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HARPA CRISTÃ – Resumo Histórico

A Harpa Cristã o hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil

Eusébio de Cesaréia (260-340) é considerado, com justa razão, o pai da História da Igreja Cristã. O que poucos estudiosos sabem é que ele foi também um grande apreciador da verdadeira música sacra. Embora vivesse num período em que esta apenas ensaiava seus primeiros passos, pôde Eusébio externar-se muito emocionado:

Nós cantamos o louvor de Deus com saltério vivo. Porque mais agradável e caro a Deus do que qualquer instrumento é a harmonia da totalidade do povo cristão. Nessa cítara é a totalidade do corpo, por cujo movimento e ação a alma canta hinos adequados a Deus, e nosso salteio de dez cordas é a veneração do Espírito Santo pelos cinco sentidos do corpo e as cinco virtudes do espírito.

Nós, pentecostais, também temos o nosso saltério; a Harpa Cristã . Ao longo dessas décadas de avivamento e visitações contínuas ao cenáculo, vimos caracterizando-nos como uma fervorosa comunidade de adoração. E não foi sem motivo que os pioneiros oficiais houveram por bem denominar nosso hinário oficial de Harpa Cristã . Vejamos, pois, a natureza e a formação de nosso hinário.

I. O QUE É A HARPA CRISTÃ

A Harpa Cristã é o hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil. Ela foi especialmente organizada com o objetivo de enlevar o cântico congregacional e proporcionar o louvor a Deus nas diversas liturgias da igreja: culto público, santa ceia, batismo, casamento, apresentação de crianças, funeral, etc.

A sua primeira finalidade é transformar nossas igrejas e congregações em comunidades de perfeita adoração ao Único e Verdadeiro Deus. Não pode haver igreja sem louvor.

II. O INÍCIO DO CÂNTICO CONGREGACIONAL DA ASSEMBLEIA DEUS NO BRASIL

Em seus primórdios, a Assembleia de Deus usava os Salmos e Hinos , que também era utilizado por diversas igrejas evangélicas históricas. Mas em virtude de nossas peculiaridades doutrinárias, os pioneiros sentiram a necessidade de um hinário que também enfocasse as doutrinas pentecostais.

III. O CANTOR PENTECOSTAL

Em virtude dessa premência, foi lançado em 1921, o Cantor Pentecostal . Impresso pela tipografia Guajarina, sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho, tinha o pequeno hinário 44 hinos e 10 corinhos.

O Cantor Pentecostal foi distribuído pela Assembleia de Deus de Belém, PA, que, naquela época, achava-se localizada na Travessa 9 de janeiro, 75.

IV. O SURGIMENTO DA HARPA CRISTÃ

Em 1922, foi lançada em Recife, PE, a primeira edição da Harpa Cristã, que viria a se tornar no hinário oficial das Assembleias de Deus. Sob a orientação editorial do Pastor Adriano Nobre, teve uma tiragem inicial de mil exemplares, e foi distribuída para todo o Brasil pelo missionário Samuel Nyström.

A segunda edição da Harpa Cristã , já como 300 hinos, foi impressa nas Oficinas Irmãos Pangeti, no Rio de Janeiro, em 1923. Já em 1932, tinha a Harpa Cristã 400 hinos.

V. A ELABORAÇÃO DOS HINOS

Na elaboração de nossos hinos, muito contribuiu o missionário Samuel Nyström. Como não tivesse perfeito conhecimento da língua portuguesa, ele traduziu, literalmente, diversas letras da riquíssima hinódia escandinava. Para que os poemas fossem adaptados às suas respectivas músicas, foi necessário que o Pastor Paulo Leivas Macalão empreendesse semelhante tarefa. Por isso, tornou-se o Pastor Macalão no principal elaborador e adaptador de nosso hinário oficial.

VI. A HARPA CRISTÃ COMO LETRA E MÚSICA

Em 1937, a Convenção Geral das Assembleias de Deus, reunida em São Paulo , nomeou uma comissão para editar e imprimir a primeira Harpa Cristã com música. Desta comissão faziam parte: Emílio Conde, Samuel Nyström, Paulo Leivas Macalão, João Sorhein e Nils Kastiberg. Neste empreendimento, também tomou parte ativa o Dr. Carlos Brito,

VII. A HARPA CRISTÃ COM 524 HINOS

Com o passar dos tempos, outros hinos foram sendo acrescentados até que o nosso hinário oficial atingisse 524 hinos. Número esse que, durante várias décadas, caracterizou a Harpa Cristã.

Até 1981, quase todos os hinos da Harpa Cristã já haviam sido revisados. Os mais altos foram transpostos para tons mais acessíveis ao cântico congregacional.

VIII. A HARPA CRISTÃ ATUALIZADA

Em 1979, mediante proposta apresentada pelo Pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da CPAD, cumprindo resolução da Assembleia Geral da CGADB reunida em Porto Alegre , naquele ano, nomeou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã.

A comissão era formada pelos seguintes Pastores: Paulo Leivas Macalão, Túlio Barros Ferreira, Nicodemos José Loureiro, Antonio Gilberto, e João Pereira. Nesta empreitada, também tomou parte ativa o Pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados: João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras.

Lançada em 1992, a Harpa Cristã Atualizada foi aceita em muitas igrejas, mas a maioria optou por ficar com a Harpa Tradicional. De qualquer forma, a experiência serviu para rever a hinódia pentecostal, tornando-a mais viva e participativa em nossas reuniões.

IX. A HARPA CRISTÃ AMPLIADA

Tendo em vista as necessidades de nossa igreja, a CPAD, sob a direção executiva de Ronaldo Rodrigues de Souza, compreendeu ser urgente a ampliação da Harpa Cristã tradicional. E, sim, foram acrescentados mais 116 hinos a fim de atender a todas as exigências cerimoniais e litúrgicas da igreja.

A Harpa Cristã Ampliada , lançada em 1999, com 640 hinos, representa mais um avanço da já riquíssima hinódia pentecostal.

CONCLUSÃO

A Harpa Cristã é o hinário oficial das Assembleias de Deus com 640 hinos que são entoados nos cultos congregacionais. A primeira versão conhecida com letra e musica data de 1929 com originais manuscritos e copiada em processo mimeográfico.

Em 1941 teve sua primeira edição impressa, tendo participado deste trabalho os irmãos Samuel Nyström, Paulo Macalão, Jahn Sorheim e Nils Katsberg.

Em Janeiro de 1999 a CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus, publicou a Harpa Cristã, Revisada e Ampliada com 640 hinos.

Rogamos a Deus, pois, para que a Harpa Cristã continue a levar o Evangelho de Cristo e o avivamento a todos os cantos de nosso país. Cantando também se evangeliza. Cantando também se promove o avivamento. Não foi o que fizeram nossos pioneiros?

PS : Existem hoje, no Brasil, diversas denominações evangélicas, de cunho pentecostal, que utilizam o nosso hinário. Essas igrejas, muitas delas neo-pentecostais, tem encontrado em nosso cancioneiro não somente a melodia, mas também a mensagem que faz a diferença no mundo espiritual.

Abaixo, os diversos modelos de Harpa Cristã, editadas pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus no Brasil – CPAD. Organizada com objetivo de elevar o cântico congregacional e proporcionar um melhor louvor a Deus, a Harpa Cristã, com um total de 640 hinos, representa mais um avanço que auxiliará na divulgação do evangelho através do louvor a Deus. Além das Harpa Cristã , edições variadas, há também as publicadas junto com as diversas Bíblias, de cores e tamanho variados, agradando a todo o tipo de faixa etária incluídos de nossas igrejas.

