino, instrução Mt 16.12; Mc 1.27; Jo 7.16s; Rm 16.17; Ap 2.14s, 24. Os aspectos ativo e passivo podem ser denotados em Mt 7.28; Mc 11.18; Lc4.32”. Segundo a Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, doutrina é “tudo o que é objeto de ensino; dïsciplina” (Vida, S. Paulo, 1999, p. 211).

À luz da Bíblia, doutrina é o ensino bíblico normativo terminante, final, derivado das Sagradas Escrituras, como regra de fé e prática de vida, para a Igreja, para seus membros, vista na Bíblia como expressão prática na vida do crente, e isso inclui as práticas, usos e costumes.

Elas são santas, divinas, universais e imutáveis.
Nos próprios dicionários seculares encontramos esse mesmo conceito sobre doutrina: “É o complexo de ensinamentos de uma escola filosófica, científica ou religiosa. Disciplina ou matéria do ensino. Opinião em matéria científica” (Dicionário Álvaro de Magalhães). “Conjunto de princípios de um sistema religioso, políticos ou filosóficos. Rudimentos da fé cristã. Método, disciplina, instrução, ensino” (Dicionário Ilustrado Novo Brasil, ed. 1979).

Costume

A Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, define costume como “Uso, prática geralmente observada”. (p. 169). As palavras gregas usadas para “costume são ethos (Lc 2.42; Hb 10.25) e synetheia (Jo 18.19; 1 Co 8.7; 11.16).A primeira, de onde vem a palavra “ética”, significa costume com sentido de “lei, uso” (Lc 1.9). Não é biblicamente correto usar doutrina e costume como se fosse a mesma coisa. O costume é “Prática habitual. Modo de proceder.

Jurisprudência baseada em uso; modo vulgar; particularidade; moda; trajo característico, procedimento; modo de viver”. Os costumes visto pela ótica cristã, são linhas recomendáveis de comportamento. Estão ligados ao bom testemunho do crente perante o mundo. Estão colocados no contexto temporal, não estão comprometidos diretamente com a salvação.

Os costumes em si são sociais, humanos, regionais e temporais, porque ocorrem na esfera humana, sendo inúmeros deles gerados e influenciados pelas etnias, etariedade, tradições, crendices, individualismo, humanismo, estrangeirismo e ignorância.

Convém atualizar essa redação omitindo a expressão “como doutrina”, ficando assim: “sadios princípios estabelecidos na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil”.
Quanto aos 8 princípios da Resolução, uma maneira de colocar numa linguagem atualizada é:

  1. Ter os homens cabelos crescidos (1 Co 11.14), bem como fazer cortes extravagantes;
  2. As mulheres usarem roupas que são peculiares aos homens e vestimentas indecentes e indecorosas, ou sem modéstias (1 Tm 2.9, 10);
  3. Uso exagerado de pintura e maquiagem – unhas, tatuagens e cabelos- (Lv 19.28; 2 Rs 9.30);
  4. Uso de cabelos curtos em detrimento da recomendação bíblica (1 Co 11.6, 15);
  5. Mal uso dos meios de comunicação: televisão, Internet, rádio, telefone (1 Co 6.12; Fp 4.8); e
  6. Uso de bebidas alcoólicas e embriagantes (Pv 20.1; 26.31; 1 Co 6.10; Ef. 5.18).

Os itens 2 e 6 foram colocados num mesmo item, pois se trata de um mesmo assunto. Colocamos referências bíblicas porque os nossos costumes são norteados pela Palavra de Deus. Precisamos ter consciência de que os nossos costumes não impedem o crescimento da Igreja.

Hoje em dia há igrejas para todos os gostos, mas nós temos compromisso com Deus, com sua Palavra e com o povo. O objetivo de conquistar as elites da sociedade em detrimento de nossos costumes e tradições não é bom negócio.

Isso tem causado muitos escândalos e divisões e não levam a resultados positivos. Somos o que somos, devemos aperfeiçoar as nossas estratégias de evangelismo e não mudar arbitrariamente os nossos costumes, pois isso choca a maioria dos crentes. Criar novos métodos para alcançar os pecadores, isso sim, para que o nosso crescimento possa continuar.

Falta de crescimento

Outro ponto que convém ressaltar que a falta de crescimento de algumas igrejas não é pelo fator usos e costumes, como muitas vezes tem sido enfatizado nas AGOs da CGADB, como foi ressaltado no 5º ELAD, pois mais de 85% dos líderes das Assembléias de Deus reconhecem a necessidade de preservação de nossas tradições, usos e costumes e de nossa identidade, mas sim, por falta de visão e de objetivos de seus líderes.