Harpa Cristã com Música Mi Bemol

Esta harpa é para instrumentos de sopro que são do tom de Mi bemol: Requinta, Sax Alto, Tuba, Clarone Alto, Sax Horn, Genis, Sax Barítono. Da mesma forma que a Harpa em Si Bemol, esta Harpa só tem a clave de Sol, com duas notas somente, a primeira nota é a melodia do hino, a segunda seria a segunda voz do hino, no caso, a voz do contralto. Nesta Harpa, não possui a letra dos hinos e nem Cifras.

Harpa Cristã com Música Si Bemol (Bb)

Esta harpa é para instrumentos de sopro que são do tom de Si Bemol: Trompete, Clarinete, Sax Tenor, Sax Soprano, Barítono, Tuba. Nesta harpa só tem a clave de Sol, com duas notas somente, a primeira nota é a melodia do hino, a segunda seria a segunda voz do hino, no caso, a voz do contralto. Nesta Harpa, não possui a letra dos hinos e nem Cifras.

Texto extraído do Manual da Harpa Cristã, edições CPAD, 1ª edição, 1999, pgs. 11/16.

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GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG – A história dos fundadores da (s) Assembléia (s) de Deus no Brasil

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Em 2011, completou-se 100 anos que os pioneiros suecos Adolf Gunnar Vingren e Daniel Högberg, mais conhecidos como Gunnar Vingren e Daniel Berg, deram início ao maior Movimento Pentecostal do mundo – as Assembleias de Deus no Brasil. Mas, como se deu a chamada deles ao Brasil?

Berg e Vingren se conheceram poucos anos antes de fundarem a AD brasileira, quando ainda estavam nos Estados Unidos – Berg, dedicando-se apenas aos trabalho secular e Vingren, como pastor ordenado pela Igreja Batista Sueca nos EUA. Ambos já haviam sido inflamados pelas chamas do Movimento Pentecostal norte-americano quando compartilharam entre si suas experiências e, juntos, em oração, receberam o chamado para o nosso país.
 
Gunnar Vingren nasceu em Ostra Husby, Ostergotland, Suécia, a 8 de agosto de 1879. Era filho de pais batistas, que lhe ensinaram desde cedo a trilhar nos caminhos santos. Ainda muito pequeno, seus pais o levavam à Escola Dominical, onde seu pai era dirigente.
 
Em 1897, aos 18 anos, foi batizado nas águas na Igreja Batista em Wraka, Smaland, Suécia. Nessa época, assumiu a direção da Escola Dominical de sua igreja, substituindo seu pai. Em 14 de julho daquele ano, um artigo de uma revista, que falava sobre os sofrimentos de tribos nativas no exterior, o levou às lagrimas e a uma decisão que mudaria o rumo de sua vida. “Subi para o meu quarto e ali prometi a Deus pertencer-lhe e pôr-me à sua disposição, para honra e glória de seu nome. Orei também insistentemente para que Ele me ajudasse a cumprir esta promessa”, relata o homem de Deus.
 
Em outubro de 1898, deixou a direção da Escola Dominical e foi participar de uma Escola Bíblica em Götabro, Närke. “Nunca mais na minha vida recebi uma instrução bíblica tão profunda como aquela. Pastor Kihlstedt nos quebrantava completamente com a Palavra de Deus. Ele nos tirava tudo, tudo, até que ficássemos inteiramente aniquilados como pó diante dos pés do Senhor. Depois vinha o irmão Emílio Gustavsson com o óleo de Gileade, e sarava as feridas da alma, alimentando nossos corações famintos com o melhor trigo dos celeiros de Deus. Oh, que tempo aquele! Fez-me bem pelo resto de toda a minha vida”, conta Vingren em suas memórias.
 
Aquela Escola Bíblica durou um mês e fazia parte de uma Federação Evangélica que tinha o objetivo de ganhar almas para Cristo. Depois dela, Vingren foi enviado com o evangelista Soderlund à província de Skane, seu primeiro campo de trabalho. Em seguida, evangelizou nas províncias de Västergötland e Tidaholm, onde adoeceu de papeira e foi curado instantaneamente após a oração de um grupo de irmãos. De lá, evangelizou em Rönneholm e retornou a Skane.
 
Após o serviço militar, foi atraído pela “Febre dos Estados Unidos”. Em 30 de outubro de 1903, embarcou na cidade de Gotemburgo num vapor que o levou à cidade de Hull, na Inglaterra. Dali, foi de trem para Liverpool, onde pegou outro vapor, com destino a Boston, Massachusets (EUA). Chegando lá, tomou um trem até Kansas City, onde morava seu tio Carl. Depois de uma semana, começou a trabalhar como foguista em Greenhouse até o verão. Foi porteiro de uma grande casa comercial na região e jardineiro, profissão que aprendera com seu pai. Em fevereiro de 1904, conseguiu um emprego no Jardim Botânico de Saint Louis. Aos domingos, Vingren assistia os cultos de uma igreja sueca estabelecida naquela cidade.
 
Em setembro de 1904, iniciou um curso de quatro anos no Seminário Teológico Batista Sueco, em Chicago. Durante o tempo em que morou em Kansas, pertencera à Igreja Batista sueca, onde fora exortado a voltar a estudar. Durante o curso, foi convidado a pregar em vários igrejas. Pelo Seminário, estagiou sete meses na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. Depois, estagiou nas Igrejas Batistas em Sycamore, Illinois; Blue Island, também em Illinois; e, por fim, em Mountain, Michigan.
 
Concluiu seus estudos e foi diplomado em maio de 1909. Nesse período, entregou uma solicitação para ser enviado como missionário. Enquanto a resposta não chegava, foi convidado para assumir o pastorado da Igreja Batista em Menominee, Michigan. Em junho daquele ano, assumiu a direção da igreja.
 
Nesse período, participou da Convenção Geral Batista dos Estados Unidos, onde foi decidido que seria enviado missionário para Assam, na Índia, juntamente com sua noiva. A Convenção Batista do Norte o sustentaria. No início, Vingren convenceu-se de que esta era a vontade de Deus, mas, durante a Convenção, Deus mostrou-lhe o contrário. Voltando à sua igreja, enfrentou uma grande luta por causa de sua decisão. Finalmente, resolveu não aceitar a designação e comunicou sua decisão à Convenção por escrito. Por esse motivo, a moça com quem se enamorara rompeu o noivado. Ao receber a carta dela, respondeu: “Seja feita a vontade do Senhor”.
 
Por esse tempo, despontava um grande avivamento nos Estados Unidos, que culminou no atual Movimento Pentecostal que se espalhou pelo mundo no século 20. Nessa época, uma irmã que tinha o dom de interpretar línguas foi usada por Deus para dizer-lhe que seria enviado ao campo missionário, mas “somente depois de revestido de poder”.
 
No verão de 1909, Deus encheu o coração de Vingren com o desejo de receber o batismo no Espírito Santo. Em novembro daquele ano, ele pediu permissão à sua igreja para visitar a Primeira Igreja Batista Sueca, em Chicago, onde se realizava uma série de conferências. O seu objetivo era buscar o batismo no Espírito Santo. Após cinco dias de busca incessante, foi revestido de poder, falando em outras línguas como os discípulos no Dia de Pentecostes.
 
Foi nessas conferências que conheceu Daniel Berg, que se tornaria mais à frente seu grande amigo.
 
O encontro entre Berg e Vingren
 
Daniel Högberg, conhecido no Brasil como Daniel Berg, nasceu a 19 de abril de 1884, na pequena cidade de Vargon, na Suécia, às margens do lago de Vernern. Quando o Evangelho começou a entrar nos lares de Vargon, seus pais, Gustav Verner Högberg e Fredrika Högberg, o receberam e ingressaram na Igreja Batista. Logo procuraram educar o filho segundo os princípios cristãos. Em 1899, Daniel converteu-se e foi batizado nas águas.
 
Em 1902, aos 18 anos, pouco antes do início da primavera nórdica, deixou seu país. Embarcou a 5 de março de 1902, no porto báltico de Gothemburgo, no navio M.S.Romeu, com destino aos Estados Unidos. “Como tantos outros haviam feito antes de mim”, frisava. O motivo foi a grande depressão financeira que dominara a Suécia naquele ano.
 
Em 25 de março de 1902, Daniel desembarcou em Boston. No Novo Mundo, sonhava, como tantos outros de sua época, em realizar-se profissionalmente. Mas, Deus tinha um plano diferente e especial para sua vida.
 
De Boston, viajou para Providence, Rhode Island, para se encontrar com amigos suecos, que lhe conseguiram um emprego numa fazenda. Permaneceu nos Estados Unidos por sete anos, onde se especializou como fundidor. Com saudades do lar, retornou à cidade natal, onde o tempo parecia parado. Nada havia se modificado. Só seu melhor amigo, companheiro de infância, não morava mais ali. “Vive em uma cidade próxima, onde prega o Evangelho”, explicou sua mãe.
 
Logo chegou a seu conhecimento que seu amigo recebera o batismo no Espírito Santo, coisa nova para sua família. A mãe do amigo insistiu para que Daniel o visitasse. Aceitou o convite. No caminho, estudou as passagens bíblicas onde se baseava a “nova doutrina”. Chegando à igreja do amigo, encontrou-o pregando. Sentou e prestou atenção na mensagem. Após o culto, conversaram longamente sobre a “nova doutrina”. Daniel demonstrou ser favorável. Em seguida, despediu-se e partiu, pois sua intenção não era permanecer na Suécia, mas retornar à América do Norte.
 
Em 1909, após despedir-se dos pais, em meio à viagem de retorno aos Estados Unidos, Daniel orou com insistência a Deus, pedindo o batismo no Espírito Santo. Como não estava preocupado como da primeira vez, posto que já conhecia os EUA, canalizou toda a sua atenção à busca da bênção. Ainda no navio, ao aproximar-se das plagas norte-americanas, sua oração foi respondida.
 
A partir de então, sua vida mudou. Daniel passou a evangelizar como nunca e a contar seu testemunho a todos. Foi então que, por ocasião das já mencionadas conferências em Chicago, Daniel encontrou-se com o pastor batista Gunnar Vingren, que também fora batizado no Espírito Santo. Os dois conversaram horas sobre as convicções que tinham. Uma delas é que tanto um como o outro acreditavam que tinham uma chamada missionária. Quanto mais dialogavam, mais suas chamadas eram fortalecidas.
 
Ao voltar à sua igreja em Menominee após as conferências em Chicago, Vingren começou a pregar a verdade de que “Jesus batiza no Espírito Santo e com fogo”. Em fevereiro de 1910, Vingren foi intimado a se afastar da igreja, que ficou dividida: metade cria na promessa e a outra a rejeitava. Os que rejeitaram obrigaram-no a deixar o pastorado.
 
No entanto, Vingren recebeu o apoio da Igreja Batista em South Bend, Indiana. Todos ali o receberam e creram na verdade. Na primeira semana, Jesus batizou dez pessoas no Espírito Santo. Naquele verão, quase vinte pessoas receberam a promessa. Assim, Deus transformou a Igreja Batista de South Bend em uma igreja pentecostal. Vingren pastoreou-a até 12 de outubro de 1910, quando começou a preparar-se para a viagem ao Brasil.
 
Quando Vingren voltou a South Bend, Berg estava trabalhando em uma quitanda em Chicago quando o Espírito Santo mandou que se mudasse para South Bend. Berg abandonou seu emprego e foi até lá, onde encontrou Vingren pastoreando aquela Igreja Batista. “Irmão Gunnar, Jesus ordenou-me que eu viesse me encontrar com o irmão para juntos louvarmos o seu nome”, disse Berg. “Está bém!”, respondeu Vingren com singeleza. Passaram, então, a encontrarem-se diariamente para estudar as Escrituras e orar juntos, esperando uma orientação de Deus.
 
O chamado e a chegada ao Brasil
 
Foi em South Bend que Vingren e Berg foram revelados pelo Espírito Santo, através da instrumentalidade do irmão Olof Uldin (que havia conhecido Vingren e Berg), sobre vários acontecimentos futuros a respeito dos dois. Entre outras coisas, Deus lhes disseras que deveriam ir para um lugar chamado Pará; que o povo desse lugar era de um nível social muito simples; que Gunnar deveria lhes ensinar os rudimentos da doutrina bíblica; que Berg e ele comeriam comidas simples, mas não lhes faltaria nada; e que Vingren casaria com uma moça chamada Strandberg (Anos depois, quando de retorno à Suécia após o início da obra no Brasil, Vingren conheceria a enfermeira Frida Strandberg, com quem se casaria).
 
Ao ouvirem pela primeira vez o nome do lugar para onde Deus os chamara, não sabendo onde era, foram até a biblioteca pública da cidade, onde descobriram que o Pará ficava no Norte do Brasil. Depois de orarem, Berg e Vingren aceitaram o destino.
 
Após a revelação divina dada ao irmão Olof Uldin de que o lugar para onde deveriam ir era o Pará, no Brasil, Daniel Berg, contra a vontade dos seus patrões, abandonou o emprego. Eles argumentaram: “Aqui você pode pregar o Evangelho também, Daniel; não precisa sair de Chicago”. Mas, ele estava convicto da chamada e não voltou atrás.
 
Ao se despedir, Berg recebeu de seu patrão uma bolacha e uma banana. Essa era uma tradição antiga nos Estados Unidos. Simbolizava o desejo de que jamais faltasse alimento para a pessoa que recebesse a oferta. Esse gesto tocou o coração de Berg, que em seguida partiu com Vingren para Nova Iorque, e de lá para o Brasil em um navio.
 
Deus proveu milagrosamente a quantia certa para a viagem. Durante a viagem, ganharam um tripulante para Cristo. Quatorze dias após saírem de Nova Iorque, chegaram ao Pará. Era o dia 19 de novembro de 1910.
 
Em Belém, moraram no porão da Igreja Batista localizada na Rua Balby, 406. Depois, passaram um tempo na casa do irmão presbiteriano Adriano Nobre, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru. Hospedaram-se no mesmo quarto onde morava o irmão Adrião Nobre, primo de Adriano. De volta a Belém, retornaram ao porão da igreja. Por esse tempo, já falavam um pouco de português. O primeiro professor deles fora o irmão Adriano.
 
As irmãs Celina Albuquerque e Maria de Nazaré creram na mensagem pentecostal e receberem o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que culminou na expulsão de 19 membros mais Vingren e Berg. Em 18 de junho de 1911, nascia a Missão de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918 foi registrada oficialmente com um novo nome, Assembleia de Deus, nome este que a nova igreja já usava desde 1916. Era uma igreja sem vínculos estrangeiros, genuinamente brasileira e que se tornaria a maior igreja pentecostal do mundo.
 

LIDERANÇA, AUTORIDADE, SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA

Compreendendo para agir melhor.

A civilização humana é regida por princípios que a tornam viável. Um deles é o que diz respeito à autoridade. Cada pessoa tem seu próprio raciocínio, sua própria vontade. Cada um de nós tem sua própria visão da vida e das circunstâncias e vai, assim, tomando suas próprias decisões (Jz.21.25). Entretanto, quando vivemos em grupo, torna-se necessária uma direção comum. Se cada integrante agir de modo independente, o grupo deixará de existir. Considerando que os agrupamentos humanos existem para que objetivos comuns sejam alcançados, então, em princípio, não convém dispersá-los. Portanto, para que os grupos existam e sejam eficientes, torna-se necessária a figura do líder, ou líderes, com hierarquia definida. O corpo precisa da cabeça para ter direção. Um animal com mais de uma cabeça seria um monstro, como a besta do Apocalipse (13.1). Então, é necessário que haja uma liderança claramente identificada.