Essa deficiência pode ser vista e comprovada dos dois lados, tantos dos favoráveis às mudanças como com os que querem manter o mesmo sistema histórico das Assembléias de Deus. O crescimento da igreja, à luz da Bíblia, é conseqüência de evangelismo, discipulado e oração; e o avivamento, fruto de jejum, oração e de arrependimento, e não resultado de usos, costumes e tradição.

em tudo que é extra bíblico é anti-bíblico. Nem tudo que nos interessa é condenado e pecado. Não podemos julgar ou condenar outros grupos porque adotaram liturgias estranhas e costumes diferentes dos nossos, e nem alcunhar nossos companheiros de ministério de liberais, pois “liberal” é uma palavra ofensiva.

Os liberais sãos os que não acreditam na inspiração e autoridade das Escrituras, os que negam o nascimento virginal de Jesus, não reconhecem a existências de verdades absolutas. Discordar deles é uma coisa, mas agredir é outra muito diferente, e fere o espírito cristão do amor fraternal.

Devemos, sim, preservar os nossos costumes.
A salvação é um ato da graça de Deus pela fé em Jesus. A Bíblia ensina que somos salvos pela fé em Jesus (Rm 3.28; Gl 2.16; Ef 2.8-10; Tt 3.5). Todos os crentes são salvos porque um dia ouviram alguém falar de Jesus e creram nessa mensagem. Ninguém fez nada, absolutamente, para ser salva, a não ser a fé em Jesus. Como conseqüência da salvação temos o fruto do Espírito (Gl 5.22).

A vida de santificação é resultado da nova vida em Cristo, e não um meio para a salvação. Cristianismo é religião de liberdade no Espírito e não um conjunto de regras e de ritos. Acrescentar algo mais que a fé em Jesus como condição para salvação é heresia e desvio da fé cristã (Gl 5.1-4). Mas, ir além da liberdade cristã, extrapolando os limites é libertinagem (Gl 5.13). A fé cristã requer compromissos e por isso vivemos uma vida diferente do mundo, do contrário essa fé seria superficial e não profunda, como encontramos no apóstolo Paulo (Gl 2.20). Não existe instituição sem normas, nós temos as nossas.

Quando os gentios de Antioquia se converteram à fé cristã a igreja de Jerusalém enviou Barnabé para discipular aqueles novos crentes (At 11.20-22). Ele Entendia que os costumes só devem ser mantidos quando necessários, pois ensinar costumes, culturas e tradições como condição para salvação, é heresia e caracteriza seita. Barnabé sabia que a tradição judaica era mais uma forma de manter a identidade nacional e que isso em nada implicaria na salvação desses novos crentes, portanto, não seria necessário observar o ritual da lei de Moisés (At 15.19, 20).

Os judeus não eram mais crentes do que os gentios por causa dos seus costumes e nem consideravam os gentios menos crentes do que eles. Pedro pregava aos judeus o “evangelho de circuncisão”, enquanto Paulo o da “incircuncisão”, ou seja, Pedro pregava aos judeus e Paulo aos gentios (Gl 2.7-9). Não se trata de dois evangelhos, mas de um só evangelho, apresentado de forma diferente. Isso é muito importante porque as convicções religiosas são pessoais e o apóstolo Paulo respeitava essas coisas. Havia os irmãos que achavam que devia guardar dias e se abster de certos alimentos, outros consideravam iguais todos os dias e comiam de tudo (Rm 14.1-8). Ele não procurou persuadir a ninguém dessa ou da outra maneira.

Diante disso, aprendemos que nenhum pastor deve persuadir o crente para deixar de observar os costumes da igreja. Isso é algo de foro íntimo. Da mesma forma, um não deve criticar o outro, porque o que ambos fazem é para Deus, além disso, o apóstolo via que se tratava de uma questão cultural (Rm 14.6-10). Proibições sem a devida fundamentação, principalmente bíblica, é fanatismo. Quem faz de sua religião o seu Deus não terá Deus para sua religião.

Isso nos mostra que o nossos costumes não são condição para a salvação, eles devem ser mantidos para a preservação de nossa identidade como denominação. Não devemos criticar os outros e nem forçar ninguém a crer contra suas próprias convicções religiosas. Há pastores que agridem o rebanho e desrespeitam seus companheiros porque querem demolir nosso patrimônio histórico-espiritual a todo custo. Deus quer a Assembléia de Deus como ela é, na sua maioria.