Na época dos juízes, o povo de Israel vivia caindo sob o jugo dos inimigos. Rejeitavam a autoridade divina e não havia autoridade humana estabelecida. Não havia rei em Israel (Jz.21.25). Cada juiz se levantava para exercer um ministério de pequena duração. Por outro lado, quando os reis foram estabelecidos, a nação judaica conheceu sua época de maior prosperidade em toda a história, principalmente no reinado de Salomão. A partir daí os reis começaram a se corromper, distanciando-se do padrão deixado por Davi. Então todo o povo também foi se perdendo até que foram para o cativeiro.

A melhor parte da história de Israel corresponde ao período em que havia uma liderança estabelecida por Deus e que dirigia o povo de acordo com a vontade divina. Todo grupo precisa de uma liderança. Se ela não existir, cada um fará o que bem lhe parecer, até que o grupo se desintegre. Por outro lado, se a liderança existe mas não é obedecida, é como se não existisse. Os resultados serão, da mesma forma, fracasso e desintegração do grupo.

Havendo liderança, estarão presentes os conceitos de autoridade, submissão e obediência. Embora já tenhamos consciência sobre o assunto, precisamos compreendê-lo com mais profundidade. Quando compreendemos, agimos com base em propósitos conscientes e de modo mais eficiente, deixando de viver apenas reagindo de maneira instintiva.

Termos como “submissão” e “obediência” podem produzir alguma resistência interior. De onde vem esse sombrio sentido que muitas vezes envolve a noção de submissão? Existem marcas do passado, coletivo e até individual, que causam esse pensamento. Quando olhamos para trás, nos lembramos do autoritarismo representado pela escravidão, experiência comum a tantos povos em tantas épocas, e também nos assustam as ditaduras governamentais. A experiência que se teve, ou que não se teve com os pais, é um dos fatores mais decisivos na noção que cada pessoa tem sobre a relação de autoridade e submissão. Por isso, é tão importante que pais e filhos sejam instruídos para que tenham um relacionamento sadio. Um filho que se rebela contra os pais, terá dificuldades para se submeter a qualquer outra autoridade durante toda a sua vida. Entretanto, os próprios pais podem ter sido responsáveis por esse dano, não tendo exercido corretamente sua autoridade.

Liderança – uma questão de organização – Muitas vezes a relação autoridade-submissão é confundida com um confronto entre poder e impotência, força e fraqueza. Embora esses conceitos estejam frequentemente relacionados, não devem necessariamente estar. A liderança existe para que o grupo tenha direção, para que os recursos humanos e materiais possam ser corretamente direcionados visando o objetivo comum. Não significa que o líder seja maior ou mais importante que os seus liderados. Portanto, o líder não deverá se sentir superior nem o liderado inferior. Suas posições são temporárias e necessárias para o funcionamento da organização. Apenas isso. Todos são importantes. O líder precisa do grupo e vice-versa. Muitas vezes, a própria capacidade do líder se transforma em vaidade. Então, está pronto o cenário da sua ruína, e normalmente o grupo é arruinado com ele.

O que é autoridade? É o legítimo poder de comando ou de ação. O líder é aquela pessoa que reúne as condições necessárias para conduzir o grupo ao objetivo comum. Do passado ele precisa trazer conhecimento, experiência e, como resultado, habilidade. Em relação ao presente, precisa ter ampla e clara percepção. Quanto ao futuro, o líder precisa ter visão. Estamos falando de conceitos ideais. Na prática, destaca-se a pessoa que consegue reunir a melhor combinação possível desses elementos.

A percepção faz com que o líder acolha idéias dos seus subordinados. Afinal, o liderado está ali para contribuir. O líder será capaz de CAPTAR o que há de melhor em todos os membros do grupo e DEFINIR o rumo da equipe. Algumas vezes ele RECUSARÁ sugestões e DECIDIRÁ o que será feito, mas, se o líder é SÁBIO, CAPAZ E HABILIDOSO, sua decisão obterá reconhecimento, respeito e apoio, sem agressões nem traumas, uma vez que o grupo reconhece que o OBJETIVO está sendo buscado.

O conhecimento que o líder possui é fundamental para o desempenho do seu papel. Geralmente, o pastor conduz o rebanho por um caminho conhecido. Ele mesmo já passou por ali antes. Em outros casos, o caminho não é conhecido mas o pastor já conhece tantos caminhos, que pela simples observação já sabe dizer se aquele lugar é seguro ou não. O líder precisa dar exemplo (Hb.13.7), tomar a iniciativa, sendo o primeiro a praticar o que exige. Precisa cuidar do grupo, buscando o bem e o objetivo coletivo. Assim, será obedecido com alegria

Tipos de autoridade e liderança

Natural – ocorre a partir do notório conhecimento ou habilidade em determinada área ou assunto.

Eleita – é a liderança escolhida pelos liderados em razão do reconhecimento de suas características naturais.

Delegada – é a autoridade transferida hierarquicamente. Seu exercício se estabelece por indicação superior.

Imposta – é a autoridade exercida por meio da força. A imposição não é o melhor caminho. Algumas vezes isso significará a existência de uma falsa autoridade, ou ocorrerá como resposta à resistência à verdadeira autoridade. O uso da força será legítimo em alguns contextos, como é o caso da força policial e judicial (Rm.13.4). Na família, por exemplo, os pais podem impor aos filhos determinadas ações necessárias ou disciplina (Pv.13.24; 22.15; 23.13-14; 29.15). Contudo, a força precisa estar limitada aos termos da lei e do benefício maior que se deseja (Pv.19.18). Em alguns contextos, não existe lugar para o uso da força (Zc.4.6). Na administração da igreja, por exemplo, nada se fará por meio da força e da violência, mas voluntariamente, por amor, e pela ação do Espírito Santo.

Os conceitos sobre tipos de autoridade podem aparecer em conjunto. Quando alguém se destaca como líder natural e é eleito pelo grupo, isso se torna bastante agradável e produtivo. Se a autoridade for delegada a uma pessoa naturalmente capaz, então o resultado também poderá ser positivo. Muitas vezes a autoridade é transmitida por hereditariedade. Isso ocorre principalmente nos regimes monárquicos. Se o herdeiro do trono é uma pessoa capaz, então, sua autoridade é natural e poderá ser muito bem sucedida. Contudo, algumas vezes a autoridade é herdada sem a respectiva capacidade. O resultado é a imposição, a ditadura, a insatisfação geral e o fracasso. Nos livros dos Reis de Israel e Judá encontramos vários relatos que podem ilustrar tais situações.

Quando pensamos no contexto eclesiástico da questão, devemos nos lembrar de que, além das capacidades naturais, Deus nos dá capacidades espirituais, dons e ministérios que vão muito além do que poderíamos fazer por nós mesmos (II Cor.3.5). O líder espiritual deve ter o conhecimento e os dons necessários para o exercício do seu ministério. Como alguém pode ser um pastor sem conhecer as Sagradas Escrituras?

A origem da autoridade legítima está em Deus (Rm.13.1). Tal afirmação tem fundamento bíblico, mas seu entendimento na prática nem sempre é fácil. Quando vemos um líder bom, logo reconhecemos que sua autoridade vem de Deus. Quando vemos um líder mau, temos a tendência de questionar sua autenticidade. Afinal, existem líderes que governam com base em falsas doutrinas e até em nome do Diabo, como é o caso dos líderes satanistas. Nesses casos, não existe autoridade legítima. Contudo, Deus permite que tais líderes subsistam, por motivos que fogem ao nosso conhecimento. Alguns deles são, como o próprio Satanás, instrumentos da ira e do juízo divino.

Mesmo que uma autoridade seja legítima, existem diferentes modos de exercê-la. O líder pode ser duro, áspero, cruel, ou pode, e deve ser, amável e respeitoso (Pv.29.21). Pelo menos, no contexto eclesiástico, é o que se espera do líder: um coração de bom pastor e bom pai. O autoritarismo ocorre quando não há respeito aos subordinados nem aos limites da autoridade. O líder não deve usar sua autoridade como pretexto para ser cruel, mal ou grosseiro. O líder não está autorizado a humilhar gratuitamente seus subordinados, embora a legítima disciplina possa ser, inevitavelmente, humilhante. Contudo, até nesse momento, o líder precisa ser equilibrado para não submeter o subordinado infrator a um vexame desnecessário. A dignidade humana deve sempre ser levada em consideração. Talvez seja melhor morrer dignamente do que viver humilhado. A bíblia diz: “humilhai-vos perante o Senhor e ele vos exaltará” (Tg.4.10). Cada um deve humilhar a si mesmo na medida necessária, se for necessário. A bíblia nunca disse: humilhai-vos uns aos outros.

Pode haver situações em que o líder precisará agir com rigor, mas estes serão casos excepcionais. O rigor deve ser a exceção e não a regra. Talvez nas instituições militares a austeridade seja sempre necessária, mas não vejo dessa forma o convívio na igreja.

Limites da autoridade – O único que possui autoridade suprema é Deus. No que diz respeito ao contexto humano, a autoridade está pulverizada em áreas abstratas e concretas: são as “jurisdições”. A tentativa de concentrar autoridade absoluta nas mãos de um homem, só pode produzir equívocos, arbitrariedades e males abundantes. Para ter todo poder e toda autoridade, o líder precisaria ter todo o conhecimento e estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Como sabemos, o único onisciente e onipresente é Deus. Por isso, só ele é onipotente. Os três conceitos são tão intrínsecos entre si que não podemos lhes atribuir uma ordem rigorosa.

A desconsideração dos limites da autoridade traz como resultado o autoritarismo. A verdadeira autoridade deverá:

Estar sujeita a uma autoridade superior. Isso só não acontece nos governos autocráticos. Em nosso sistema, a constituição está acima dos poderes da república. O exemplo mencionado por Paulo é bastante oportuno: O marido é o cabeça da mulher, mas ele mesmo tem um cabeça que é Cristo, e Cristo tem um cabeça, que é Deus (I Cor.11.3). No caso dos líderes da igreja, deve haver uma hierarquia e sobre todos eles está Cristo, pois ele é o cabeça da igreja. Se um líder rejeita as autoridades superiores a ele, então sua própria autoridade será questionada, pois quebrou a hierarquia (Col. 2.18-19). Assim, se um líder estabelece decisões contrárias ao que conhecemos da vontade de Deus, então tais ordens deverão ser desobedecidas. Afirmamos isso com fundamento bíblico, porque “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At.4.19). As parteiras egípcias desobedeceram ao rei Faraó, quando este ordenou que os meninos hebreus fossem assassinados (Êx.1.17). Raabe desobedeceu ao rei de Jericó quando este lhe ordenou que entregasse os espias israelitas (Js.2.3-4). Os magos desobedeceram ao rei Herodes, quando este lhes pediu que fosse informado sobre a localização do menino Jesus (Mt.2.8,12). Os apóstolos desobedeceram às autoridades públicas, quando estas lhes proibiram de pregar o evangelho (At.4.19). Contudo, este argumento não pode ser usado como desculpa para justificar a rebeldia, a preguiça e outros motivos escusos que venham produzir a desobediência.

A verdadeira autoridade deve limitar suas exigências. Vemos em Atos 15, que os apóstolos decidiram exigir dos gentios apenas o que era necessário, imprescindível. Portanto, o que era necessário para os israelitas no deserto, e por isso foi exigido por Deus, já não é necessário para nós hoje. Sabemos que em vários setores, o nível de exigências pode variar, pois a necessidade também varia. O líder precisa estar atento aos limites de seus liderados, procurando manter suas decisões e ordens dentro das possibilidades de execução. Os prazos de cumprimento e a organização geral das tarefas serão bastante favoráveis para que as exigências sejam cumpridas de modo suave e agradável. Numa guerra isso não é possível, mas nem sempre estamos em guerra.

A verdadeira autoridade decide com base nos objetivos do grupo – O líder não deve manipular os liderados na direção do seu belprazer (Col.2.18-19), buscando seus interesses egoístas. Por exemplo, a autoridade de trânsito comanda o fluxo de veículos de acordo com a legislação e a necessidade e não para atender suas preferências pessoais.

O líder cristão conduz a igreja ou grupo de irmãos de acordo com o padrão bíblico e não com o objetivo de construir seu próprio patrimônio ou exaltar seu próprio nome. Este e outros parâmetros podem ajudar a identificar os lobos vestidos de ovelhas, cujo objetivo não é conduzir o rebanho mas extrair dele o maior benefício pessoal possível. Isso não significa que o verdadeiro líder não possa ser beneficiado. Certamente o será, mas junto com o grupo e não em detrimento deste.

Liderança segundo Jesus Cristo – Podemos mencionar muitos exemplos históricos, inclusive bíblicos, sobre relações de autoridade e submissão. São episódios diversos, bons ou maus, mas acima de tudo isso está o conceito revolucionário que Jesus trouxe sobre essa questão: o líder cristão é um servo. Sob o ponto de vista humano, natural, tal afirmação é completamente absurda. Portanto, temos diante de nós dois padrões de liderança: o modelo mundano e o modelo de Cristo. Vejamos as palavras do Mestre sobre o assunto:

“Jesus, pois, chamou os seus discípulos para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mt.20.25-28).

Os discípulos, em seu tempo de imaturidade, viviam disputando entre si para ver qual deles seria o maior. Esperavam que Jesus libertasse Israel do domínio romano e que, então, cada um deles pudesse ter uma posição de autoridade no Reino de Deus. Qual não foi sua surpresa quando Jesus disse que eles deveriam ser servos! Da mesma forma, todos os líderes cristãos devem ser servos. Os líderes existem para servir à igreja. Ministério, de acordo com o Aurélio é “trabalho ou função de serviço na igreja.” Ministrar é servir. Imbuído desse pensamento, o líder será humilde. Não terá complexo de superioridade nem maltratará seus liderados.

Jesus, o Príncipe da paz, o Rei esperado por Israel, ajoelhou-se e lavou os pés dos discípulos, inclusive os de Judas. Esta é a atitude que o líder cristão deve ter. Não buscando ser servido, mas servir, como o próprio Jesus fez.

A importância da obediência – nós, que estamos debaixo de autoridade, devemos obedecer. Sabendo que nossos líderes estão se empenhando por exercerem uma liderança sábia e justa, nada nos resta senão a fiel obediência. E por quê o faremos? Todo grupo tem um objetivo que justifica sua existência. Se obedecemos, estamos contribuindo para que o objetivo seja alcançado. Se desobedecemos estamos traindo a nós mesmos e prejudicando todo o grupo.

O grande problema da história de Israel foi a desobediência. Aliás, o grande problema da história humana é esse. Adão e eva tinham um único mandamento para cumprir e conseguiram desobedecê-lo. E assim continua até hoje. O povo de Israel foi desobediente ao Senhor. As consequências foram maldições diversas, inclusive o cativeiro, a perda terra de Canaã e a dispersão pelo mundo afora.

As palavras “lei” e “mandamento” parecem pesadas. Contudo, todos os mandamentos de Deus foram estabelecidos para o nosso próprio bem e para que o objetivo da nossa existência seja atingido em plenitude. Portanto, devem ser obedecidos. (Não estamos advogando a favor da lei mosaica, mas da vontade de Deus, de modo geral). Muitas vezes queremos entender as ordens de Deus. É melhor obedecer do que ficar tentando compreender.