 As outras denominações foram chamadas como elas são, é assim que Deus quis, Ele é soberano. O mesmo Jesus que chamou Mateus disse para outros que não o seguisse. A vontade de Deus para a minha vida não a mesma para a vida de outras pessoas. Embora todos nós estejamos na direção e vontade de Deus, porém com chamadas diferentes.

Fonte: www.cgadb.com.br

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APOLOGÉTICA: Catolicismo x Bíblia Sagrada

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Já fui Católico !

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RESPOSTAS SOBRE A IGREJA CATÓLICA E A BÍBLIA

A “Igreja Católica” é a PROSTITUTA do Apocalipse (?)

o devoto procura fazer a vontade de Deus, em amor a sua fé, da maneira que foi ensinado. As grandes romarias feitas à cidade de Aparecida do Norte e a Juazeiro do Norte são uma evidência dessa dedicação. Contudo, “a autoridade da Escritura não depende do testemunho de qualquer homem ou Igreja, mas depende somente de Deus, que é seu autor” (2Tm 2.16). Veja como Tomas à Kempis, da Ordem de Santo Agostinho, comenta Jo 14.6:

“Sem o caminho, não há ida, sem a verdade, não há saber, sem vida, não há viver. “

1. A Igreja Católica ser a igreja mais antigo

 2. Tradição da Igreja ter o mesmo peso que a Escritura Sagrada

3. A Igreja Católica e a interpretação da Bíblia

4. Ensino da Igreja Católica e o ensino de Jesus

5. Igreja Católica e a leitura da Bíblia

6. Igreja Católica e o Ecumenismo

7. Livros Apócrifos que foram colocados a mais na Bíblia Católica

8. Mutilação dos Dez Mandamentos

9. Igreja Católica e a Reforma

10. Paganização da doutrina

 

RESPOSTAS SOBRE MARIA E A BÍBLIA

A verdade Bíblica sobre Maria ( c l i q u e    a q u i )

O culto a Maria foi organizado em 381 e recebeu o título de Mãe de Deus em 431 d.e. A assunção tornou-se artigo de fé em 1950.

11. ImacuLada conceição

12. Maria ter vivido sem pecado

13. Maria ser a mãe da Igreja

14. Maria ser uma mulher perfeita

15. Mãe de Deus

16. Mãe de todos nós

17. A grande importância de Maria na Bíblia

18. Poder miraculoso de Maria na Bíblia

19. Maria ter sido elevada ao céu

20 Veneração de Maria

21. Várias identidades de Maria

22. Mãe santíssima

23. Maria ser co-redentora

24. Ave-Maria

25. Maria ser mediadora

26. Bendita entre as mulheres

27. Sobre Maria ter outros fihos além de Jesus

28. Maria e os primos de Jesus

29. Sobre a irmã de Maria de Nazaré

30. Rainha do céu

 

RESPOSTAS SOBRE SANTOS E PADROEIROS

O item 67 do Concílio Vaticano II, ecumênico, manda que se “observe religiosamente o que foi decretado sobre o culto das imagens de Cristo, da Bem-aventurada Virgem e dos Santos. “.

31. Preces feitas aos santos e padroeiros

32. Origem dos santos e padroeiros

33. Poder dos santos e padroeiros

34. Vínculos dos santos com o espiritismo

35. Milagres dos santos e padroeiros

37. Santos e padroeiros como mediadores

38. Devoção aos santos e padroeiros

39. Ajoelhar-se diante dos santos e padroeiros

40. Fotografias e figuras dos santos

 

RESPOSTAS SOBRE AS IMAGENS

“As imagens de Cristo e da Virgem Maria. Mãe de Deus e de outros santos devem ser possuídas e guardadas, especialmente nas igrejas, e deve ser alvo de honra e veneração”. ”Deve-se prestar honra e veneração às imagens” (3° Catecismo – p. 75). O papa Pio IV, em 1564, decretou que o devoto deve manter imagens… e que a elas se deve prestar honra e veneração. Todas as palavras na Bíblia são declaradas completamente verdadeiras e destituídas de erros (Nm 23.19). Porém, a imagem que é o mesmo que ídolo, é condenada expressamente por Deus. Veja o que a Bíblia diz.