Se o aluno desobedecer ao professor, estará prejudicando a si mesmo.

E se o paciente desobedecer ao médico? Pode ser fatal.

O soldado precisa obedecer ao capitão para que a tropa possa alcançar a vitória.

Cada músico da orquestra precisa obedecer ao comando do maestro para que se consiga harmonia e beleza. Se um deles resolver tocar sua própria música ou no seu próprio tom, poderá ter uma sensação de liberdade e independência, mas todo o grupo ficará prejudicado.

O maior exemplo – é o próprio Senhor Jesus. Em seu ministério terreno, Cristo demonstrou total obediência ao Pai. Portanto, além de ser o melhor exemplo de líder, ele é o melhor exemplo de filho e de servo (Hb.5.8; Fp.2).

Relações diversas – Existem vários tipos de relações humanas e em quase todas elas surge a questão da autoridade e submissão. Algumas vezes essas situações são involuntárias. Por exemplo, nascemos em uma família e em um país que não escolhemos. Com isso, podemos estar sujeitos a uma autoridade involuntariamente. Mesmo assim devemos ser obedientes dentro dos limites da consciência, da lei, e da vontade de Deus. Existem porém outros tipos de relação nas quais entramos por nossa própria vontade. Usando a linguagem bíblica, são jugos. Podem ser jugos leves (Mt.11.29-30) ou pesados (II Cor.6.14). Podemos incluir aqui a entrada em um matrimônio, em um grupo de louvor ou em uma comunidade qualquer. O que existe de comum em relações tão diferentes? Entramos por nossa própria vontade. Depois de feito o compromisso, temos a obrigação de cumprir com os deveres que nos forem designados. Existe opção para entrar ou não, mas não existe opção para desobedecer, observados os limites já expostos.

Se entramos voluntariamente em um grupo, não podemos agora agir contra ele. Não podemos desobedecer às determinações do líder. Certamente, o bom líder não é um ditador. O homem de Deus sempre estará pronto para ouvir (Tiago 1.19). Contudo, a decisão é do líder. Ele tem a prerrogativa de permitir uma decisão democrática. Existem assuntos que podem ser levados à votação, como vemos em exemplos bíblicos, mas tudo deve ser feito mediante a oração para que a decisão do líder ou do grupo seja a manifestação da vontade de Deus (At.1.23-26; 6.3-6). O líder estabelece critérios para a decisão do grupo, pode apresentar alternativas previamente selecionadas, e, por fim, vai aprovar ou não a escolha feita. Tudo isso é opcional. O líder pode também decidir sozinho. Se isso será bom ou mau, cada situação vai dizer. Os resultados de uma decisão solitária podem produzir prestígio ou até mesmo causar a queda do líder. Podemos até ajudar a decidir, mas, uma vez que a decisão foi tomada, não podemos desobedecê-la. Aqueles que fazem as leis também estão sujeitos a elas, e devem ser os primeiros a cumpri-las.

Algumas situações de jugo permitem sua dissolução. Não vamos tratar da questão familiar, mas nos concentremos nos demais grupos dos quais fazemos parte. Entramos neles voluntariamente. Da mesma forma podemos sair. O que não podemos fazer é desobedecer à liderança estando dentro do grupo. Portanto, temos opção: obedecemos ou saímos. A saída deve se dar, sempre que possível, de forma cordial e pacífica, e nunca sem oração para que a vontade de Deus seja feita.

Atitudes em relação à autoridade

Submissão é diferente de obediência. Submissão é o compromisso, a postura, atitude interior. Obediência é o cumprimento de uma ordem específica. Precisamos portanto, ser submissos e obedientes. Uma coisa não é suficiente sem a outra. Aquele que diz ser submisso, mas nunca cumpre uma ordem, deverá rever sua posição. Mas existem também aqueles casos de pessoas que cumprem ordens, mas estão se remoendo por dentro. São obedientes, mas não são submissas. Isso é mais comum em situações hierárquicas, onde se utiliza o termo “subordinado”. Querendo ou não, o soldado vai obedecer ao comando. Na igreja, porém, o que se deseja é que sejamos obedientes e também submissos. A submissão está no coração, nas intenções. Quem é submisso, obedece até na ausência do líder (Fp2.12).

O problema da murmuração

A obediência precisa ser aprendida. Precisamos crescer na obediência. O primeiro estágio é simplesmente fazer o que foi ordenado, mas Jesus disse que, se fizermos apenas isso, somos servos inúteis (Lc.17.10). Somos obedientes mas inúteis. Precisamos ir além. Como? Podemos tomar iniciativas próprias, podemos fazer mais do que aquilo que foi exigido, mas vejamos um outro detalhe sutil:

Muitas vezes obedecemos reclamando. Precisamos vencer esse mal. Um dos maiores problemas de Israel no deserto foi a murmuração. Viviam reclamando de tudo, reclamando do líder, reclamando de Deus. Observe que “murmuração” significa “falar baixo.” A murmuração é aquele tipo de reclamação às ocultas, aquela queixa que não produz nada além de disseminar um descontentamento geral.

Qual é a causa da murmuração? A insatisfação. Esta não pode ser simplesmente proibida ou ignorada. É como a ira, um sentimento espontâneo que podemos controlar mas não anular. Ela existe e persiste. O que fazer então? Precisamos examinar a raiz da nossa insatifação. Ele provém de um desejo. Tal desejo é legítimo? É egoísta ou de interesse do grupo?

Nossa insatisfação pode nascer do egoísmo. Então, nada nos resta senão obedecer e calar. Nada de murmurações. A insatisfação pode nascer também de um desejo bom, legítimo e importante. Então, devemos transformar nossa insatisfação numa contribuição para o grupo. Devemos levar ao conhecimento do líder a nossa opinião afim de que todos possam ser beneficiados. Vamos direcionar nossa energia para que o grupo possa melhorar seus planos e seu trabalho. Um dos motivos da insatisfação pode até ser um erro do líder (Ec.10.5).

A murmuração é pecado e pode trazer muitas conseqüências ruins. Se o pecado aconteceu, podemos reconhecer e pedir perdão, ou guardá-lo e sofrer as conseqüências. Mesmo sendo confessado e perdoado o pecado pode trazer conseqüências. Por isso ele é tão maligno (Pv.18.19).

Algumas vezes ficamos insatisfeitos por motivos particulares, mas precisamos lembrar que tudo é feito visando o objetivo do grupo. Podemos conversar com o líder com todo respeito, expondo nosso parecer, mas a decisão é do líder. Contudo, lembre-se de que o grupo não gira em torno de 1 indivíduo. Nem todas as nossas preferências serão atendidas em todo tempo. Porém, o nosso pedido pode ser de interesse geral e até favorável ao alcance do objetivo comum.

Quando um interesse é levado ao conhecimento do líder, ele pode ouvir e aplicar, ou não aplicar por não ser algo bom, ou não aplicar por não existirem recursos. Os liderados precisam também compreender as limitações do líder e do próprio grupo. Os israelitas no deserto estavam exigindo de Moisés muito mais do que aquilo que ele poderia oferecer. Ao invés de esperarem a chegada a Canaã, já queriam desfrutar de tudo no meio do caminho.

Deus é líder perfeito e infalível, mas ainda assim ele nos ouve e às vezes muda situações (Abraão diante de Sodoma, Moisés ao pé do monte Sinai, Jesus no Getsêmani). Quanto mais nas relações humanas deve haver esse diálogo. Nossa posição em relação a Deus nunca vai mudar. Sempre seremos seus filhos e seus servos, submissos a ele. Nas relações humanas, entretanto, nossas posições são alternáveis, exceto em algumas sociedades organizadas em castas. Quem é líder hoje poderá ser liderado amanhã e vice-versa. Por isso, Paulo disse que devemos nos sujeitar uns aos outros.

Anísio Renato de Andrade

Bacharel em Teologia – anisiora@mg.trt.gov.br

Ame-se, mas não se exalte !

Deus dá-nos valor por causa do Seu caráter, não do nosso.

Salmos 113:7-8:

“Ele levanta do pó o pobre, e do monturo ergue o necessitado, para o fazer sentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.”

Deus aprecia-nos e estamos constantemente no Seu pensamento.

Usos e Costumes Defendidos Pelas Assembléias de Deus “no Brasil”

Definindo os Termos

Princípio

“Ato de principiar”. Causa primeira. Origem. Razão fundamental. Elemento que predomina na constituição de um corpo organizado. Ex.: Princípio da vida. Convicção. (Grande Dicionário Ilustrado – Novo Brasil. Ed. 1979).

“Começo. Causa, Origem. Razão fundfamental. Base. Preceito. Regra”. (Dicionário Álvaro Magalhães – E. Globo).

Princípios são bases estabelecidas por Deus para orientação da sociedade humana, que estabelecem parâmetros, dentro dos quais o homem é aceito e se relaciona com o Criador.

“Regras fundamentais e gerais de qualquer ciência ou arte. Ex.: Princípios fundamentais das Ciências, da Física, da Química, da Matemática, da Filosofia, …da Religião”.

Tradição

É a transmissão de ensinos, práticas, crenças de uma cultura de uma geração a outra. A palavra grega para tradição é paradosis, usada no sentido negativo (Mt 15.2; Gl 1.14); e também no sentido positivo (2 Ts 2.15). Quando se coloca a tradição acima da Bíblia ou em pé de igualdade com ela a tradição assume uma conotação negativa. Muitas vezes é usada simplesmente para camuflar nossos pecados. O problema dos fariseus e da atual Igreja Católica é justamente por receber a tradição como Palavra de Deus. Disse alguém: “Tradição é a fé viva dos que agora estão mortos, e tradicionalismo é a fé morta dos que agora estão vivos”.

Quando afirmamos que temos as nossas tradições, não estamos com isso dizendo que os nossos usos e costumes tenham a mesma autoridade da Palavra de Deus, mas que são bons costumes que devem ser respeitados por questão de identidade de nossa igreja. Temos quase 90 anos, somos um povo que tem história, identidade definida, e acima de tudo, nossos costumes sãos saudáveis. Deus nos trouxe até aqui da maneira que nós somos e assim, cremos, que sem dúvida alguma ele nos levará até ao fim.
 

A Resolução

“E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus”, Lv 20.26.

” – A 22ª Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, reunida na cidade de Santo André, Estado de São Paulo, reafirma o seu ponto de vista no tocante aos sadios princípios estabelecidos como doutrina na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil. Imbuída sempre dos mais altos propósitos, ela, a Convenção Geral, deliberou pela votação unânime e dos delegados das igrejas da mesma fé e ordem, em nosso país, que as mesmas igrejas se abstenham do seguinte:

  1. Uso de cabelos crescidos, pelos membros do sexo masculino;
  2. Uso de traje masculino, por parte dos membros ou congregados, do sexo feminino;
  3. Uso de pinturas nos olhos, unhas e outros órgãos da face;
  4. Corte de cabelos, por parte das irmãs (membros ou congregados);
  5. Sobrancelhas alteradas;
  6. Uso de mini-saias e outras roupas contrárias ao bom testemunho da vida cristã;
  7. Uso de aparelho de televisão – convindo abster-se, tendo em vista a má qualidade da maioria dos seus programas; abstenção essa que justifica, inclusive, por conduzir a eventuais problemas de saúde; e
  8. Uso de bebidas alcoólicas.

Esta Convenção resolve manter relações fraternais com outros movimentos pentecostais, desde que não sejam oriundos de trabalhos iniciados ou dirigidos por pessoas excluídas das ‘Assembléias de Deus’, bem como manter comunhão espiritual com movimentos de renovação espiritual, que mantenham os mesmos princípios estabelecidos nesta resolução. Relações essas que devem ser mantidas com prudência e sabedoria, a fim de que não ocorram possíveis desvios das normas doutrinárias esposadas e defendidas pelas Assembléias de Deus no Brasil”.

O Texto

Atendendo parecer do Conselho Consultivo da CGADB encaminhado ao 5º ELAD, em 25 de agosto de 1999, a Comissão analisou à luz da Bíblia, de nosso contexto e de nossa realidade, expressando esses princípios numa linguagem atualizada.
O primeiro ponto que precisa ser expresso numa linguagem atualizada é a declaração: “sadios princípios estabelecidos como doutrina na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil”. O texto não faz distinção entre doutrina e costume. O O Manual do CAPED, edição de 1999, CPAD, Rio, p. 92, diz:

” Há pelo menos três diferenças básicas entre doutrina bíblica e costume puramente humano. Há costumes bons e maus. A doutrina bíblica conduz a bons costumes.”

Quanto à origem

– A doutrina é divina
– O costume é humano

Quanto ao alcance

– A doutrina é geral
– O costume é local

Quanto ao tempo

– A doutrina é imutável
– O costume é temporário

A doutrina bíblica gera bons costumes, mas bons costumes não geram doutrina bíblica. Igrejas há que têm um somatório imenso de bons costumes, mas quase nada de doutrina. Isso é muito perigoso! Seus membros naufragam com facilidade por não terem o lastro espiritual da Palavra”.

A palavra grega usada para “doutrina” no NT é didache, que segundo o Diccionario Conciso Griego – Español del Nuevo Testamento, siginfica: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”.

 (Jo 7.16, 17; At 5.28; 17.19; e didaskalia, que segundo o já citado dicionário é: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”. O Léxico do N.T. Grego/Português, de F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker, Vida Nova, São Paulo, 1991, p. 56,diz que didasskalia é:

 “Ato de ensino, instrução Rm 12.7; 15.4; 2 Tm 3.16. Num sentido passivo = aquilo que é ensinado, instrução, doutrina Mc 7.7; Cl 2.22; 1 Tm 1.10; 4.6; 2 Tm 3.10; Tt 1.9)”; e didache: “ensino como atividade, instrução Mc 4.2; 1 Co 14.6; 2 Tm 4.2. Em um sentido passivo = o que é ensinado, ensino, instrução Mt 16.12; Mc 1.27; Jo 7.16s; Rm 16.17; Ap 2.14s, 24. Os aspectos ativo e passivo podem ser denotados em Mt 7.28; Mc 11.18; Lc4.32”. Segundo a Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, doutrina é “tudo o que é objeto de ensino; dïsciplina” (Vida, S. Paulo, 1999, p. 211).

À luz da Bíblia, doutrina é o ensino bíblico normativo terminante, final, derivado das Sagradas Escrituras, como regra de fé e prática de vida, para a Igreja, para seus membros, vista na Bíblia como expressão prática na vida do crente, e isso inclui as práticas, usos e costumes.

Elas são santas, divinas, universais e imutáveis.
Nos próprios dicionários seculares encontramos esse mesmo conceito sobre doutrina: “É o complexo de ensinamentos de uma escola filosófica, científica ou religiosa. Disciplina ou matéria do ensino. Opinião em matéria científica” (Dicionário Álvaro de Magalhães). “Conjunto de princípios de um sistema religioso, políticos ou filosóficos. Rudimentos da fé cristã. Método, disciplina, instrução, ensino” (Dicionário Ilustrado Novo Brasil, ed. 1979).

Costume

A Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, define costume como “Uso, prática geralmente observada”. (p. 169). As palavras gregas usadas para “costume são ethos (Lc 2.42; Hb 10.25) e synetheia (Jo 18.19; 1 Co 8.7; 11.16).A primeira, de onde vem a palavra “ética”, significa costume com sentido de “lei, uso” (Lc 1.9). Não é biblicamente correto usar doutrina e costume como se fosse a mesma coisa. O costume é “Prática habitual. Modo de proceder.