41. Fabricação da imagem

42. Veneração da imagem

43. Quem se esconde atrás das imagens ?

44. O que a imagem ensina aos devotos ?

45. Como Deus vê a imagem levada no andor ?

46. Quem responde a reza feita à imagem ?

47. A que Deus compara a imagem ?

48. Como é descrito quem participa de procissão ?

49. O que Deus fará às imagens ?

50. O que acontecerá na vida de quem serve à imagem ?

51. O que acontece à casa que tem imagem ?

52. O que ocorre à pessoa que confia na imagem ?

53. O que você deve fazer com as imagens ?

54. Altares das imagens

55. Imagens dos santos

 56. Preces e novenas feitas às imagens

57. Capela e andor da imagem

58. Festas feitas para as imagens

59. O que ocorre à terra onde se venera imagens ?

60. O que Deus diz das imagens em forma de figuras

61. O que fazer com imagens dadas como presente ?

62. Como a imagem afeta o devoto ?

 63. O que Deus tem a dizer ao devoto ?

 64. Imagens conservadas na família

 65. O que Deus pensa das imagens ?

a) Crucifixo

 b) A simples existência da imagem é condenada em toda a Bíblia

c) Não mantenha nenhum vínculo com as imagens

d) A Bíblia é clara sobre o que fazer com as imagens

e) Exemplos de destruição de imagens

 

RESPOSTAS SOBRE O PAPA

A história mostra que o papado foi criado com fins políticos. O primeiro papa foi Leão I (440-461 d.e.) e não Pedro. Não há este título na Bíblia (Ef 4.11).

66. Pedro foi o prinreiro papa ?

67. O Papa ter a chave do céu

68. Sobre Pedro ter sido o Papa da Igreja Primitiva

69. O Papa permitir que se ajoelhem diante dele

70. O Papa ser o Pontífice

71. Vida sexual do papa

72. Perseguição da Igreja Católica aos que defendia ser a Bíblia

73. A “Santa” Inquisição

74. A foto e as bênçãos do Papa

75. Infalibilidade papal

a) Os crimes dos Papas

 

RESPOSTAS SOBRE A IGREJA CATÓLICA E A SALVAÇÃO

C. S. Lewis diz que “Deus não nos salva por sermos bons, mas nos toma bons por ter-nos salvo”. “Jesus morreu pelos pecadores indignos, sem nenhum atrativo nem mérito”, afirma Billy Grahan. Pois, “o que levou Deus agir em nosso favor não foi aJgo em nós (algum suposto mérito) mas, ango Nele mesmo (Seu próprio favor que não merecíamos).”

76. Salvação pelas obras

77. Salvação que vem através da religião

78. Salvação pelos mandamentos e tradição

79. Salvação pela maravilhosa graça

 

RESPOSTA PARA AS CRENÇAS CATÓLICAS

A Bíblia responde claramente às doutrinas católicas. Analise-as.

80. Os vários caminhos para Deus

81. Sinal-da-cruz

82. Água benta

83. Uso do crucifixo

84. Sobre a vela

86. Crisma e primeira comunhão

87. Rosário, as rezas repetitivas, os terços e as novenas e o Pai-Nosso

88. Missa

89. Santa Ceia

90. Hóstia “Consagrada”

91. Extrema-unção, missa de sétimo dia e Dia de finados

92. Sacerdócio e celibato

93. Purgatório

94. Batismo infantil

95. Confissão e abstinência de alimentos

 

RESPOSTAS PARA OS CATÓLICOS CARISMÁTICOS

O Catolicismo Carismático começou em 1966 em Pittsburgh. Pensilvânia, USA, na Universidade de Duquesne, propondo conter o avanço dos pentecostais. No Brasil, instalou-se em Campinas com o jesuíta Harold 1. Rahm. Apesar de afirmarem-se iguais aos evangélicos, conservam crenças contrárias à Bíblia.

96. A verdadeira obra do Espírito Santo

a) É verdadeira quando engrandece a estima da pessoa por Jesus

b) É verdadeira se agir contra os interesses do reino de Satanás

c) É verdadeira quando centraliza-se nas Sagradas Escrituras

97. Autenticidade da obra do Espírito Santo

98. Espírito Santo, Igreja e ídolos

99. Uso de fitinhas de padroeiros

100. A padroeira venerada pelos carismáticos

 

HUMOR CRISTÃO: Os 10 Mandamentos de Frei Damião para ESPANTAR CRENTE !