Jurisprudência baseada em uso; modo vulgar; particularidade; moda; trajo característico, procedimento; modo de viver”. Os costumes visto pela ótica cristã, são linhas recomendáveis de comportamento. Estão ligados ao bom testemunho do crente perante o mundo. Estão colocados no contexto temporal, não estão comprometidos diretamente com a salvação.

Os costumes em si são sociais, humanos, regionais e temporais, porque ocorrem na esfera humana, sendo inúmeros deles gerados e influenciados pelas etnias, etariedade, tradições, crendices, individualismo, humanismo, estrangeirismo e ignorância.

Convém atualizar essa redação omitindo a expressão “como doutrina”, ficando assim: “sadios princípios estabelecidos na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil”.
Quanto aos 8 princípios da Resolução, uma maneira de colocar numa linguagem atualizada é:

  1. Ter os homens cabelos crescidos (1 Co 11.14), bem como fazer cortes extravagantes;
  2. As mulheres usarem roupas que são peculiares aos homens e vestimentas indecentes e indecorosas, ou sem modéstias (1 Tm 2.9, 10);
  3. Uso exagerado de pintura e maquiagem – unhas, tatuagens e cabelos- (Lv 19.28; 2 Rs 9.30);
  4. Uso de cabelos curtos em detrimento da recomendação bíblica (1 Co 11.6, 15);
  5. Mal uso dos meios de comunicação: televisão, Internet, rádio, telefone (1 Co 6.12; Fp 4.8); e
  6. Uso de bebidas alcoólicas e embriagantes (Pv 20.1; 26.31; 1 Co 6.10; Ef. 5.18).

Os itens 2 e 6 foram colocados num mesmo item, pois se trata de um mesmo assunto. Colocamos referências bíblicas porque os nossos costumes são norteados pela Palavra de Deus. Precisamos ter consciência de que os nossos costumes não impedem o crescimento da Igreja.

Hoje em dia há igrejas para todos os gostos, mas nós temos compromisso com Deus, com sua Palavra e com o povo. O objetivo de conquistar as elites da sociedade em detrimento de nossos costumes e tradições não é bom negócio.

Isso tem causado muitos escândalos e divisões e não levam a resultados positivos. Somos o que somos, devemos aperfeiçoar as nossas estratégias de evangelismo e não mudar arbitrariamente os nossos costumes, pois isso choca a maioria dos crentes. Criar novos métodos para alcançar os pecadores, isso sim, para que o nosso crescimento possa continuar.

Falta de crescimento

Outro ponto que convém ressaltar que a falta de crescimento de algumas igrejas não é pelo fator usos e costumes, como muitas vezes tem sido enfatizado nas AGOs da CGADB, como foi ressaltado no 5º ELAD, pois mais de 85% dos líderes das Assembléias de Deus reconhecem a necessidade de preservação de nossas tradições, usos e costumes e de nossa identidade, mas sim, por falta de visão e de objetivos de seus líderes.

Essa deficiência pode ser vista e comprovada dos dois lados, tantos dos favoráveis às mudanças como com os que querem manter o mesmo sistema histórico das Assembléias de Deus. O crescimento da igreja, à luz da Bíblia, é conseqüência de evangelismo, discipulado e oração; e o avivamento, fruto de jejum, oração e de arrependimento, e não resultado de usos, costumes e tradição.

em tudo que é extra bíblico é anti-bíblico. Nem tudo que nos interessa é condenado e pecado. Não podemos julgar ou condenar outros grupos porque adotaram liturgias estranhas e costumes diferentes dos nossos, e nem alcunhar nossos companheiros de ministério de liberais, pois “liberal” é uma palavra ofensiva.

Os liberais sãos os que não acreditam na inspiração e autoridade das Escrituras, os que negam o nascimento virginal de Jesus, não reconhecem a existências de verdades absolutas. Discordar deles é uma coisa, mas agredir é outra muito diferente, e fere o espírito cristão do amor fraternal.

Devemos, sim, preservar os nossos costumes.
A salvação é um ato da graça de Deus pela fé em Jesus. A Bíblia ensina que somos salvos pela fé em Jesus (Rm 3.28; Gl 2.16; Ef 2.8-10; Tt 3.5). Todos os crentes são salvos porque um dia ouviram alguém falar de Jesus e creram nessa mensagem. Ninguém fez nada, absolutamente, para ser salva, a não ser a fé em Jesus. Como conseqüência da salvação temos o fruto do Espírito (Gl 5.22).

A vida de santificação é resultado da nova vida em Cristo, e não um meio para a salvação. Cristianismo é religião de liberdade no Espírito e não um conjunto de regras e de ritos. Acrescentar algo mais que a fé em Jesus como condição para salvação é heresia e desvio da fé cristã (Gl 5.1-4). Mas, ir além da liberdade cristã, extrapolando os limites é libertinagem (Gl 5.13). A fé cristã requer compromissos e por isso vivemos uma vida diferente do mundo, do contrário essa fé seria superficial e não profunda, como encontramos no apóstolo Paulo (Gl 2.20). Não existe instituição sem normas, nós temos as nossas.

Quando os gentios de Antioquia se converteram à fé cristã a igreja de Jerusalém enviou Barnabé para discipular aqueles novos crentes (At 11.20-22). Ele Entendia que os costumes só devem ser mantidos quando necessários, pois ensinar costumes, culturas e tradições como condição para salvação, é heresia e caracteriza seita. Barnabé sabia que a tradição judaica era mais uma forma de manter a identidade nacional e que isso em nada implicaria na salvação desses novos crentes, portanto, não seria necessário observar o ritual da lei de Moisés (At 15.19, 20).

Os judeus não eram mais crentes do que os gentios por causa dos seus costumes e nem consideravam os gentios menos crentes do que eles. Pedro pregava aos judeus o “evangelho de circuncisão”, enquanto Paulo o da “incircuncisão”, ou seja, Pedro pregava aos judeus e Paulo aos gentios (Gl 2.7-9). Não se trata de dois evangelhos, mas de um só evangelho, apresentado de forma diferente. Isso é muito importante porque as convicções religiosas são pessoais e o apóstolo Paulo respeitava essas coisas. Havia os irmãos que achavam que devia guardar dias e se abster de certos alimentos, outros consideravam iguais todos os dias e comiam de tudo (Rm 14.1-8). Ele não procurou persuadir a ninguém dessa ou da outra maneira.

Diante disso, aprendemos que nenhum pastor deve persuadir o crente para deixar de observar os costumes da igreja. Isso é algo de foro íntimo. Da mesma forma, um não deve criticar o outro, porque o que ambos fazem é para Deus, além disso, o apóstolo via que se tratava de uma questão cultural (Rm 14.6-10). Proibições sem a devida fundamentação, principalmente bíblica, é fanatismo. Quem faz de sua religião o seu Deus não terá Deus para sua religião.

Isso nos mostra que o nossos costumes não são condição para a salvação, eles devem ser mantidos para a preservação de nossa identidade como denominação. Não devemos criticar os outros e nem forçar ninguém a crer contra suas próprias convicções religiosas. Há pastores que agridem o rebanho e desrespeitam seus companheiros porque querem demolir nosso patrimônio histórico-espiritual a todo custo. Deus quer a Assembléia de Deus como ela é, na sua maioria.

 As outras denominações foram chamadas como elas são, é assim que Deus quis, Ele é soberano. O mesmo Jesus que chamou Mateus disse para outros que não o seguisse. A vontade de Deus para a minha vida não a mesma para a vida de outras pessoas. Embora todos nós estejamos na direção e vontade de Deus, porém com chamadas diferentes.

Fonte: www.cgadb.com.br

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